{"id":10583,"date":"2025-06-25T09:23:30","date_gmt":"2025-06-25T12:23:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/proex\/?p=10583"},"modified":"2025-06-26T09:28:27","modified_gmt":"2025-06-26T12:28:27","slug":"migrantes-sao-acolhidos-e-conhecem-oportunidades-na-uepg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/proex\/migrantes-sao-acolhidos-e-conhecem-oportunidades-na-uepg\/","title":{"rendered":"Migrantes s\u00e3o acolhidos e conhecem oportunidades na UEPG"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) auxilia na inser\u00e7\u00e3o de migrantes que buscam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida no Brasil. O contato ocorre por meio de projetos de extens\u00e3o, processos seletivos e do ingresso em cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. No m\u00eas em que se comemora o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, a institui\u00e7\u00e3o traz hist\u00f3rias de pessoas que tiveram as vidas transformadas pela universidade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O projeto de extens\u00e3o Processos Migrat\u00f3rios e Interc\u00e2mbio: Inclus\u00e3o Social e Diversidade Cultural (Promigra) \u00e9 uma das portas de entrada para uma nova vida. Com atua\u00e7\u00e3o de alunos e professores dos Departamentos de Servi\u00e7o Social, Jornalismo, Pedagogia e Estudos da Linguagem, as atividades incluem a\u00e7\u00f5es sociojur\u00eddicas, cursos de l\u00edngua portuguesa, rodas de conversa sobre xenofobia e iniciativas educativas para crian\u00e7as. Em tr\u00eas anos, o projeto j\u00e1 atendeu 140 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Paran\u00e1 tem sido escolhido como lar por quem vem reconstruir sua trajet\u00f3ria no Brasil. Dados do Sistema de Registro Nacional Migrat\u00f3rio (Sismigra) revelam que, at\u00e9 o primeiro semestre de 2024, 175.902 migrantes estrangeiros residiam no estado, vindos de 195 pa\u00edses e distribu\u00eddos por 196 munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Uma hist\u00f3ria da Venezuela<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-3-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-91851 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-3-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"359\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-3-scaled.jpg\" \/><\/a>Belky Liliana Rivera D\u00e1vila \u00e9 uma das pessoas atendidas pelo Promigra. A venezuelana saiu da cidade de Puerto Ordaz, ap\u00f3s perceber a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida devido \u00e0 constante instabilidade pol\u00edtica do pa\u00eds. Ela tinha um filho adulto morando em outro pa\u00eds e um menor, de 10 anos. Segundo Belky, chegou um ponto em que precisava escolher entre pagar as contas e comer, pois os pre\u00e7os aumentavam. \u201cEra muita inseguran\u00e7a, uma situa\u00e7\u00e3o do povo contra o povo. Eu decidi: n\u00e3o vou continuar aqui, meu filho est\u00e1 pequeno, ele precisa de uma oportunidade\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O caminho at\u00e9 Ponta Grossa n\u00e3o foi f\u00e1cil. A jornada come\u00e7ou em 2019, quando ouviu falar do Projeto Acolhida, do Governo Federal, e de uma ajuda oferecida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias (m\u00f3rmons). Para ser beneficiada, precisaria chegar a Boa Vista, em Roraima, a quase 13 horas de viagem de sua casa. Ela vendeu m\u00f3veis e objetos, e um amigo da fam\u00edlia financiou o restante das passagens at\u00e9 a fronteira com o Brasil. Dali, o grupo do qual fazia parte contratou um transporte alternativo para atravess\u00e1-los ao lado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao se aproximar da fronteira, Belky foi informada de que a travessia seria a p\u00e9, por trilhas em meio \u00e0 floresta. No primeiro dia, o grupo n\u00e3o p\u00f4de avan\u00e7ar por causa de uma chuva forte que alagou trechos do caminho. No segundo, ind\u00edgenas armados quase impediram a passagem, e o guia precisou negociar com o l\u00edder deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando finalmente conseguiu seguir viagem, ela percebeu que a vida n\u00e3o seria f\u00e1cil. As instala\u00e7\u00f5es em Pacaraima, no Brasil, eram prec\u00e1rias e eles ainda precisariam continuar at\u00e9 Boa Vista. Ap\u00f3s alguns dias de adapta\u00e7\u00e3o, ao chegarem \u00e0 capital de Roraima, conseguiram fazer seus documentos e respirar um pouco mais aliviados.