Palestra do VII Ciclo Descomemorar Golpes aborda repressão, vigilância e a resistência do movimento estudantil nas instituições paranaenses
Por Ticyane Almeida
Na manhã desta quinta-feira (9), foi realizada mais uma atividade da semana do VII Ciclo Descomemorar Golpes. A palestra teve como tema “Ditadura Militar nas Universidades Públicas Paranaenses’’ e contou com a participação da representante da Comissão da Verdade, Silvia Calciolari, e do professor de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Reginaldo Dias, que integraram a mesa de debate.
Durante a discussão, Reginaldo Dias destacou que, em 1969, em pleno período da ditadura militar, foram criadas três importantes universidades no Paraná: a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL). O professor conta que essas instituições surgiram a partir das diretrizes da Reforma Universitária de 1968.
Esse processo ocorreu em um dos momentos mais repressivos do regime, conhecido como “Anos de Chumbo’’, marcado pela vigência do Ato Institucional n º 5 (AI-5). No contexto universitário, a repressão também se fez presente por meio de legislações como a Lei 407, que restringia a participação política dentro das instituições.
De acordo com o professor, essas medidas impediram, por exemplo, a escolha democrática de reitores pelos estudantes e limitavam a atuação de professores, que deveriam seguir as diretrizes impostas. Aqueles que se posicionassem contra o regime poderiam sofrer punições, como multas e até perda do emprego.
Nas universidade, durante o período da ditadura militar, funcionava um sistema de vigilância ligado ao Serviço Nacional de Informações (SNI). Cada instituição possuía uma assessoria interna responsável por coletar e registrar informações sobre estudantes, professores e funcionários. Segundo o professor, esse sistema “fichava as pessoas’’, ou seja, criava documentos individuais que podiam ser consultados no futuro. Em situações como concursos públicos ou processos seletivos, essas fichas eram utilizadas para a elaboração de relatórios sobre as pessoas, influenciando diretamente na avaliação e nas oportunidades dos envolvidos.
Silvia Calciolari destacou a trajetória de Antônio João Manfio, personagem importante do movimento estudantil em 1968. Naquele período, ele foi eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC Paraná. Em maio daquele ano, participou da ocupação da reitoria um ato que se posicionava contra o ensino pago e contra o Suplicy-Lacerda.
Segundo Silvia, no entanto, o episódio não deve ser visto apenas como a tomada da reitoria em si, mas principalmente pelo seu significado. Ela disse que “foi um ato simbólico que enfrentou a repressão’’ e se tornou um marco na resistência estudantil. O movimento defendia o ensino gratuito, a democracia e uma universidade mais livre, pautas que, ainda hoje, seguem presentes nas mobilizações e debates dentro das universidades públicas.
