{"id":4696,"date":"2025-04-22T16:50:56","date_gmt":"2025-04-22T19:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/?p=4696"},"modified":"2025-04-24T16:51:56","modified_gmt":"2025-04-24T19:51:56","slug":"no-dia-da-terra-pesquisadores-da-uepg-mostram-o-que-faz-do-planeta-azul-tao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/no-dia-da-terra-pesquisadores-da-uepg-mostram-o-que-faz-do-planeta-azul-tao-especial\/","title":{"rendered":"No Dia da Terra, pesquisadores da UEPG mostram o que faz do planeta azul t\u00e3o especial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Uma hist\u00f3ria de 4,5 bilh\u00f5es de anos, contada por quem se dedica a estud\u00e1-la. Em celebra\u00e7\u00e3o ao Dia da Terra, 22 de abril, pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) contam a hist\u00f3ria de um planeta que se transformou &#8211; e segue se transformando, ao longo das eras, e proporcionou o surgimento da vida &#8211; e revelam o que o torna t\u00e3o especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O tempo geol\u00f3gico \u00e9 diferente do tempo humano, mas para melhor contar a hist\u00f3ria da Terra, se utiliza o calend\u00e1rio como alegoria para explicar as diferentes eras e transforma\u00e7\u00f5es que o planeta viveu. A jornada do planeta inicia com sua forma\u00e7\u00e3o, representada pelo m\u00eas de janeiro, at\u00e9 os dias atuais, como se estes fossem o final do calend\u00e1rio, 31 de dezembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>4,5 bilh\u00f5es de anos preservados\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A saga do planeta Terra segue viva no cora\u00e7\u00e3o do Campus Uvaranas da UEPG, o Museu de Ci\u00eancias Naturais (MCN) da Universidade foi projetado para contar a hist\u00f3ria do planeta, desde a origem at\u00e9 o presente momento, proporcionando ricos momentos de reflex\u00e3o para os visitantes do Museu. Por meio da difus\u00e3o de diferentes \u00e1reas do conhecimento, o MCN tem a complexa miss\u00e3o de contar a hist\u00f3ria da grande casa comum, de forma did\u00e1tica e inovadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Das rochas que vieram do espa\u00e7o \u00e0s que emergiram das profundezas da Terra, das menores criaturas que rastejam aos grandes dinossauros que habitaram este planeta &#8211; esses s\u00e3o alguns exemplos presentes na rica cole\u00e7\u00e3o do MCN-UEPG. Essas descobertas s\u00e3o fruto de pesquisas cient\u00edficas realizadas nas diversas \u00e1reas do conhecimento que convergem para contar a hist\u00f3ria comum a todos os seres &#8211; vivos ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O coordenador do MCN, professor Ant\u00f4nio Liccardo, do Departamento de Geoci\u00eancias da UEPG, destaca que a proposta do Museu \u00e9 justamente &#8220;reintegrar&#8221; conhecimentos. &#8220;A ci\u00eancia se especializa em diferentes \u00e1reas, como a Biologia e a Geografia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio reunir o conjunto de informa\u00e7\u00f5es para que o p\u00fablico entenda que a Terra \u00e9 um conjunto de processos naturais que atuaram em conjunto para formar essa linda hist\u00f3ria que contamos aqui&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para Liccardo, o papel do Museu e dos conhecimentos sobre a Terra \u00e9 devolver \u00e0 humanidade uma conex\u00e3o perdida com a natureza. &#8220;Nosso objetivo \u00e9 resgatar um equil\u00edbrio e auxiliar as pessoas a se enxergarem como parte deste mundo, para tamb\u00e9m compreenderem o impacto que causam na natureza&#8221;. Enquanto a ci\u00eancia engatinha para desvendar os mist\u00e9rios da Terra, o Museu e a Universidade desempenham papel fundamental para guiar as pessoas: &#8220;\u00e9 ut\u00f3pico e ousado, mas precisa ser feito&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/visita-noturna-mcn-Aline-Jasper_8-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-86304 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/visita-noturna-mcn-Aline-Jasper_8-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;Eu gosto de observar o nosso mundo e entender a complexidade de informa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o perfeitamente conectadas e d\u00e3o sentido \u00e0 realidade. \u00c9 muito satisfat\u00f3rio quando entendemos os princ\u00edpios que regem o nosso mundo.