\u00a0De Manaus, seguiriam para o interior do Brasil por via a\u00e9rea, assim que houvesse vagas em voos de empresas parceiras. Por duas vezes, ela e o filho foram retirados de aeronaves ap\u00f3s j\u00e1 terem embarcado. \u201cA primeira vez que fui devolvida para o ref\u00fagio, eu desabei. N\u00e3o queria chorar na frente do meu filho, mas naquele momento n\u00e3o consegui segurar as l\u00e1grimas\u201d, relembra, emocionada.\u00a0Na terceira tentativa, foram de Manaus para Recife, depois Belo Horizonte, Ipatinga e Nova Lima. Em Minas Gerais, membros da Igreja de Jesus Cristo ajudaram na ambienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s alguns meses em Ipatinga, mudou-se para S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), onde se casou com outro venezuelano. O relacionamento, por\u00e9m, n\u00e3o durou o esperado, e ela se divorciou. Durante a pandemia, Belky relata que ela e o filho quase morreram de Covid-19. Passada a crise sanit\u00e1ria, foram para Londrina, no norte do Paran\u00e1. Por\u00e9m, por n\u00e3o se adaptar \u00e0 cidade, Ponta Grossa foi o novo destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A UEPG surgiu como uma forma de aprimorar o portugu\u00eas de Belky, juntamente com os servi\u00e7os de acolhimento da C\u00e1ritas, parceira do Promigra. \u201cSou muito grata pela ajuda e pelos encaminhamentos. Eles s\u00e3o essenciais. E precisamos de certificados para buscar emprego, pois ainda h\u00e1 muitos que discriminam pelo sotaque e negam oportunidades. Isso j\u00e1 aconteceu comigo v\u00e1rias vezes\u201d, relata Belky, que tem forma\u00e7\u00e3o como t\u00e9cnica administrativa, bacharel em Gest\u00e3o Ambiental e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Magist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente, ela busca recoloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. \u201cN\u00e3o podemos perder a esperan\u00e7a. J\u00e1 passei por tanta coisa! Fa\u00e7o tudo pelo meu filho, que agora tem 16 anos. Quero um futuro para ele. Meu filho mais velho, que hoje mora na Espanha, tamb\u00e9m me ajuda, mas ele tem a pr\u00f3pria fam\u00edlia para cuidar\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Deixando Assun\u00e7\u00e3o em busca de sa\u00fade<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-4-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-91853 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-4-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"451\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-4-scaled.jpg\" \/><\/a>Carlos Daniel Pi\u00f1anez Monges era professor no Instituto Superior de Belas Artes de Assun\u00e7\u00e3o, Paraguai, onde chegou a ocupar o cargo de diretor-geral, at\u00e9 que problemas de sa\u00fade o levaram \u00e0 aposentadoria por invalidez. Ele tamb\u00e9m foi diagnosticado com uma forma agressiva de diabetes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Daniel tinha uma tia que morava h\u00e1 d\u00e9cadas em Ponta Grossa. Foi ela e os filhos dela, primos de Carlos, que o convenceram a se mudar para o Brasil para tratar a sa\u00fade. \u201cEu desembarquei aqui quase morto. Um primo que trabalhava e morava aqui com minhas tias me trouxe de Assun\u00e7\u00e3o at\u00e9 Ciudad del Este, de onde cruzei para Foz do Igua\u00e7u. Cheguei muito doente, com 15 kg a menos do que tenho agora\u201d, detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Ponta Grossa, a primeira ajuda veio da C\u00e1ritas Diocesana. Assim que se sentiu um pouco melhor, Carlos foi estudar portugu\u00eas na UEPG. Foi a porta de entrada para um novo mundo, onde, ao mesmo tempo em que era tratado pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), cuidava tamb\u00e9m do psicol\u00f3gico por ter deixado o Paraguai, com a ex-esposa, uma filha de 26 e outra de 18 anos. \u201cSou muito agradecido \u00e0 UEPG. Aprendi portugu\u00eas e ganhei uma nova fam\u00edlia, uma fam\u00edlia internacional. \u00c0s vezes voc\u00ea pode estar mais triste, mas chega aqui, encontra os amigos do curso e j\u00e1 se sente melhor\u201d, conta Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A tia com