Influências socioculturais e exposição excessiva a internet contribuem para a normalização de comportamentos de risco e distorção da autoimagem
Por Bruna Sluzala
De acordo com o Instituto Locomotiva, 62% dos brasileiros conhecem alguém que já usou ou utiliza canetas emagrecedoras. Ozempic e Mounjaro, usadas no tratamento para diabetes mellitus tipo 2, são as mais presentes no cotidiano. Além dos impactos diretos à saúde, há efeitos sociais. O desaparecimento do movimento do Body Positive é um deles.
O que é o movimento Body Positive?
O Body Positive é uma corrente que difunde a ideia da liberdade corporal e foi popularizado no Brasil na década de 2010. A queda das normas estéticas, a valorização do biotipo e a função do corpo saudável sob as normas corporais, são colocados em pauta no ativismo. Contudo, o esvaziamento de pautas ocasionado pelo marketing e a predominância de padrões brancos e héteros cisnormativos dentro do movimento, faz com que ele também seja suscetível a críticas, como mostra uma publicação realizada pela National Library of Medicine (NLM).
A pressão fisionômica na sociedade
O público mais afetado é o feminino. Desde a Idade Antiga até a Contemporânea, os padrões estéticos surgem como uma das formas de controle social sobre as mulheres. Práticas como o “pé de chinesa”, que consiste na dilaceração dos dedos do pé, cosméticos à base de chumbo e o uso do espartilho, são exemplos de comportamentos invasivos e nocivos que foram impostos na rotina do bem-estar e da qualidade de vida feminina.
A piora na saúde psicológica e a percepção corporal distorcida são consequências desses impactos. Outro estudo da NLM mostra que, dos 16 países analisados, 22% das crianças e adolescentes demonstraram algum tipo de transtorno alimentar, além de que meninas possuem mais probabilidade de desenvolver.
Para a psicóloga de análise clínica, Heloisa Szeremeta da Cruz, os fatores que contribuem para essas estatísticas são socioculturais e as fazem serem expostas a padrões rígidos desde cedo.
“Para muitas meninas, a aparência acaba se tornando um dos principais “critérios” de valor pessoal. Então, a forma como elas percebem o próprio corpo passa a influenciar diretamente a autoestima. Se essa percepção é negativa, pode surgir uma tentativa de controlar o corpo como forma de alcançar aceitação, pertencimento ou sensação de controle”, explica.
A psicóloga também expõe que a internet é uma ferramenta que ajudou a intensificar a comparação social. “Redes sociais frequentemente mostram corpos idealizados e irreais, o que reforça a insatisfação corporal. Além disso, algoritmos podem expor o jovem repetidamente a conteúdos sobre dietas restritivas e padrões extremos”.
