Atriz Carolina Damião encena sobrecarga das mães solo e promove identificação com o público

Foto: Kamille Vidal
Por: Guilherme Roza e Isabelly Costalonga
No último domingo (26), ocorreu a apresentação do espetáculo “Não me chame de mãe”, estrelado pela atriz Carolina Damião. A peça estava em cartaz no Cine-Teatro Ópera desde a última sexta-feira (24), com entrada gratuita e classificação indicativa de 18 anos. O último dia da encenação incluiu interpretação simultânea em Libras e um bate-papo mediado pela atriz, logo após a apresentação.
A performance mostra a vida da personagem Elisa, uma mulher que pausa sua carreira por conta da maternidade, mas que durante o processo se separa do pai da criança e fica sem condições de se manter financeiramente. A mãe solo, além de perceber o forte preconceito da sociedade com mulheres que estão na mesma situação que a sua, não consegue retornar ao mercado de trabalho e precisa recorrer à justiça para que a filha receba a pensão. Até que um dia, o genitor leva a criança para passear pela primeira vez e a mulher entra em um dilema interno ao perceber que esqueceu como é descansar e ter um tempo para ela mesma.
A peça traz à tona a realidade de inúmeras mulheres e, de uma forma cômica, deixa a reflexão sobre os avanços que a sociedade ainda precisa ter. Em cada parte da apresentação, Elisa traz elementos que caracterizam a sobrecarga que sofre ao ter que cuidar de tudo sozinha. O cenário utilizado conta com cores alegres, principalmente o laranja, que segundo a atriz é para representar o lugar que a personagem está tentando chegar, o da felicidade completa.

Elementos do cotidiano são utilizados para discussão de tarefas impostas às mulheres. Foto: Kamille Vidal
Carolina revelou ao público que o mais transformador foi o processo de ter voltado a trabalhar, pois além de ser a atriz do espetáculo, ela também coordena o projeto. “Eu precisei resolver rede de apoio, re-esquematizar a minha vida e organizar muito a agenda, a principal transformação que causou esse espetáculo foi esse movimento de trabalho”, afirma.
O espetáculo contou com a presença do público nas três noites. Sabrina de Menezes, uma das espectadoras, é mãe solo e conta que, assim como na peça, não foi fácil criar seu filho. “Foi violento, eu me quebrei inteira, foi tijolinho por tijolinho, mas o sorriso dele me deu força a cada dia”. Sabrina declara também que a busca pelo conhecimento foi fundamental nesse processo. “Fui vendo o universo como ele é, que eu tinha minha chance e que eu não queria parar de sonhar, hoje eu estou fazendo meu MBA, não fiquei parada no passado”, completa.

De acordo com dados recentes de 2025 e pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, o Brasil possui mais de 11 milhões de mães solo. Foto: Kamille Vidal
Finalizando a terceira apresentação em Ponta Grossa, o espetáculo percorreu os municípios de Curitiba e Cascavel, com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Além de Carolina assinando a produção, atuação e dramaturgia, a direção cênica e artística ficam a cargo de Luciana Navarro.