quem ele morava faleceu recentemente, mas ele ainda pode contar com o apoio dos primos. Todos os meses, mesmo com a sa\u00fade fr\u00e1gil, ele se desloca at\u00e9 Ciudad del Este para receber a aposentadoria. \u201c\u00c0s vezes vou a Assun\u00e7\u00e3o ver minhas filhas\u201d, explica. Em Ponta Grossa, continua escrevendo ensaios e pe\u00e7as de teatro, um hobby que n\u00e3o abandona. \u201cJ\u00e1 escrevi e atuei em pe\u00e7as em portugu\u00eas na igreja que frequento\u201d, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Longe de casa por conta da Guerra<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-18-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-91943 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-18-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"463\" height=\"326\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-18-scaled.jpg\" \/><\/a>Yaroslava Muravetska, nascida em Pokrov, na regi\u00e3o de Dnipropetrovsk, Ucr\u00e2nia, passou parte da adolesc\u00eancia em Kryvyi Rih e, aos 17 anos, mudou-se para a capital, Kiev. L\u00e1, formou-se e construiu uma carreira acad\u00eamica, com doutorado em Teoria Liter\u00e1ria. Hoje mora em Ponta Grossa como participante do Programa Paranaense de Acolhida aos Cientistas Ucranianos que foram afetados pela Guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela recorda que as tens\u00f5es que culminaram na invas\u00e3o russa come\u00e7aram em 2014, com a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia, mas foi em 2022, quando os russos atacaram Kiev, que ela foi diretamente impactada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na \u00e9poca, a pesquisadora estava voltando de uma temporada de estudos na Alemanha, onde havia desenvolvido um projeto na Universidade Livre Ucraniana em Munique. Uma amiga j\u00e1 havia se mudado para o Brasil para pesquisar na Universidade Estadual de Londrina e deu boas refer\u00eancias sobre o pa\u00eds. \u201cNo final do ver\u00e3o, a oportunidade acad\u00eamica no Brasil pareceu particularmente atraente, n\u00e3o apenas pela recomenda\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por oferecer um contrato de dois anos. Essa estabilidade me deu esperan\u00e7a de me adaptar, aprender o idioma e trabalhar em um projeto aprofundado\u201d, lembra a doutora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa mesma \u00e9poca, a guerra se aproximou ainda mais de Yaroslava. \u201cEmbora eu tentasse n\u00e3o me concentrar na amea\u00e7a constante em Kiev, uma cidade frequentemente alvo de drones e m\u00edsseis, era imposs\u00edvel ignor\u00e1-la. Poucos dias antes da minha partida, um m\u00edssil destruiu um pr\u00e9dio residencial no meu bairro, matando oito pessoas. Essa trag\u00e9dia me trouxe de volta \u00e0 realidade da guerra\u201d, lamenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-17-1-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-91947 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-17-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"306\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/yaroslava-ucraniava-Fabio-Ansolin-17-1-scaled.jpg\" \/><\/a>A viagem at\u00e9 Ponta Grossa foi feita de \u00f4nibus de Kiev a Vars\u00f3via (Pol\u00f4nia) e, de l\u00e1, de avi\u00e3o para Lisboa (Portugal), S\u00e3o Paulo (SP) e Curitiba, onde um ve\u00edculo oficial da UEPG a transportou para a cidade. Agora, com menos de dois meses no Brasil, ela est\u00e1 na fase de adapta\u00e7\u00e3o. \u201cQuando como arroz com feij\u00e3o, carne e suco de maracuj\u00e1, sinto-me uma verdadeira brasileira, mas quando tento falar ou entender o que as pessoas dizem, a magia desaparece\u201d, brinca Yaroslava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ucraniana se diz muito bem acolhida, pois os brasileiros, de modo geral, t\u00eam sido receptivos com estrangeiros que ainda n\u00e3o dominam o portugu\u00eas. \u201cJ\u00e1 mencionei, mas vale repetir: em muitos pa\u00edses, as pessoas te tratam com distanciamento ou at\u00e9 condescend\u00eancia quando voc\u00ea n\u00e3o fala o idioma. Aqui, n\u00e3o senti isso. Aprecio a paci\u00eancia que as pessoas demonstram durante o meu processo de aprendizagem.