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Da poeira ao planeta\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a hist\u00f3ria da Terra pudesse ser sintetizada em um calend\u00e1rio, o ano inicia com a explos\u00e3o de uma nebulosa, uma nuvem de gases e poeira, cujos fragmentos d\u00e3o origem a uma estrela &#8211; nasce o Sol! Um enorme disco de fragmentos que gira em sua \u00f3rbita, chamado disco protoplanet\u00e1rio, d\u00e1 origem a uma s\u00e9rie de pequenos corpos celestes ao seu entorno; pela for\u00e7a da gravidade, as part\u00edculas se unem e \u00e0 medida que crescem atraem fragmentos maiores, dando origem aos planetas, luas e asteroides que comp\u00f5em o sistema solar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre eles, nasce um planeta rochoso, cujo calor gerado pelo impacto dos seus componentes, aliado \u00e0 gravidade, formou um n\u00facleo s\u00f3lido \u00e0 base de ferro. No in\u00edcio, este planeta se assemelhava a uma bola de fogo, constantemente bombardeada por meteoritos. Este per\u00edodo, chamado de Hadeano em refer\u00eancia ao inferno da mitologia grega, tamb\u00e9m \u00e9 marcado pelo impacto de um corpo celeste que partiu parte da Terra, dando origem \u00e0 Lua, e provocou mudan\u00e7a em seu eixo de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este per\u00edodo, ou \u00e9on, que compreende os meses de janeiro e fevereiro, permanece um enigma para ci\u00eancia. Grande parte dos registros dos prim\u00f3rdios da Terra vem do espa\u00e7o, representados pela queda de meteoritos mais antigos que o pr\u00f3prio planeta. &#8220;Esses corpos celestes s\u00e3o como c\u00e1psulas do tempo, porque eles guardam o material original de quando tudo estava se formando. Est\u00e3o a\u00ed at\u00e9 hoje rodando o Sol, como testemunhas daquela bagun\u00e7a toda que foi a cria\u00e7\u00e3o dos planetas&#8221;, explica o professor Marcelo Em\u00edlio, do Departamento de Geoci\u00eancias da UEPG e coordenador do Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico da Universidade. A cole\u00e7\u00e3o do MCN-UEPG conta com um exemplar de meteoro ca\u00eddo na Terra com mais de oito bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/observatorio-J-23-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-86097 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/observatorio-J-23-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"755\" height=\"515\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;O que faz a Terra ser um planeta extraordin\u00e1rio \u00e9 o fato dela abriga algo rar\u00edssimo no cosmos: a pr\u00f3pria vida. Em meio a um Universo t\u00e3o vasto e cheio de planetas, at\u00e9 hoje a Terra \u00e9 o \u00fanico lugar onde sabemos que a vida existe&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">O espa\u00e7o conta a hist\u00f3ria da origem da Terra, mas s\u00e3o suas rochas que d\u00e3o pistas sobre os diferentes processos de transforma\u00e7\u00e3o pelas quais o planeta passou ao longo das eras. Elas guardam as marcas dos fen\u00f4menos ocorridos ao longo de bilh\u00f5es de anos, dos terremotos que dividiram o solo \u00e0s erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas que ergueram continentes, passando pelas chuvas que arrastaram sedimentos ao fundo dos rios e as marcas deixadas pelos seres vivos; todos os eventos geol\u00f3gicos ocorridos ao longo de quatro bilh\u00f5es e meio de anos culminaram no planeta que habitamos hoje, aliados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ocorridas, permitiram o surgimento da \u00e1gua e da atmosfera, que futuramente estimulariam o surgimento da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O professor Gilson Burigo, do Departamento de Geoci\u00eancias da UEPG, caminha por entre as rochas que comp\u00f5em o Jardim Geol\u00f3gico do Museu de Ci\u00eancias Naturais; ele \u00e9 um ge\u00f3logo, um cientista dedicado ao estudo da