Darcy Marochi contou a história do Centro de Direitos Humanos de Ponta Grossa, fundado para combater as repressões na Ditadura Militar
Por: Ana Luísa Runho e Maria Eduarda Almeida
Na quarta-feira (08), o fundador do Centro de Direitos Humanos (CDH – PG), Darcy Marochi, concedeu uma entrevista coletiva sobre a história da associação. Participaram também da ação a historiadora Verônica Schneider, que orientou a entrevista encaminhando as perguntas, e Ângela Ferreira, professora no curso de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), como mediadora. A entrevista fez parte do VII Ciclo Descomemorar Golpes, organizado pelo Combate à Desinformação nos Campos Gerais, projeto de extensão do curso de Jornalismo, em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJor).
Os Centros de Direitos Humanos são instituições que foram fundamentais durante os regimes ditatoriais do Brasil e de outros países que enfrentaram ditaduras. Um CDH atua na proteção de pessoas perseguidas pela repressão, que eram submetidas a tortura, violência e tinham seus direitos violados de todas as formas. Em Ponta Grossa, esse movimento foi intenso, e a UEPG foi um importante ambiente de luta contra o autoritarismo do Regime Militar, que se estendeu de 1964 até 1985 no Brasil. O CDH – PG trabalhava em conjunto com a Pastoral Universitária da UEPG, que agrupava docentes e estudantes em um espaço que integrava os estudos de teologia com ações sociais. A Pastoral foi, nos anos de ditadura, um importante espaço de resistência, onde eram mesclados os estudos teológicos e sociais.
O CDH – PG atuou diretamente com a população da cidade, encorajando a comunidade a resistir às repressões e buscar seus direitos. “Não basta lutar pelos direitos humanos; é preciso organizar a população para que ela seja um agente, não um mero espectador”, destacou Darcy durante a entrevista. O fundador explicou que o centro lidava com casos de violência policial, situações de escavidão, reivindicação de terras e quaisquer violações de direitos humanos, e criou o Serviço de Informação Nacional que era utilizado para denunciar estes crimes. “Com o AI-5, em 1968, o direito de habeas corpus foi extinto. As pessoas eram presas e não tinham a quem recorrer. Os Centros de Defesa dos Direitos Humanos tinham a capilaridade de serem vinculados à Igreja e a organismos internacionais, e por isso tinham a possibilidade de denunciar o que estava acontecendo no nosso país”, ressaltou Ângela Ribeiro Ferreira.
O Centro de Direitos Humanos de Ponta Grossa nunca teve um encerramento formal, porém cessou suas atividades gradualmente conforme a cidade entrava em um cenário mais democrático. A população começou a se organizar em associações como os sindicatos trabalhistas, e se posicionar mais a respeito de seus direitos. Darcy contou que o CDH deixou de ser tão necessário para a comunidade, e seus membros diminuíram até que a instituição findou seu trabalho completamente.
A mediadora concluiu a entrevista evidenciando que o Jornalismo tem muito a explorar sobre a ditadura atualmente, principalmente após a digitalização feita pela Comissão Nacional da Verdade, com uma vastidão de documentos que foram ocultados na época. Ela destacou que a omissão de dados durante o período ditatorial prejudica profundamente o estudo da história de Ponta Grossa, pois é percebida uma lacuna nos registros que só será preenchida com a recuperação de mais arquivos.
O Ciclo Descomemorar Golpes acontece entre os dias 06 e 13 de abril de 2026, e reúne a comunidade acadêmica em ambos os campi da UEPG. A programação inclui palestras, oficinas, exposições, lançamentos editoriais, entre outros. As atividades são voltadas à importância da informação e conscientização a respeito da história dos golpes e ditaduras ao redor do mundo.