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Academicamente, Yaroslava planeja ministrar palestras e minicursos sobre ferramentas digitais em an\u00e1lise textual, al\u00e9m de dar continuidade \u00e0s pesquisas que desenvolvia em sua terra natal. Seus campos de estudo tamb\u00e9m incluem o uso de intelig\u00eancia artificial em tradu\u00e7\u00f5es e seus efeitos no campo liter\u00e1rio, bem como textos de viajantes ucranianos que passaram pelo Brasil e vice-versa. \u201cEm ess\u00eancia, pesquiso o contexto liter\u00e1rio ucraniano-brasileiro utilizando ferramentas digitais\u201d, resume.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Yaroslava mant\u00e9m contato com descendentes de ucranianos em Ponta Grossa, com outros colegas no Paran\u00e1 e, principalmente, com sua fam\u00edlia, com quem fala todos os dias. Eles moram n\u00e3o muito longe da usina nuclear de Zaporizhzhia. \u201cTento n\u00e3o pensar na possibilidade de um ataque, acidental ou deliberado, \u00e0 usina, que poderia causar um desastre nuclear\u201d, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobre os planos para o futuro, Yaroslava procura encar\u00e1-los de forma flex\u00edvel e aberta, devido \u00e0 imprevisibilidade que tem enfrentado. Ao mesmo tempo, afirma estar comprometida em continuar suas pesquisas, desenvolver projetos que promovam o di\u00e1logo cultural entre Ucr\u00e2nia e Brasil e contribuir para uma maior visibilidade global dos estudos ucranianos. \u201cE, acima de tudo, espero uma resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e justa para a guerra e para o futuro da Ucr\u00e2nia como um pa\u00eds livre\u201d, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Amor ao pr\u00f3ximo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-91854 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-2-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"515\" height=\"595\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-2-scaled.jpg\" \/><\/a>A C\u00e1ritas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Quando um migrante chega a Ponta Grossa, a institui\u00e7\u00e3o, ao ser procurada, \u00e9 uma das primeiras a acolh\u00ea-lo, um trabalho que conta com o aux\u00edlio do Promigra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A assistente social da C\u00e1ritas Diocesana, Erica Francine Pilarski Clarindo, destaca a import\u00e2ncia da parceria. Ela relata que, ao levar a ideia de um curso de portugu\u00eas para os migrantes, foi prontamente atendida pela UEPG. \u201cVemos o trabalho tomar corpo e valorizar as pessoas, dando-lhes dignidade. Acredito que esse \u00e9 o principal papel da C\u00e1ritas e da Universidade: acolher e proporcionar uma melhor qualidade de vida\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gislaine da Rosa, tamb\u00e9m assistente social na C\u00e1ritas, atende perfis variados de migrantes e ressalta que ainda existem olhares distorcidos sobre eles. No entanto, afirma que a maioria dos que v\u00eam para Ponta Grossa s\u00e3o qualificados. \u201cEles t\u00eam muito a acrescentar, trazendo novos conhecimentos para o com\u00e9rcio e para as empresas. \u00c9 uma m\u00e3o de obra rica, de gente que quer recome\u00e7ar. Eles valorizam o Brasil e tudo o que o pa\u00eds lhes oferece\u201d, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As palavras de Gislaine encontram eco na pesquisa de Anna Isabela Ringvelski Costa, que apresentou a disserta\u00e7\u00e3o \u201cMigra\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o laboral: trajet\u00f3rias e desafios de migrantes no acesso ao mercado de trabalho formal de Ponta Grossa\/PR\u201d, no programa de Ci\u00eancias Sociais Aplicadas da UEPG. \u201cObservei que migrantes qualificados acabam ocupando postos de menor qualifica\u00e7\u00e3o, em parte pela dificuldade de revalidar seus diplomas e, em parte, pelas restri\u00e7\u00f5es impostas pelo idioma e pela burocracia\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-1-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-91855 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-1-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"530\" height=\"497\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Promigra-Helton-Costa-baixa-1-scaled.