{"id":4787,"date":"2025-05-10T11:31:36","date_gmt":"2025-05-10T14:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/?p=4787"},"modified":"2025-05-13T11:32:41","modified_gmt":"2025-05-13T14:32:41","slug":"sobrecarga-materna-e-violencia-contra-as-mulheres-sao-tema-de-pesquisas-no-curso-de-direito-da-uepg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/sobrecarga-materna-e-violencia-contra-as-mulheres-sao-tema-de-pesquisas-no-curso-de-direito-da-uepg\/","title":{"rendered":"Sobrecarga materna e viol\u00eancia contra as mulheres s\u00e3o tema de pesquisas no curso de Direito da UEPG"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mulher, m\u00e3e e cidad\u00e3. Neste Dia das M\u00e3es, pesquisadoras do curso de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa abordam o trabalho invis\u00edvel de cuidado realizado majoritariamente por mulheres, que gera uma sobrecarga materna; e a rela\u00e7\u00e3o entre a disponibilidade de vagas na educa\u00e7\u00e3o infantil p\u00fablica e a independ\u00eancia de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/letycia-martins.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87955 alignright\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/letycia-martins.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"399\" \/><\/a>O trabalho invis\u00edvel<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">As mulheres s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pelo cuidado e pelas tarefas dom\u00e9sticas, mesmo quando trabalham fora. Essa foi uma das hip\u00f3teses confirmadas pela pesquisa da bacharel em Direito Letycia Martins, que aplicou question\u00e1rios qualitativos e quantitativos \u00e0 comunidade feminina da UEPG. Alunas, professoras, servidoras e funcion\u00e1rias terceirizadas responderam question\u00e1rios sobre suas experi\u00eancias pessoais com o trabalho, estudo e a qualidade de vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cMinha m\u00e3e nunca trabalhou remuneradamente, mas sempre trabalhou, e muito. Cresci vendo ela fazer tudo dentro de casa, sem reconhecimento e sem descanso&#8221;, conta Letycia. A ent\u00e3o acad\u00eamica de Direito saiu da casa dos pais, em Tibagi, para estudar em Ponta Grossa e passou a sentir na pele a dificuldade de conciliar as responsabilidades dom\u00e9sticas com estudos e trabalho. \u201cIsso me fez refletir sobre como essa sobrecarga \u00e9 normalizada e como milh\u00f5es de mulheres passam a vida cuidando de tudo e de todos, sem que seu trabalho seja valorizado&#8221;. Foi a partir dessa experi\u00eancia que surgiu a ideia para a pesquisa cient\u00edfica, sob a orienta\u00e7\u00e3o da professora Maria Cristina Rauch Baranoski.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Foram 223 respostas aos question\u00e1rios. Como conta Letycia, cada relato refor\u00e7ava a ideia de que o trabalho de cuidado \u00e9 essencial para a sociedade e, portanto, precisa ser reconhecido, mas ainda \u00e9 tratado como se fosse uma obriga\u00e7\u00e3o natural das mulheres. \u201cOs resultados mostraram o que j\u00e1 era evidente: a desigualdade de g\u00eanero se manifesta de forma gritante na divis\u00e3o do trabalho, e as mulheres continuam sendo as principais respons\u00e1veis pelo cuidado e pelas tarefas dom\u00e9sticas, mesmo quando trabalham fora&#8221;, apresenta. \u201cEssa sobrecarga afeta diretamente sua sa\u00fade mental, suas oportunidades de ascens\u00e3o profissional e sua qualidade de vida&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cSempre ouvi dizer que \u2018m\u00e3e que fica em casa n\u00e3o trabalha\u2019, e isso nunca fez sentido para mim. Minha m\u00e3e sempre trabalhou, apenas n\u00e3o recebe por isso. E essa \u00e9 a realidade de milh\u00f5es de mulheres\u201d, aponta a pesquisadora. A pesquisa revela a realidade de muitas mulheres que enfrentam a sobrecarga da dupla jornada: equilibrar responsabilidades profissionais com as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado. A maioria das entrevistadas relatou dificuldades em conciliar esses pap\u00e9is, com pouco tempo para respirar e, muitas vezes, sem tempo para cuidar da pr\u00f3pria sa\u00fade