Sobre Vivências Travestis: documentário que aborda a luta travesti é exibido em evento do curso de Jornalismo

Em oficina realizada na UEPG, acadêmicos assistiram ao documentário sobre 

experiências de mulheres transexuais em Ponta Grossa

Por Guilherme Roza

Na última quarta-feira (10), foi exibido o documentário Sobre Vivências Travestis em uma oficina, ministrada pela professora Karina Janz Woitowicz, na programação da vigésima edição da Semana de Integração e Resistência (SAINTRE), evento organizado pelo Centro Acadêmico João do Rio (CAJOR) do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O documentário, produzido pelo projeto Elos em parceria com a ONG Renascer, entre 2019 e 2020, apresenta relatos das travestis Debora Lee e Fernanda Riquelme, que compartilham suas histórias de resistência e os desafios enfrentados ao longo de suas vidas. Temas como preconceito, violência e abuso são abordados durante a produção audiovisual que foi exibida aos acadêmicos do curso.

A oficina contou com 14 acadêmicos, que puderam debater no final da exibição sobre o documentário. Foto: Athon Gallera

Dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), revelam que a expectativa de vida de travestis e mulheres transexuais no Brasil é de 35 anos, número que reflete a repressão sofrida, algo que foi pautado pelas entrevistadas. Ambas evidenciam dificuldades pessoais e de outras mulheres transgênero de seus círculos sociais que tiveram seus direitos, como o de estudar e o de viver, violados. 

Outro aspecto pautado foi a experiência, tanto de Debora quanto de Fernanda, no período da epidemia de HIV e Aids, que gerou estigmas à população transgênero e homoafetiva, associando erroneamente a infecção a determinados grupos sociais. Esse processo de marginalização não só dificultou o acesso dessas comunidades à saúde básica e à prevenção, mas também construiu barreiras sociais que existem até hoje. 

Após a exibição, Karina, que participou na elaboração do roteiro e entrevistas, relatou emocionada como foi o processo de produção, compartilhando sobre o cuidado adotado ao falar com Debora e Fernanda sobre tópicos delicados, além disso, expressou sua percepção à respeito dos direitos de pessoas transexuais nos dias atuais. 

“Temos dois movimentos que são contraditórios. De um lado, é inegável que houve a conquista de alguns direitos, como a questão do nome social, que hoje em dia, está mais disseminado. Outro aspecto que está caminhando é em relação ao reconhecimento de crimes contra a comunidade LGBTQIAPN+. Agora, o que continua acontecendo são as questões de intolerâncias, e isso me assusta porque imaginava que pessoas jovens seriam menos conservadoras, mas temos ondas, como em setores da política e religião, que negam a existência de pessoas que não estão dentro da sexualidade hegemônica”, refletiu. 

Além de participar do projeto Elos, Karina Woitowicz integra o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Foto: Rayssa Cardoso

Para a acadêmica de Jornalismo, Maria Thereza Mello, o documentário é de extrema importância. “Ele registra um pedaço da história da comunidade LGBTQIAPN+, o lado das transexuais, que são deusas inspiradoras. Trazê-lo no meio acadêmico permite que os mais novos vejam quem são os mais velhos, para que haja respeito entre as gerações”, comenta.

A produção conta com mais de 430 mil visualizações no canal do YouTube do projeto, refletindo o interesse do público em torno de um assunto que enfrentava invisibilidade midiática, lacuna que o Elos teve o intuito de preencher. Assista ao documentário completo aqui e acompanhe tudo o que foi realizado na programação da Semana de Integração e Resistência.

 

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