terra. &#8220;A Geologia nos permite examinar cada um desses materiais que comp\u00f5em a geodiversidade do planeta e com isso resgatar essas pistas que nos permitem contar essa hist\u00f3ria. A gente compara nosso trabalho ao de um detetive, que re\u00fane as evid\u00eancias que est\u00e3o preservadas nesses materiais para contar como o planeta evoluiu&#8221;, explica, enquanto observa atenciosamente detalhes nas rochas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Eu acho que a UEPG pode se orgulhar bastante da trajet\u00f3ria que construiu dentro de geoci\u00eancias. N\u00f3s temos uma forte tradi\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao levantamento de informa\u00e7\u00f5es para compreender melhor as caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas, sobretudo da nossa regi\u00e3o&#8221;. Burigo destaca que para al\u00e9m de trazer respostas sobre a forma\u00e7\u00e3o do planeta, a Geologia exerce papel fundamental na conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas sobre os recursos que ele disp\u00f5em para garantir, de forma sustent\u00e1vel, a continuidade da vida. &#8220;Com isso, a gente tem esperan\u00e7a de que n\u00f3s estamos formando cidad\u00e3os com uma consci\u00eancia mais adequada sobre a geodiversidade e saibam enfrentar os grandes desafios postos hoje em dia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/AcervogeologicoMCN_GabrielMiguelBAIXA-3-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-86145 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/AcervogeologicoMCN_GabrielMiguelBAIXA-3-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"537\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;O que realmente me encanta nesse planeta Terra \u00e9 a diversidade de produtos e processos, ligados a um mundo que n\u00e3o est\u00e1 vivo, mas possibilitou o florescimento da vida. Um planeta rico em minerais e rochas e que nos fascinam e que nos sustentam&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><br \/>\nA vida triunfa no caos\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 o final do primeiro semestre, o planeta passa por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que o aproximaram da sua forma atual. Durante o per\u00edodo Arqueano, datado entre 4 e 2.5 bilh\u00f5es de anos &#8211; ou entre fevereiro e junho, segundo o &#8220;calend\u00e1rio&#8221;; a superf\u00edcie da Terra esfria, se transformando na crosta terrestre rochosa e dando forma ao primeiro oceano, que cobriu todo o planeta em \u00e1gua. Os processos vulc\u00e2nicos e tect\u00f4nicos fazem surgir das \u00e1guas as primeiras por\u00e7\u00f5es de terra que dar\u00e3o origem ao supercontinente Vaalbara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nesta Terra de oceanos \u00e1cidos, raios solares extremamente radioativos, constantes erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas e descargas el\u00e9tricas que surge o inesperado- vida. As primeiras formas de vida conhecidas eram microorganismos unicelulares simples, que absorviam di\u00f3xido de carbono (CO2) da atmosfera carregada de gases t\u00f3xicos. &#8220;O planeta n\u00e3o era prop\u00edcio para o surgimento da vida, mas ela surge. Ela emerge ao acaso, aproveita as brechas que surgiam em meio ao caos e molda as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es para a sua exist\u00eancia&#8221;, brinca o professor Marcos Pileggi, refer\u00eancia em microbiologia e evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No laborat\u00f3rio de Microbiologia da UEPG, no Campus Uvaranas, o professor Marcos Pileggi entrega \u00e0s suas alunas uma placa de Petri contendo um dos seres vivos mais antigos do planeta: um conjunto de cianobact\u00e9rias, similares \u00e0quelas surgidas nos prim\u00f3rdios da vida e que se &#8220;alimentavam&#8221; de carbono e da extrema radia\u00e7\u00e3o solar. As amostras integram o projeto Micromuseu, que leva ao p\u00fablico do MCN UEPG o universo invis\u00edvel desses pequenos seres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O triunfo dessas pequenas pioneiras tamb\u00e9m est\u00e1 impresso na pedra e