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Anna tamb\u00e9m verificou relatos de jornadas de trabalho duplas ou triplas, resultando em exaust\u00e3o f\u00edsica e mental. \u201cAs mulheres que tentaram fun\u00e7\u00f5es de limpeza, cuidadora de idosos ou caixa de supermercado, relatam falta de reconhecimento, baixos sal\u00e1rios e dificuldade de conciliar o trabalho com as demandas dos filhos\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros dados da pesquisa sugerem que a obten\u00e7\u00e3o de emprego ocorre mais por indica\u00e7\u00e3o do que por canais oficiais, que homens conseguem trabalho mais r\u00e1pido e que mulheres, principalmente as com filhos, enfrentam maiores barreiras. \u201cApesar da exist\u00eancia de vagas, h\u00e1 dificuldades com a l\u00edngua, falta de informa\u00e7\u00e3o e preconceitos. Isso evidencia a urg\u00eancia de pol\u00edticas intersetoriais que considerem ra\u00e7a, classe e g\u00eanero, indo al\u00e9m da simples oferta de vagas\u201d, conclui Anna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em seu estudo, foram entrevistadas 13 pessoas: nove mulheres e quatro homens, de nacionalidades venezuelana, colombiana, haitiana e cubana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>A import\u00e2ncia do Promigra<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a role=\"link\" href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Aula-Promigra-Helton-Costa-baixa-9-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-91859 lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Aula-Promigra-Helton-Costa-baixa-9-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"291\" data-src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Aula-Promigra-Helton-Costa-baixa-9-scaled.jpg\" \/><\/a>A coordenadora do Promigra, professora Lenir Aparecida Mainardes da Silva, destaca que todo processo migrat\u00f3rio envolve expectativas e que os estrangeiros que se deslocam para Ponta Grossa enfrentam os mesmos desafios de outros locais do Brasil: barreira lingu\u00edstica, demora para regularizar a documenta\u00e7\u00e3o, desconhecimento sobre seus direitos e dificuldade em revalidar diplomas. Por isso, segundo ela, o trabalho da UEPG nessa adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. \u201cAcredito que, para pessoas migrantes, \u00e9 importante saber que existem institui\u00e7\u00f5es capazes de receb\u00ea-las e trat\u00e1-las com respeito, garantindo que se sintam seguras e acolhidas\u201d, explica a docente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Fomento ao empreendedorismo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A professora do Departamento de Administra\u00e7\u00e3o da UEPG, Marilisa do Rocio Oliveira, revela que est\u00e1 sendo preparado um projeto de extens\u00e3o para trabalhar o empreendedorismo entre os migrantes, com previs\u00e3o de in\u00edcio no segundo semestre deste ano. \u201cEles desenvolvem algumas atividades, mas n\u00e3o sabem como formaliz\u00e1-las. Estamos finalizando um projeto para capacit\u00e1-los na elabora\u00e7\u00e3o de um plano de neg\u00f3cio, precifica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, pois eles t\u00eam grande interesse em participar de feiras\u201d, explica a professora, que tamb\u00e9m representa a UEPG no Comit\u00ea Municipal para Migrantes, Refugiados e Ap\u00e1tridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Curiosidade<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 2023, existe por Lei a Semana do Migrante e do Refugiado, celebrada anualmente entre 19 e 23 de junho. Conforme a lei, nesse per\u00edodo, deve-se \u201cdiscutir o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio humanizado\u201d, \u201cpromover e difundir os direitos, liberdades e obriga\u00e7\u00f5es dos migrantes\u201d e \u201cincentivar o debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas, com apresenta\u00e7\u00e3o de alternativas de empregabilidade e integra\u00e7\u00e3o cultural\u201d.<\/p>\n<pre>Texto: Helton Costa\/Fotos: Helton Costa e Fabio Ansolin.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) auxilia na inser\u00e7\u00e3o de migrantes que buscam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida no Brasil. O contato ocorre por meio de projetos de extens\u00e3o, processos seletivos e do ingresso em cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. 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