O mês é marcado por ações de conscientização sobre a saúde mental materna
Por: Bebel Costalonga
No final da tarde da última quinta-feira (15), aconteceu mais uma ação do Maio Furta-Cor em Ponta Grossa. A exibição do documentário “Babás” no auditório do Setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) contou com debate entre as convidadas e a comunidade, sob a mediação da professora Karina Janz Woitowicz. A professora Dra. Georgiane Vazquez, do Departamento de História da UEPG e coordenadora do PET História, dialogou com os participantes sobre aspectos históricos e atuais acerca da maternidade e as pressões sociais que impactam a vida das mulheres.
Edineia da Silva, integrante da Campanha Maio Furta-Cor em Ponta Grossa, compartilhou sua experiência com o maternar e as dores físicas e emocionais que enfrentou durante e após a gestação. “Eu ganhei a neném e não reconheci, ela não era do jeito que eu imaginava. Veio então todo um processo de não reconhecimento e depois de passar tudo que passei, fui internada no Hospital Regional para tratamento psiquiátrico”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 5 mulheres pode desenvolver transtornos mentais no período gestacional ou pós-parto. Foto: Bebel Costalonga
Ela revelou ainda que falar sobre esse tema é necessário, mostrando para as mães que é normal e que o problema pode ser tratado, o importante é a conscientização da sociedade. “Se tiver tratamento lá no início, quando a mãe engravida e acontecer todo um acompanhamento, elas não correm o risco de se fechar, o que pode deixar a situação mais grave”, completa Edineia, ao destacar a importância da campanha.
A professora Georgiane, que é mãe de dois filhos e estuda sobre a história das mulheres e a maternidade, começou sua palestra com a frase “a maternidade é avassaladora”, trazendo o debate sobre a brutalidade do modelo imposto pela sociedade para o maternar, tornando-se uma exclusividade das mulheres. Ela associou o documentário que aborda a história de diferentes babás ao longo do tempo com o processo do cuidar, que é intrínseco à vida das mulheres. Para a pesquisadora, o vídeo é uma denúncia sútil, sem acusação, do que acontece na “teia” entre babás e mães.

A campanha Maio Furta-Cor busca ampliar o debate sobre saúde mental materna, tema que afeta mulheres de diferentes classes e realidades sociais. Foto: Amanda Los
A relação entre sexo, raça e classe acentuou a discussão, lembrando que o cuidado muitas vezes se mistura com exploração e afeto. Vazquez completou dizendo que ter uma rede de apoio é fundamental. “Ser mãe é um amor gigantesco, mas ao mesmo tempo é um estresse constante, uma canseira, que exige física e mentalmente”. Ao término do debate, a professora refletiu sobre a vida após a maternidade: “volta a trabalhar quem tem carreira, quem tem emprego não”, destacando o quanto é difícil o processo da maternidade, pois ela envolve uma organização estrutural e até de dependência com outros para que a vida possa seguir em frente mesmo tendo um novo ser humano ao seu lado.
As ações do Maio Furta-Cor acontecem durante todo o mês, com programação de atividades em diferentes espaços da cidade. Para saber mais, acesse o instagram @maiofurtacor.pontagrossa.