f\u00edsica e mental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO estudo de Letycia refor\u00e7a a urg\u00eancia de debater e implementar iniciativas que garantam a todas as mulheres acesso a oportunidades e apoio para alcan\u00e7ar seus objetivos&#8221;, destaca a professora Maria Cristina. \u201cA pesquisa deixa claro que o reconhecimento do trabalho feminino, especialmente o n\u00e3o remunerado, n\u00e3o pode mais ser ignorado. \u00c9 urgente que haja mudan\u00e7as reais, tanto dentro quanto fora da UEPG. As responsabilidades precisam ser divididas, e o sistema precisa enxergar as mulheres n\u00e3o apenas como aquelas que d\u00e3o conta de tudo, mas como aquelas que merecem ter escolhas, descanso e liberdade&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPara mim, essa pesquisa vai al\u00e9m do meio acad\u00eamico. Ela representa um ato de reconhecimento e justi\u00e7a&#8221;, enfatiza Letycia. Para a graduanda em Direito, olhar para a sobrecarga feminina sob a luz das pol\u00edticas p\u00fablicas pode trazer mudan\u00e7as concretas para quem sustenta a economia com o trabalho invis\u00edvel do cuidado dom\u00e9stico e familiar. \u201cPrecisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam principalmente direitos previdenci\u00e1rios a essas mulheres, de um sistema que valorize o trabalho dom\u00e9stico como algo essencial, e de uma mudan\u00e7a cultural que tire das mulheres essa responsabilidade exclusiva. Mulheres que passam a vida trabalhando dentro de casa n\u00e3o t\u00eam direito a aposentadoria, como se esse trabalho simplesmente n\u00e3o existisse&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hellen-kostiuresko.jpeg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-87954\" src=\"https:\/\/www.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hellen-kostiuresko.jpeg\" alt=\"\" width=\"474\" height=\"316\" \/><\/a><\/span>M\u00e3es, livres<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Quanto vale deixar os filhos em seguran\u00e7a e poder trabalhar? Para muitas mulheres, vale a liberdade. \u00c9 isso que uma pesquisa da mestranda em Direito pela UEPG Hellen Kostiuresko busca relacionar: o papel das vagas nos Centros Municipais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEIs) na promo\u00e7\u00e3o da emancipa\u00e7\u00e3o financeira de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica em Ponta Grossa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A advogada conta que a ideia do projeto surgiu de um artigo escrito para o Simp\u00f3sio Jur\u00eddico dos Campos Gerais, promovido pelo Centro Acad\u00eamico Carvalho Santos em parceria com o Setor de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas. \u201cDesde o in\u00edcio, eu sabia que exigiria sensibilidade, responsabilidade e um olhar atento para a realidade dessas mulheres e para a pol\u00edtica p\u00fablica dos CMEIs&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A depend\u00eancia econ\u00f4mica \u00e9 um dos principais fatores que mant\u00e9m mulheres presas em rela\u00e7\u00f5es abusivas. Segundo dados do Relat\u00f3rio Anual Socioecon\u00f4mico da Mulher (Raseam 2025), em 2023, foram registradas mais de 300 mil notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual e outras formas de viol\u00eancia contra mulheres, um aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o aos 216 mil casos de 2022. Esse aumento pode refletir tanto o crescimento real dos casos quanto uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de melhorias na coleta de dados. Segundo os dados da Central de Atendimento do Ligue 180 relativos \u00e0s mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, os agressores eram companheiros ou ex-companheiros em 67% dos registros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Na busca por compreender as rela\u00e7\u00f5es entre as pol\u00edticas p\u00fablicas de vagas na educa\u00e7\u00e3o infantil e a independ\u00eancia de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, Hellen aplicou question\u00e1rios a tr\u00eas p\u00fablicos: mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica assistidas pela Patrulha Maria da Penha, profissionais e servidores da pr\u00f3pria Patrulha e gestores e educadores dos CMEIs.