pode ser testemunhado por quem visita o museu e conhece seus f\u00f3sseis de estromat\u00f3litos, col\u00f4nias de bact\u00e9rias que se re\u00fanem em estruturas rochosas; com mais de 3 bilh\u00f5es de anos de idade. Elas d\u00e3o pistas \u00e0 ci\u00eancia sobre como surgiu a vida na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pileggi destaca que o surgimento exato da vida se mant\u00e9m como um mist\u00e9rio para os cientistas. &#8220;A ci\u00eancia n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o clara sobre como foi a origem da vida, porque o pr\u00f3prio conceito de vida n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o clara, quando pensamos, por exemplo, nos v\u00edrus modernos. E esse desafio traz um inc\u00f4modo muito importante, afinal a ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 do lado da verdade, mas das d\u00favidas que motivam a sua busca&#8221;, exalta o professor, com empolga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ProfessorMarcosPileggiBio_GabrielMiguelBAIXA-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-86101 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ProfessorMarcosPileggiBio_GabrielMiguelBAIXA-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"810\" height=\"527\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;O acaso do surgimento da vida me encanta. Este planeta \u00e9 t\u00e3o bom para a gente viver hoje, porque, evolutivamente, ele foi constru\u00eddo pela pr\u00f3pria vida para receb\u00ea-la.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">As primeiras formas de vida tiveram papel fundamental em moldar o mundo, da mesma forma que foram moldadas pelos fen\u00f4menos naturais, n\u00e3o apenas da Terra, mas do ar que circunda o globo. Ao produzir oxig\u00eanio, as primeiras cianobact\u00e9rias moldaram a atmosfera a uma condi\u00e7\u00e3o que futuramente permitir\u00e1 o surgimento de outros seres vivos; mas o ar que respiramos tardaria a chegar, pois o mundo passaria por uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Laborat\u00f3rio de Climatologia da UEPG, a professora Karin Hornes n\u00e3o apenas observa o comportamento do Clima na atualidade, mas se dedica a compreender seus ciclos naturais e o seu impacto no planeta ao longo do tempo. Ela explica que as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas &#8211; e seus ciclos de d\u00e9cadas, s\u00e9culos e at\u00e9 milh\u00f5es de anos; foram essenciais para construir o planeta como o conhecemos. &#8220;Ao longo da hist\u00f3ria, o planeta Terra passou por in\u00fameras mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Oscila\u00e7\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas podem determinar a vida a extin\u00e7\u00e3o ou a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo das eras, o clima no planeta foi marcado por extremos, oscilando entre per\u00edodos de calor e frio prolongados. Entre o Permiano e o Tri\u00e1ssico, por exemplo, a temperatura da Terra ultrapassava os 50 graus, muito acima da m\u00e9dia atual, de 15 graus. &#8220;Quem diria que que durante o Devoniano, Ponta Grossa teve uma praia em um clima muito mais frio que o atual&#8221;, brinca a pesquisadora, ao citar exemplos sobre o papel do clima na forma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo das eras, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram causadas por diversos fatores- erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas at\u00e9 a queda de meteoros deixaram sua marca na atmosfera, da mesma forma que a a\u00e7\u00e3o humana. &#8220;Espero que possamos refletir sobre o nosso papel enquanto passageiros deste ponto azul que cont\u00e9m vida em abund\u00e2ncia em um vasto universo. Que nossas a\u00e7\u00f5es sejam sempre no sentido de melhorar e respeitar a vida deste planeta que \u00e9 \u00fanico&#8221;, declara Hornes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/tornados-Jessica-Natal-6-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-86298 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/tornados-Jessica-Natal-6-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"716\" height=\"477\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">N\u00e3o sabemos quanto tempo uma estrela ir\u00e1 brilhar, mas sabemos que o seu brilho nos ilumina. N\u00e3o sabemos o nosso tempo de vida, mas sabemos que nossa vida n\u00e3o teria sentido se estiv\u00e9ssemos sozinhos neste planeta. Nossa fun\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 sermos jardineiros.