Banco de Leite Humano da UEPG compõe rede de doação em Ponta Grossa

O processo inclui cadastro, coleta, armazenamento, análise e pasteurização antes do leite chegar aos bebês 

Por Isabelly Costalonga e Malu Dip

Agosto é o mês marcado pela campanha Agosto Dourado, que visa conscientizar e dar maior visibilidade ao aleitamento materno, (confira mais informações sobre a campanha aqui!). Porém, o trabalho realizado pelo Banco de Leite Humano do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) acontece o ano todo, ajudando mães que não possuem leite a amamentarem seus filhos com esse alimento que é recomendado pelo Ministério da Saúde (MS) e Organização Mundial de Saúde até os dois anos de vida do bebê. 

De acordo com a responsável técnica pelo banco de leite da Universidade, Cláudia Cancian, o processo de doação envolve um cadastro inicial que pode ser realizado de três formas, presencialmente, via Whatsapp pelo número (42) 3311-8527 ou pelo preenchimento da ficha de cadastro no site do Hospital  Universitário da UEPG (HU – UEPG). As instruções para a coleta são fornecidas no momento do cadastro pelos funcionários do Banco. 

As mulheres lactantes doadoras do Banco são chamadas de nutriz e para se tornar uma delas é preciso estar saudável e em qualquer período da lactação. As mulheres são consideradas inaptas à esta função em casos de uso de drogas ilícitas, soropositivas para o vírus Imunodeficiência Humana (HIV), realização de tatuagem ou recebimento de transfusão de sangue no último ano e uso de medicamentos contraindicados para a amamentação. Um outro requisito para se tornar uma “nutriz” é que a mãe deve primeiro amamentar seu próprio filho e retirar apenas o que sobrar do leite materno para doação, para evitar que prejudique a saúde da criança.

O processo de extração e armazenamento do leite pode ser feito pelas doadoras em casa, após o congelamento do material em frasco de vidro esterelizado com tampa plástica, ele pode ser entregue presencialmente ou através da coleta domiciliar, realizada semanalmente pela equipe técnica do Banco de Leite Humano. Cláudia explica que o leite passa ainda por mais um processo antes de ser consumido, “Todo o leite doado passa por análises e processo de pasteurização antes de ser oferecido aos bebês prematuros ou internados”.

Daiani Damázio é turismóloga e mãe de duas crianças, um menino de seis anos e uma menina de três anos de idade e relatou que seu processo de amamentação foi de livre demanda para os filhos, mas não foi fácil. “Na minha primeira vez sendo mãe, meu filho não tinha muita força para sugar o leite. Como a amamentação precisa de estímulo, ele começou a perder peso e já não sabíamos mais o que fazer porque eu amamentava de hora em hora e mesmo assim ele não engordava”, conta. Damázio diz também que como não tinha uma grande produção de leite, não conseguiu doar, porém destaca a essencialidade e importância da doação. “Infelizmente não consegui doar nada porque a quantidade de leite que eu produzia era apenas o essencial para o meu filho”.

Loriane Artuzo, por outro lado, conta que amamentou sua filha primogênita até os 2 anos e 4 meses, porém, o início do processo foi delicado. Mesmo com a bebê fazendo a pega correta e sem machucar seus seios, Loriane teve hiperlactação. Foi justamente nesse momento que a doação para o banco de leite apareceu como solução. “Depois que passei a doar meu leite, não tive mais mastite e, até ela completar um ano e meio, consegui ajudar o banco”, relata. 

De acordo com o MS, cerca de 330 mil crianças nascidas a cada ano no Brasil são prematuras ou têm baixo peso e precisam da doação de leite materno para sobreviver. 

 

Foto por Tierri Angeluci

 

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