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Foram coletados dados quantitativos, como a faixa et\u00e1ria das mulheres atendidas, o n\u00famero de vagas dispon\u00edveis nos CMEIs, o tamanho das filas de espera, o tempo m\u00e9dio de espera por uma vaga, o impacto do acesso \u00e0 creche na jornada de trabalho das mulheres e a ocupa\u00e7\u00e3o profissional dessas m\u00e3es; e relatos sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam e o papel que a possibilidade de deixar seus filhos em seguran\u00e7a tem em sua busca por autonomia e liberdade. \u201cTamb\u00e9m obtive informa\u00e7\u00f5es importantes atrav\u00e9s de documentos oficiais e planilhas fornecidas pela Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o e pela Patrulha Maria da Penha, o que permitiu cruzar dados e confirmar tend\u00eancias identificadas nas respostas das mulheres&#8221;, explica Hellen. \u201cEsse processo exigiu muita paci\u00eancia e responsabilidade, pois cada dado representava uma vida, uma hist\u00f3ria, uma luta e, claro, uma supera\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAs vagas nos CMEIs s\u00e3o fundamentais para a emancipa\u00e7\u00e3o financeira dessas mulheres, pois permitem que elas ingressem ou permane\u00e7am no mercado de trabalho, aumentem sua carga hor\u00e1ria profissional e, consequentemente, tenham maior autonomia econ\u00f4mica para se afastarem do ciclo de viol\u00eancia&#8221;, resume a pesquisadora. Ao mesmo tempo, a pesquisa apontou desafios significativos, como a insufici\u00eancia de vagas, a burocracia no processo de matr\u00edcula, a inexist\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas que priorizem mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia na fila dos CMEIs, e a aus\u00eancia de protocolos claros nas escolas para lidar com situa\u00e7\u00f5es em que as m\u00e3es s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAo finalizar essa pesquisa, tive a certeza de que pol\u00edticas p\u00fablicas bem estruturadas podem transformar vidas e romper ciclos hist\u00f3ricos de viol\u00eancia e depend\u00eancia&#8221;, conclui Hellen. \u201cEsse trabalho me fez enxergar o poder que a educa\u00e7\u00e3o infantil tem n\u00e3o s\u00f3 na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mas na reconstru\u00e7\u00e3o da vida de mulheres que buscam autonomia e dignidade&#8221;. Al\u00e9m de ampliar a oferta de vagas, \u00e9 preciso criar mecanismos legais para garantir atendimento priorit\u00e1rio a essas mulheres e fortalecer a rede de apoio, integrando educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica e assist\u00eancia social. \u201cLevo comigo o aprendizado de que cada vaga aberta em um CMEI pode ser o primeiro passo para a liberdade de uma mulher e para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro melhor para ela e seus filhos\u201d.<\/span><\/p>\n<blockquote><p>Texto: Aline Jasper | Fotos: Arquivo Pessoal | Foto de capa: Luciane Navarro<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulher, m\u00e3e e cidad\u00e3. Neste Dia das M\u00e3es, pesquisadoras do curso de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa abordam o trabalho invis\u00edvel de cuidado realizado majoritariamente por mulheres, que gera uma sobrecarga materna; e a rela\u00e7\u00e3o entre a disponibilidade de vagas na educa\u00e7\u00e3o infantil p\u00fablica e a independ\u00eancia de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia.\u00a0 O&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":836,"featured_media":4788,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[98,83,99,100,101,102,103,104,105,47,106,107,108],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4787"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/836"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4787"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4789,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4787\/revisions\/4789"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/propesp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}