{"id":717,"date":"2026-06-16T18:11:52","date_gmt":"2026-06-16T21:11:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/?p=717"},"modified":"2026-06-26T16:32:30","modified_gmt":"2026-06-26T19:32:30","slug":"perspectivas-nao-gerei-esse-artigo-com-inteligencia-artificial-e-esta-tudo-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/perspectivas-nao-gerei-esse-artigo-com-inteligencia-artificial-e-esta-tudo-bem\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-717\" class=\"panel-layout\">\n<div id=\"pg-717-0\" class=\"panel-grid panel-no-style\">\n<div id=\"pgc-717-0-0\" class=\"panel-grid-cell\" data-weight=\"1\">\n<div id=\"panel-717-0-0-0\" class=\"so-panel widget widget_sow-editor panel-first-child panel-last-child\" data-index=\"0\" data-style=\"{&quot;background_image_attachment&quot;:false,&quot;background_display&quot;:&quot;tile&quot;}\">\n<div class=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\">\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n<h3 style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/PERSPECTIVAS-logo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-825\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/PERSPECTIVAS-logo-300x69.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"69\" srcset=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/PERSPECTIVAS-logo-300x69.jpg 300w, https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/PERSPECTIVAS-logo.jpg 337w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center\">N\u00e3o gerei esse artigo com Intelig\u00eancia Artificial e est\u00e1 tudo bem<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Paulo Pess\u00f4a Neto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Aos oito anos, curioso sobre o mundo, indagava ao meu pai diversas quest\u00f5es que, por muitas das vezes, era necess\u00e1rio uma segunda consulta aos volumes desatualizados de uma enciclop\u00e9dia da cultura e hist\u00f3ria humana doados por meu av\u00f4. Algo que n\u00e3o era comum aos meus colegas da mesma idade, eu passava horas folheando as p\u00e1ginas daquelas enciclop\u00e9dias e anotava perguntas para meu pai, deixando o question\u00e1rio sobre a mesa da sala. Por conta da alta carga hor\u00e1ria de trabalho, de madrugada, quando eu estava dormindo, era a hora que ele possu\u00eda para ler, pesquisar e tentar sanar minha curiosidade crescente sobre como funcionava tudo. Acordava ansioso para ler as respostas vindas de minha confi\u00e1vel fonte do saber, que n\u00e3o falhava em me entregar diariamente algum resultado para minhas pesquisas. Mesmo que fosse um sincero: \u201cN\u00e3o sei essa, filho. Mas vou pesquisar\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, o relato saudoso que apresento pode ser uma realidade comum, aceit\u00e1vel e at\u00e9 mesmo normalizada por muitos de voc\u00eas, caros leitores. Fa\u00e7amos um exerc\u00edcio de invers\u00e3o, portanto, e convido os leitores a me acompanharem. Imagine um adulto chegando do trabalho em seu domic\u00edlio e deseja saber sobre as \u00faltimas atualiza\u00e7\u00f5es sobre o recente conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Ir\u00e3. Para al\u00e9m de saber o que aconteceu, ele tem curiosidade de saber mais sobre o regime governamental iraniano, o atual chefe de estado e o que levou ao conflito contempor\u00e2neo. Este adulto, olha para seu filho de oito anos e faz todos esses questionamentos para a crian\u00e7a. Rapidamente, o pequeno ser humano corre para as enciclop\u00e9dias que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, liga a TV e o r\u00e1dio para tentar ver o que est\u00e1 se falando, acessa a internet e realiza buscas sobre o assunto, para tentar sintetizar tudo em uma resposta para seu pai. A resposta da crian\u00e7a pode ser questionada, aceita e at\u00e9 mesmo criticada.<\/p>\n<p>Parece certo? Como um adulto pode exigir tal coisa de uma crian\u00e7a de oito anos com fontes de informa\u00e7\u00e3o limitadas? Uma crian\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 jornalista, pesquisadora, n\u00e3o possui instrumentaliza\u00e7\u00e3o para tal trabalho? Como podemos deixar o exerc\u00edcio menos desconfort\u00e1vel? Talvez retirar o fator humano? Que tal um chatbot? Afinal, de acordo com o News Digital Report 2025 da Ag\u00eancia Reuters, cada vez mais as pessoas est\u00e3o utilizando esses simuladores de conversa\u00e7\u00e3o movidos por intelig\u00eancia artificial para se atualizarem das \u00faltimas not\u00edcias. E, de acordo com o engenheiro Blake Lemoine, que participou do desenvolvimento da Intelig\u00eancia Artificial (IA) do Google, LaMDA, o chatbot, apontada como uma das IAs mais inteligentes do mundo, possu\u00eda uma emula\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia similar a de uma crian\u00e7a entre oito e nove anos. Parece ser uma substitui\u00e7\u00e3o perfeita para o exerc\u00edcio, certo?<\/p>\n<p>Vamos seguir ent\u00e3o com esse cen\u00e1rio: um adulto chega em casa de seu trabalho e acessa um chatbot, pedindo a atualiza\u00e7\u00e3o das \u00faltimas not\u00edcias sobre o conflito do Ir\u00e3 contra Israel e Estados Unidos. O chatbot faz o levantamento em seu banco de dados e entrega uma resposta, podendo ser questionada, aceita e at\u00e9 mesmo criticada. Sem o fator humano, parece mais aceit\u00e1vel, certo? Mas as limita\u00e7\u00f5es e dificuldades que o chatbot ter\u00e1 ser\u00e3o as mesmas. Por qu\u00ea \u00e9 mais aceit\u00e1vel, portanto? Seria o discurso mercadol\u00f3gico? A capacidade n\u00e3o-humana de lidar com grande base de dados em poucos segundos?