Famílias formadas pela adoção se reúnem em piquenique no Parque Monteiro Lobato

Segunda edição do evento tem como objetivo promover a conscientização da comunidade sobre a adoção

 

Por Lucas Barbato e Maria Eduarda Almeida

No último domingo (31), cerca de 10 famílias se reuniram no Parque Monteiro Lobato, no bairro Jardim Carvalho, para a segunda edição do piquenique “Famílias formadas pela adoção”. O evento foi promovido pelo Núcleo de Apoio Especializado (NAE) e pelo Grupo de Apoio à Adoção Necessária (GAAN), que fazem parte da Vara Da Infância e Juventude (VIJ). Esses grupos auxiliam no processo de adoção e na formação de novas famílias, desde bebês até adolescentes em situações de acolhimento institucional, como abrigos. O encontro é realizado em comemoração ao Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio.

Segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça, 3.140 crianças e adolescentes foram adotados em 2025. O piquenique “Famílias formadas pela adoção” surgiu em 2025, em Ponta Grossa, com o objetivo de reunir famílias que fizeram todo o processo de adoção, em celebração à data. A 2ª edição do piquenique estava prevista para o dia 25 de maio, porém, foi cancelada por conta da chuva e reagendada para o domingo seguinte (31).

O evento reuniu um número menor de famílias devido a compromissos de última hora no final de semana. Mesmo assim, o reconhecimento foi alto: boa parte das pessoas que adotaram recentemente estavam presentes na segunda edição, sinalizando contato e conexão com a Vara Da Infância, mesmo no período de pós-adoção. 

A Lei N°10.447, de 09 de maio de 2002, institui o Dia Nacional da Adoção a ser comemorado anualmente dia 25 de maio e a Semana Nacional de Adoção na semana que antecede a data. Para a assistente social do Tribunal de Justiça, Jucelaine Sequinel, a continuação do contato com as famílias após a adoção é essencial. “Há 14 anos acompanho famílias na Vara Da Infância e o que mais fortalece o processo é ver o vínculo sendo construído na prática por meio de ações”. Ela relata que, depois da pós-adoção, as famílias continuam mandando fotos, contam as conquistas, mostram que a criança chegou, se adaptou e ficou. “Esse retorno é o que confirma que a família se formou de verdade”, ressalta Jucelaine.

Experiências de adoção

Roseli, Anderson e Guilherme Borsuk. Foto: Maria Eduarda Almeida.

 

Roseli e Anderson relembram que esperaram quase cinco anos na fila da adoção até receberem a ligação que mudaria sua vida. “Eu lembro que nós estávamos no mercado. Foi uma loucura, nós voltamos correndo. Chegou o nosso dia’”, relata. O casal adotou Guilherme com apenas 14 dias, durante a pandemia. “No meu coração, eu queria um bebezinho. E realmente ele veio um bebezinho”, conta. Ao ver a primeira foto da criança, a emoção tomou conta da família. Hoje, Roseli afirma que pretende contar ao filho sobre a adoção no momento adequado. “É um direito dele saber. Então nós vamos falar, mas ainda não”.

Carlos, Priscila e Tainá Horn. Foto: Maria Eduarda Almeida.

Carlos e Priscila estão prestes a completar um ano como pais de Tainá, hoje com 13 anos. O casal conta que sempre desejou adotar uma criança mais velha e, por isso, permaneceu apenas quatro meses na fila de adoção. “A gente sempre imaginava uma criança entre oito e doze anos. Não imaginávamos um bebê.” A confirmação veio após uma videochamada com a equipe responsável pelo processo. “Quando mostraram a foto da Tainá, a gente falou: ‘é essa’. Foi amor à primeira vista”. Após conhecê-la em Cascavel, a adaptação aconteceu de forma rápida e natural. “Ela também queria muito uma família, então deu super certo. A adaptação foi super leve. Parece que ela está conosco há anos”, revela.

Ingrid, Henrique e os filhos Hillary e Miguel Danilenko. Foto: Maria Eduarda Almeida.

Henrique e Ingrid estão há seis meses com Hillary, de cinco anos, e Miguel, de três. Segundo a mãe, o período de aproximação foi a etapa mais difícil do processo. “Levou em torno de um mês. A gente vinha, via eles no final de semana e depois não via mais. Foi um pouquinho doloroso, mas necessário para todos se adaptarem.” Apesar do nervosismo inicial, a adaptação aconteceu de forma natural. “Depois foi tranquilo, como se eles estivessem sempre com a gente.” Ela conta que as crianças se integraram bem à nova rotina e destaca o apoio psicológico e familiar recebido durante o processo. “Tivemos bastante apoio e tem sido uma experiência incrível. A adoção sempre esteve presente na nossa família, então não foi difícil para eles aceitarem.”

 

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