17 de maio: a data que significa Resistir para Existir Comunidade LGBTQIAPN+ permanece em disputa pelos seus direitos

“Ninguém na sociedade tem o direito de nos ameaçar, de anular nossa essência, existência e identidade”, diz Elena Leone

Por Lucas Barbato

No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde teve um papel importante ao destacar que ser homossexual não é doença, tirando finalmente a homossexualidade da lista de transtornos mentais. Mas foi no ano de 2004, por iniciativa de uma campanha da IDAHO, lançada na França pelo acadêmico e ativista Louis Georges Tin com a finalidade de marcar a data como um dia de resistência, que se instituiu o Dia Internacional contra a Homofobia.

Em 2009, a transfobia foi adicionada às celebrações do 17 de maio. Em 2015, foi a vez de adicionar a bifobia. Foi a partir desses marcos, com vários protestos realizados em diferentes países, que diversos direitos foram sendo conquistados ao redor do mundo.

Em Curitiba, há um Centro de Documentação LGBTI+, do professor Dr. Luiz Mott, que abriga referências sobre o tema. Considerado um dos mais relevantes acervos sobre a comunidade do Brasil, foi inaugurado pelo grupo Dignidade em 14 de dezembro de 2007. Hoje, o acervo celebra 18 anos de funcionamento e representa toda a comunidade – lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, travestis, intersexo, bem como outras orientações sexuais e identidades de gênero não hegêmonicas ou dissidentes.

Segundo publicação do Ministério da Cultura (MinC), o CEDOC LGBTI+ é o primeiro centro de documentação da comunidade no Brasil. Com uma trajetória duradoura e constante, foi responsável ao longo de sua história pela realização de diversos projetos, com participação em eventos e realização de exposições.

Para Beto Schmitz, coordenador do Centro De Documentação LGBTI+ e diretor executivo de História, Memória e Patrimônio LGBT+ do Grupo Dignidade, “o acervo cumpre rigorosamente sua missão e papel, preservando, pesquisando, difundindo a história, memória e cultura da comunidade LGBTI+ de Curitiba, do Paraná, do Brasil e do mundo”. Ele também aborda a importância do dia 17 de maio para a comunidade: “a data marca  a despatologia da homossexualidade, posteriormente sendo celebrada como o Dia Internacional de enfrentamento à LGBTFOBIA”. O coordenador explica que o coletivo guarda diversos registros sobre o processo de atuação do movimento da comunidade brasileira que levou a essa conquista de lutas e enfrentamentos.

Lutas da comunidade LGBTQIAPN+ em Ponta Grossa

Em Ponta Grossa, existem organizações não governamentais onde a comunidade pode procurar apoio e fortalecer a luta, como a Associação Flor de Lis, a Rede Trans PG – Fernanda Riquelme e o Conselho Municipal dos Direitos LGBTI+.

O Conselho Municipal foi fundado em 2015. Para Thaís Boamorte, advogada, militante do movimento e presidente do Conselho, os principais desafios e dificuldades da comunidade em Ponta Grossa estão relacionados à questão de empregabilidade. “Por ser uma cidade conservadora, falta o respeito de que cada ser humano tem sua individualidade, orientação sexual e identidade de gênero nos espaços da sociedade”.

A Rede Trans PG, coletivo de pessoas trans, iniciou em 2023 como um meio de unir pessoas trans da Universidade Estadual de Ponta Grossa. No entanto, sua atuação se expande para a cidade, diante da necessidade de lutar por direitos dessa comunidade. Segundo dados do Disque 100 em Ponta Grossa, no ano de 2024 foram assassinadas 122 pessoas trans e travestis.

Para a professora de inglês Elena Leone Panek Freitas, que é mulher trans, é importante saber do significado do 17 de maio. “Ter principalmente a empatia de olhar para as pessoas da comunidade, para os nossos próximos que são trans, homossexuais, bissexuais, pansexuais, a comunidade como um todo e parabenizar, porque cada dia é um dia de resistir para existir na sociedade. A luta é constante”, destaca.

No Brasil, a violência contra a comunidade LGBTQIAPN+ é grave e persistente, mesmo com alguns avanços e conquistas. É o que analisa Marcia Rodrigues, presidente da Ong Flor de Lis, que desempenha um papel fundamental na promoção da igualdade e inclusão no município. “É essencial fortalecer a coleta de dados segmentados por identidade (G,L,B,T) para melhor direcionar políticas públicas e ações de enfrentamento contra a discriminação, preconceito, lesões corporais e homicídios”.

De acordo com o Atlas da Violência 2023, a população LGBTQIAPN+ é uma das mais vulneráveis à violência no país. LGBTFOBIA é crime, portanto, a  população pode procurar ajuda no Disque 100, que funciona gratuitamente 24 horas, para garantir seus direitos.



 

 

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