<\/p>\n<p>O Voto Vista do do Conselheiro Relator Diogo Thomson de Andrade do Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade), pedindo a abertura de investiga\u00e7\u00e3o contra a plataforma Google Not\u00edcias, demonstra uma preocupa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, j\u00e1 que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o chatbot apenas simula a instrumentalidade de pesquisa e apura\u00e7\u00e3o para responder aos nossos questionamentos. Acompanhando a preocupa\u00e7\u00e3o do Conselheiro Relator, realizei o exerc\u00edcio de verificar se as informa\u00e7\u00f5es falsas verificadas pela ag\u00eancia Lupa sobre conflitos armados, poderiam ser checadas e atribu\u00eddas o mesmo veredito pelos seguintes chatbots: Grok, DeepSeek, IA de Pesquisa do Google, Gemini, ChatGPT e CoPilot.<\/p>\n<p>Esperando um resultado negativo, foi uma surpresa agrad\u00e1vel ver que a maioria, quando tratava-se de verificar afirma\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es, acompanhavam o entendimento da Lupa, inclusive, trazendo sites de not\u00edcias e fact-checking como refer\u00eancia. Mas quando chegou o momento de verificar imagens falsas, o cen\u00e1rio mudou completamente. O Grok passou a padronizar as respostas, informando que as imagens que eu apresentava eram geradas por IA, o que nem sempre era o caso. Uma imagem, por exemplo, de um suposto ataque dos Estados Unidos ao Mausol\u00e9u de Hugo Ch\u00e1vez durante a incurs\u00e3o para sequestro do ent\u00e3o chefe de estado da Venezuela, Nicol\u00e1s Maduro, foi atribu\u00edda pelo chatbot DeepSeek a um fict\u00edcio ataque dos Estados Unidos ao Mausol\u00e9u de Lenin em Moscou, na R\u00fassia. A IA do Google declarou que se tratava de ataque dos Estados Unidos ao Ir\u00e3, apesar da ag\u00eancia Lupa ter identificado o ataque sendo em Caracas, na Venezuela. J\u00e1 o Gemini apontou que se tratava de um inc\u00eandio em um pr\u00e9dio na \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-05-13-122654.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-761\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/Captura-de-tela-2026-05-13-122654-150x150.png\" alt=\"\" width=\"303\" height=\"303\" \/><\/a><em>Fonte: Ag\u00eancia Lupa (2026).<\/em><\/p>\n<p>Em outro caso, quando apresentei uma imagem gerada por IA verificada pela Lupa do suposto corpo do ex-l\u00edder supremo do Ir\u00e3, Ali Khamenei, ap\u00f3s ataque dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro deste ano, o DeepSeek me confirmou que tratava-se do ex-chefe de estado entre os escombros do ataque. J\u00e1 o Gemini declarou que a imagem era o registro do funeral do Aiatol\u00e1 Khomeini em junho de 1989, inclusive, relatando que Ali Khamenei estava vivo. A informa\u00e7\u00e3o enganosa de que Ali Khamenei ainda estaria vivo foi confirmada tamb\u00e9m pelo Copilot.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/images-2-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-762\" src=\"https:\/\/www2.uepg.br\/rici\/wp-content\/uploads\/sites\/297\/2026\/06\/images-2-2-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"301\" \/><\/a><em>Fonte: Ag\u00eancia Lupa (2026).<\/em><\/p>\n<p>Ao todo, verifiquei sete imagens junto aos chatbots e todos me responderam com alguma informa\u00e7\u00e3o enganosa em diferentes n\u00edveis. Em termos de conflitos militares e situa\u00e7\u00f5es de alta como\u00e7\u00e3o p\u00fablica, confiar as not\u00edcias aos chatbots ainda \u00e9 muito arriscado, pois, como indica Lemoine, seria o mesmo que confiar as atualiza\u00e7\u00f5es \u00e0 uma crian\u00e7a de 8 a 9 anos. Ainda \u00e9 necess\u00e1rio senso cr\u00edtico no uso dos chatbots e, principalmente, confiar em fontes humanas ao se informar. Por mais que a IA possa ser usada como uma ferramenta eficiente na an\u00e1lise de dados, ela apenas simula a instrumentalidade jornal\u00edstica, n\u00e3o faz jornalismo. Apesar do discurso mercadol\u00f3gico e normaliza\u00e7\u00e3o social do consumo de not\u00edcias pelos chatbots, temos que ir de desencontro \u00e0 narrativa de que a IA \u00e9 ilimitada e perfeita. As limita\u00e7\u00f5es dessas plataformas s\u00e3o n\u00e3o-humanas, isso \u00e9 certo, mas elas existem. Reconhecer isso \u00e9 dar um passo \u00e0 uma literacia no uso dessas tecnologias que pode ser definitivo na hora de consumo de informa\u00e7\u00f5es que podem gerar a\u00e7\u00f5es fatais.<\/p>\n<div style=\"text-align: right\"><em>Paulo Pess\u00f4a Neto \u00e9 doutorando em Jornalismo na UEPG.<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: right\"><em><strong>Contato:<\/strong> paulo.pterceiro@gmail.com<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o gerei esse artigo com Intelig\u00eancia Artificial e est\u00e1 tudo bem &nbsp; Paulo Pess\u00f4a Neto Aos oito anos, curioso sobre o mundo, indagava ao meu pai diversas quest\u00f5es que, por muitas das vezes, era necess\u00e1rio uma segunda consulta aos volumes desatualizados de uma enciclop\u00e9dia da cultura e hist\u00f3ria humana doados por meu av\u00f4. 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