Mostra Especial do 50° Fenata leva peças a 60 instituições de Ponta Grossa

Mostra Especial do 50° Fenata leva peças a 60 instituições de Ponta Grossa

O olhar encantado da criança com o palhaço ou a fada; o agradecimento empolgado do detento que teve alguns minutos de descontração; a risada meiga da pessoa com deficiência; o assombro do aluno da área rural no primeiro contato com o teatro. Essas são memórias que ficam da Mostra Especial do 50° Festival Nacional de Teatro (Fenata), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que levou apresentações a 60 instituições. Entre 8 e 11 de novembro, a Mostra passou por colégios, casas de repouso, instituições de apoio a pessoas com deficiência, Penitenciária, Sesc Estação Saudade e outras localidades espalhadas por bairros e distritos do município.

Quatro grupos participaram da Mostra Especial, vindos de diferentes cidades do Brasil. Ao final das apresentações, os atores puderam conversar com o público, explicar o processo criativo por trás das obras, responder perguntas e trocar experiências.

Para Rafaela Prestes, atriz e coordenadora da Mostra Especial, esta parte da programação do Fenata é o “momento mais mágico do festival” pela possibilidade de levar as peças a vários locais da cidade. “Nesta edição, chegamos a lugares onde as pessoas, principalmente as crianças, não teriam acesso ao teatro se não fosse dessa forma”.

Em sua primeira participação no Fenata, o Grupo Jurubebas de Teatro veio de Manaus (AM) apresentou a peça “Tucumã e Buriti: as brocadas do Tarumã”, que reúne elementos típicos da cultura, da música e do folclore amazônico para contar a história de duas irmãs, ligadas pelo cordão umbilical, com sonhos distintos, em meio à luta pela sobrevivência. Com direção de Jean Palladino, as duas irmãs Tucumã e Buriti são interpretadas pelas atrizes Nick Queiroz e Emily Danali, respectivamente. Acompanhando as atrizes, Leandro Paz realizou a sonoplastia em cena, utilizando instrumentos musicais indígenas.

O roteiro é inspirado na experiência vivida pelo grupo na comunidade ribeirinha de Julião, cujos problemas sociais foram denunciados na peça. “É muito bom trazer esses temas, sobretudo nas escolas, para que estabelecer uma relação de troca de conhecimentos com o público”, comenta o produtor da peça, Felipe Jatobá. Ele descreve como “incrível” a experiência de participar do Fenata, que foi descoberto pelo grupo em outros festivais Brasil afora.

Após participação na Mostra Adulto, em 2021, a peça Fada Maria, do Grupo Lampejo – Ponta Grossa, traz uma forte mensagem ambiental, interpretada pela atriz Ana Almeida e pelos seres fantásticos que ela encontra pelo caminho, vividos por Levi Hilgenberge.

A atriz comenta que, pelo roteiro ser adaptável e funcional com todos os públicos, a receptividade é sempre muito boa, sobretudo entre o público infantil. “Qualquer coisa que você apresenta a uma criança tem um peso muito grande, ainda mais quando ela vê um espetáculo pela primeira vez. Isso faz a peça ser tão didática”, explica.

Fábio Bacila levou sua filha para assistir à Fada Maria e ficou satisfeito: “é difícil encontrar obras como esta, compatíveis eticamente com o que tento ensinar em casa”.

Nas outras peças que compuseram a Mostra Especial, o que dominou foi a palhaçaria. Eu, Migo e meu Umbigo, criado e dirigido por João Paulo Pires e Daniel Meirelles, do Bando Pero no Mucho (Santos-SP), traz um palhaço e sua mala de recordações. A história fala sobre solidão, individualismo e a busca pelo amor. A peça foi concebida há 11 anos, pelo ator, que atua desde os 16 anos de idade.

Esta é a segunda edição do Fenata que Meirelles participa. Segundo ele, o público do evento sempre é muito receptivo e demonstra as carências que a arte supre em cada indivíduo. Quem confirma esta questão é a pedagoga Luana Souza, do Centro de Integração Empresa-Escola, instituição: “como trabalhamos com adolescentes que, em sua maioria, se encontram em situação de vulnerabilidade social, é importante levar a eles acesso à cultura. O contato deles com a arte permite que resgatem sonhos, causando um impacto muito forte na vida deles”.

Todos os grupos que participaram da Mostra Especial relataram terem sido muito bem acolhidos pelo público. O ator Mateus Tropo, que dá vida ao palhaço Tropo Opo na peça “O Gari”, comenta que este momento é importante para que o público traga assuntos que não poderiam ser abordados em outros momentos. “Através da palhaçaria, eu consigo despertar um lado mais afetuoso nas crianças e adolescentes, que estão numa fase da vida que envolve muita insegurança”, comenta o ator sobre a importância do teatro no ambiente escolar.

“O Gari”, dirigido por Tropo e Ricardo Puccetti, do grupo curitibano Circo Rodado, aborda questões sociais e ambientais através do humor do personagem ao limpar as ruas com seus equipamentos inusitados.

Texto: Gabriel Miguel | Fotos: Aline Jasper, Gabriel Miguel, Jéssica Natal

 

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