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Vida e morte\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um dos mais ricos acervos paleontol\u00f3gicos do Brasil se encontra na UEPG; sob coordena\u00e7\u00e3o do Grupo Palaios, do Departamento de Geoci\u00eancias, ele re\u00fane in\u00fameras fileiras com os f\u00f3sseis de mais de cem mil animais e plantas que viveram na Terra, sobretudo no per\u00edodo Devoniano, quando a regi\u00e3o era parte de um grande oceano. Toda esta diversidade revela que, ao longo dos bilh\u00f5es de anos, a vida que passou a existir na Terra enfrentou diversos ciclos de morte e renascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pr\u00f3ximo ao final do ano, o per\u00edodo Proteroz\u00f3ico (2,5 bi a 541 milh\u00f5es de anos) \u00e9 caracterizado pelas intensas atividades s\u00edsmicas, que aumentaram as terras continentais. A atmosfera agora est\u00e1 acumulada de oxig\u00eanio devido \u00e0 fotoss\u00edntese realizada pelas primeiras formas de vida, o que possibilitou o surgimento de seres mais complexos, maiores e multicelulares, que dar\u00e3o origem aos primeiros animais e plantas; o mundo vive uma intensa glacia\u00e7\u00e3o que o cobre completamente em gelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre novembro e dezembro, com o aumento das temperaturas, o gelo d\u00e1 lugar ao supercontinente Pangeia e o oceano Pantalassa, permitindo que pela primeira vez a vida possa florescer e se diversificar. O epis\u00f3dio \u00e9 conhecido pela ci\u00eancia como Explos\u00e3o Cambriana, e possibilitou o surgimento de variadas formas de animais e plantas na \u00e1gua, que eras mais tarde migrariam para a terra. O triunfo da vida no planeta se estabeleceu sob uma linha t\u00eanue e, por v\u00e1rias vezes ao longo da hist\u00f3ria, chegou pr\u00f3xima de sucumbir a adversidades que a natureza oferecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/LabPaleoUEPG_GabrielMiguelBAIXA-4-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-86206 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/LabPaleoUEPG_GabrielMiguelBAIXA-4-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"732\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8220;A Terra \u00e9 uma somat\u00f3ria de fatores geol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos que a tornam um local fascinante. Mas temos que entender que esses recursos n\u00e3o s\u00e3o ilimitados&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O mundo biol\u00f3gico est\u00e1 cimentado no mundo geol\u00f3gico&#8221;, declara o professor Elvio Pinto Bosetti, coordenador do Palaios, em refer\u00eancia ao bi\u00f3logo brit\u00e2nico Julian Huxley, para explicar os segredos sobre a vida na Terra, escondidos abaixo dela. No Laborat\u00f3rio de Paleontologia da UEPG, os estudantes do grupo Palaios treinam seus olhares para encontrar, em meio a centenas de fragmentos de rochas, ind\u00edcios de formas de vida que se preservaram com o tempo. &#8220;Aqui aprendemos a ler o grande livro das rochas&#8221;, exalta o coordenador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bosetti ressalta que um dos grandes desafios para a paleontologia \u00e9 compreender as hist\u00f3rias sobre a Terra que n\u00e3o ficam gravadas na rocha. &#8220;Por que um cientista se dedica a estudar os f\u00f3sseis de baratas que viveram em meio aos dinossauros? Porque elas tamb\u00e9m nos ajudam a entender o mundo naquele per\u00edodo e sua extin\u00e7\u00e3o pode apontar para as transforma\u00e7\u00f5es que o planeta passou e ir\u00e1 passar&#8221;, indaga o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante o per\u00edodo Paleozoico, a Terra passou por tr\u00eas epis\u00f3dios de extin\u00e7\u00e3o em