Custos altos e preconceito estão entre as dificuldades
Por Ticyane Almeida
Você gosta de escrever livros? Tem vontade de publicar suas histórias? Para muitos escritores independentes, transformar um manuscrito em livro ainda é um caminho cheio de obstáculos. Além de escrever, o autor precisa lidar com revisão, edição, diagramação, capa, impressão, divulgação e vendas, muitas vezes sem o apoio de uma editora.
A dificuldade aumenta quando as obras abordam temas relacionados aos direitos humanos, como desigualdade, racismo, violência, preconceito e questões de gênero. Apesar da relevância social dessas histórias, grandes editoras também consideram o potencial comercial dos livros, o que pode dificultar a entrada de autores independentes no mercado.
Ao mesmo tempo, a autopublicação vem ganhando espaço. Em 29 de abril de 2026, o Clube de Autores registrou 426 livros publicados em apenas 24 horas, o maior número já registrado pela plataforma em um único dia. O resultado representa cerca de 18 lançamentos por hora, ou um novo livro publicado a cada 3 minutos e 21 segundos.
Esse modelo também modifica a relação financeira entre autor e mercado. Enquanto, nas editoras tradicionais, é comum que o escritor receba entre 8% e 12% do valor de capa, na autopublicação o autor pode definir quanto deseja receber por exemplar vendido no site. Nas vendas realizadas por plataformas parceiras, a remuneração é de 20% do valor das vendas. Para escritores que já possuem um público próprio, esse sistema pode representar uma alternativa para ampliar os ganhos com a obra.
Mesmo com essas possibilidades, publicar de forma independente significa assumir responsabilidades que normalmente seriam divididas entre diferentes profissionais. Michelle Graf conta que escolheu esse caminho “primeiro pela falta de recursos, pois as editoras não eram tão acessíveis”. Segundo ela, as editoras tradicionais são muito disputadas, principalmente aquelas que assumem os custos de publicação.

Foto: Bárbara Vaz
Para Karol Santos, os valores também estão entre as principais dificuldades. Ela destaca o risco de investir dinheiro e o livro não alcançar o reconhecimento esperado. Entre os gastos estão revisão, diagramação e capa. Karol conta que precisou aprender a fazer a diagramação sozinha, considerando essa uma das etapas mais complicadas.
A divulgação é outro desafio. Sem uma equipe de marketing, os próprios autores precisam encontrar maneiras de chegar aos leitores. As redes sociais se tornaram uma das principais ferramentas. Michelle afirma que “lá estão os leitores na maior parte do tempo”, enquanto Karol considera as redes fundamentais para manter a proximidade com o público.
Além dos custos e da divulgação, existe ainda o preconceito. “Livros independentes caem em um patamar de ‘menor qualidade’ apenas pelo status de publicação independente”. Karol também observa que alguns acreditam que autores independentes estão apenas “brincando” de escrever.
Apesar das dificuldades, a publicação independente oferece maior autonomia aos escritores e permite que histórias que talvez não encontrassem espaço nas editoras tradicionais cheguem aos leitores. Para autores que abordam direitos humanos, essa possibilidade também significa utilizar a literatura para provocar reflexão e dar visibilidade a diferentes experiências e perspectivas.
Publicar de forma independente, portanto, é enfrentar custos, preconceitos e dificuldades para conquistar leitores, mas também é uma maneira de transformar uma história em realidade sem depender exclusivamente das decisões do mercado editorial.