massa, sendo a mais letal a do per\u00edodo Permiano, que eliminou 98% das formas de vida. O epis\u00f3dio \u00e9 mencionado pela ci\u00eancia como A Grande Morte. Da destrui\u00e7\u00e3o causada por este per\u00edodo, erguem-se os dinossauros, que durante milh\u00f5es de anos, reinaram absolutos, em um mundo agora divido em dois continentes pelas atividades tect\u00f4nicas, Laur\u00e1sia e Gowduana. Mais uma vez, o fim de uma era geol\u00f3gica \u00e9 marcada pela morte, com a extin\u00e7\u00e3o dos grandes r\u00e9pteis, h\u00e1 cerca de 65 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O \u00faltimo convidado chega\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 no final do ano, entre Natal e o Ano Novo, tem in\u00edcio o per\u00edodo Cenozoico, \u00e9poca em que as formas de vida que outrora viveram sob a sombra dos dinossauros emergiram, dando origem a uma grande variedade de mam\u00edferos e aves, a megafauna. O planeta passa por um ciclo de glacia\u00e7\u00f5es, as Am\u00e9ricas se unem, a Cordilheira dos Andes se eleva e a floresta amaz\u00f4nica floresce. O mundo ent\u00e3o se torna mais pr\u00f3ximo do que ele \u00e9 hoje. No dia 31 de dezembro, faltando apenas uma hora para o fim do ano, surge um novo convidado \u00e0 festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vinda diretamente da \u00c1frica e distribu\u00eddo por todos os continentes, esta criatura se destaca pela postura b\u00edpede, que facilita a locomo\u00e7\u00e3o e o manuseio de ferramentas; e o grande cr\u00e2nio que lhe d\u00e1 vantagem intelectual sobre seus predadores e presas. Com apenas 300 mil anos de hist\u00f3ria, <em>Homo sapiens sapiens,<\/em> o ser humano moderno, n\u00e3o apenas desenvolveu formas de sobreviver a um mundo em constante transforma\u00e7\u00e3o, mas aprendeu a ser ele um agente capaz de transform\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na entrada do Museu de Ci\u00eancias Naturais, os visitantes s\u00e3o recebidos por r\u00e9plicas de cr\u00e2nios, com diferentes formas e tamanhos; todos se assemelham ao cr\u00e2nio humano, mas apresentam peculiaridades. Cada uma conta a hist\u00f3ria de diferentes membros da fam\u00edlia dos homin\u00eddeos, a linhagem que d\u00e1 origem \u00e0 nossa esp\u00e9cie. O arque\u00f3logo Moacir Santos, criador das r\u00e9plicas, pega cuidadosamente um pequeno cr\u00e2nio, aparentemente partido ao meio &#8211; trata-se de <em>Sahelanthropus tchadensis<\/em>, o nosso ancestral mais antigo conhecido, com mais de sete milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ExposicaohominideosMCN_GabrielMiguelBAIXA-4-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-86150 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ExposicaohominideosMCN_GabrielMiguelBAIXA-4-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"722\" height=\"486\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\">&#8221; O que me move \u00e9 tentar entender as diferentes experi\u00eancias humanas na Terra e como cada povo e civiliza\u00e7\u00e3o buscou compreender seu lugar no planeta&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><br \/>\n<\/strong>&#8220;Quando olhamos para as diferentes esp\u00e9cies, vemos que com o passar do tempo, os cr\u00e2nios ficam maiores, o que aponta para c\u00e9rebros maiores. Essa caracter\u00edstica est\u00e1 ligada \u00e0 nossa necessidade de conhecer o mundo e inventar coisas; isso permitiu nossa esp\u00e9cie dominar todos os ambientes do planeta&#8221;, exalta o arque\u00f3logo. Ele alerta que as mesmas caracter\u00edsticas que permitiram o <em>Homo sapiens\u00a0<\/em>dominar o planeta o colocam em risco. &#8220;N\u00f3s sempre acreditamos que nossa esp\u00e9cie aprendeu a ter o controle sobre a natureza. O que precisamos \u00e9 compreender que na verdade somos parte dela&#8221;, alerta.<\/p>\n<blockquote><p>Texto: Gabriel Miguel | Fotos: Gabriel Miguel, Aline Jasper e J\u00e9ssica Natal<\/p><\/blockquote>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria de 4,5 bilh\u00f5es de anos, contada por quem se dedica a estud\u00e1-la. 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