Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

 

 

Quando a nostalgia vira produto 

 

 A nostalgia é um fator que faz com que muitos filmes sejam lembrados e até reexibidos nos cinemas como forma de produto. O sentimento, ligado às memórias afetivas do público, é usado pela indústria para garantir audiência.

Em 2021, pesquisa feita pela Rolling Stone com psicólogos e historiadores mostrou como os estúdios recorrem a filmes já conhecidos para atrair espectadores. A falta de novas ideias também se torna um problema.

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Imagem: Reprodução

Franquias como Star Wars, O Senhor dos Anéis e Harry Potter estão entre os exemplos mais conhecidos. A última reexibição de Harry Potter levou mais de 500 mil pessoas aos cinemas brasileiros em 2024, resultado que contribuiu para a decisão da Warner Bros a passar os filmes em agosto e setembro deste ano.

 Apesar de criar uma relação afetiva com o público, o uso excessivo da nostalgia pode limitar o espaço para novas histórias. Produções originais precisam disputar sessões e atenção com franquias de grandes nomes já consolidadas. O problema não está na nostalgia, mas quando ela substitui a criação de novas experiências.

Por: Leonardo Alexandre

Exposto, até demais

O Cine-teatro Ópera reabriu as portas com um espaço reservado para exposições. A antessala de acesso ao palco B pode ser utilizada por artistas para expor seus trabalhos e obras. No entanto, o espaço expositivo parece ser improvisado e não pensado para essas atividades.

Apesar de ser uma integração positiva para as atividades do teatro, o espaço parece pouco preparado para receber exposições. A antessala é um local de passagem para acessar o palco B e não foi pensada para guardar obras. A luz não é direcionada para os quadros e, em dias de lotação, existe o descuido com a possibilidade dos visitantes encostarem e até mesmo derrubarem o que está sendo exposto.

Cine Teatro Ópera, no Centro de Ponta Grossa

Foto: Arquivo

A primeira exposição a passar pelo cine-teatro após a reabertura foi “Rodolfo Vicari Justamand”, uma curadoria de fotos que esteve aberta a visitação entre os dias dois e 30 de setembro.  Foram 18 quadros que comporam a exibição nas paredes da antessala. Até o período de produção desta crítica, não foram divulgadas as próximas exposições a serem exibidas no espaço.

A ideia de integrar exposições a experiência de quem visita o teatro pode ter um papel importante de enriquecimento cultural. Porém, quando feita de maneira improvisada, desvaloriza o trabalho dos artistas e pode apresentar riscos às obras expostas.

Por: Amanda Los

O silêncio que ainda incomoda 

Entre o peso de um clássico do cinema e a força do teatro ao vivo, “O Silêncio dos Inocentes” chega a Ponta Grossa com um desafio maior do que simplesmente contar uma história conhecida

Poucas histórias chegam ao palco carregando tanta memória quanto “O Silêncio dos Inocentes”. O romance de Thomas Harris, publicado em 1988, ganhou no cinema uma adaptação que entrou para a história, especialmente pela dupla formada por Jodie Foster e Anthony Hopkins. Agora, transformar esse universo em teatro significa enfrentar justamente aquilo que o cinema tinha de mais poderoso: o close, o corte, a música e a possibilidade de controlar exatamente para onde o público olha.

E é aí que está o interesse desta montagem. No teatro, Hannibal Lecter não está protegido pela tela. Ele está diante da plateia. O silêncio deixa de ser apenas recurso narrativo e passa a ser presença física. A tensão depende do ator, da luz, da distância e, principalmente, da imaginação de quem assiste.

Foto: Reprodução

A adaptação contemporânea também procura ampliar a dimensão de Clarice Starling e das personagens femininas, colocando em primeiro plano o machismo que atravessa a trajetória da agente do FBI.

O risco, claro, é enorme: quando uma obra já tem uma versão cinematográfica tão definitiva, qualquer reprodução pode parecer apenas uma cópia. A aposta precisa estar justamente no contrário. Se funcionar, Ponta Grossa não receberá apenas um suspense conhecido, mas uma experiência em que o público terá de encarar o monstro sem a distância confortável da tela.

Por: Maria Gallinea

 

Tendência que vende atitude e não qualidade

A blusa arrastão tem história. Nos anos 1970 e 1980, ela foi apropriada pelo movimento punk, pelo rock e pela cena LGBTQIAPN+ como símbolo de rebeldia e liberdade corporal. Hoje, ela volta e se consolida como tendência entre o público gay, principalmente em baladas, Carnaval e paradas LGBT+. Nas lojas de fast fashion, o preço médio varia de R$ 55 a R$ 60. É uma tendência em alta, mas que vende mais atitude do que qualidade.

Crédito- divulgação loja Lannyzinha Salvador

 

O ponto mais sensível é o estereótipo que ela passa. A ideia de que só corpos dentro do padrão conseguem sustentar a peça e ficar esteticamente bem. Isso acaba excluindo pessoas que gostariam de usar. Mesmo assim, corpos fora do padrão se empoderam da peça. Se você procura uma roupa durável para usar por anos, não vale o investimento. O material é 100% poliéster, rasga com facilidade, desfia e tem transparência total, o que limita o uso.

Por: Lucas Barbato

 

Afetividade na primeira garfada

Na Maria Boleira, em Ponta Grossa, a receita marta rocha ganhou um espaço especial. O estabelecimento criado em 2017, trabalha exclusivamente com a tradicional torta, considerada patrimônio imaterial do Paraná e desde fevereiro deste ano. A Martha Rocha foi criada em 1954, em Curitiba, como homenagem à baiana Maria Martha Hacker Rocha, eleita Miss Brasil naquele ano e vice no Miss Universo.

São oito camadas que combinam massas, cremes, frutas e o crocante de nozes, criando uma sobremesa generosa e não tão doce. A ideia de se dedicar à Martha Rocha surgiu a partir da memória afetiva da confeiteira com seu bolo de aniversário de 15 anos. Foram dois anos até começar a produzir apenas ele, sua primeira produção demorou oito horas, para conseguir deixar perfeito.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Foto: Reprodução da loja.

Valéria Mazzottini produz sua versão da tradicional torta artesanalmente, sem substituições como chantilly no lugar da nata ou amendoim no lugar das nozes, preservando as características originais. Mais do que uma sobremesa, a afetividade mostra o porquê um clássico ainda encontra espaço nas mesas e vitrines.

Por: Marina Ranzani

 

 

Um dia na Avenida Munchen

A Avenida Munchen destaca-se pelo grande número de estabelecimentos que a transformam em um dos principais pontos da vida noturna da cidade. Localizada próxima da UEPG Centro, a avenida faz parte de um trecho da Rua Bonifácio Vilela.

Durante o dia, o destaque fica por conta dos restaurantes e lanchonetes, ideais para quem precisa almoçar ou lanchar nas redondezas. A região também conta outros estabelecimentos que atendem a diferentes gostos ao longo do dia. À noite, os bares, baladas e casas noturnas assumem o protagonismo, oferecendo opções para todos os estilos e bolsos do sertanejo ao funk, passando pelos clássicos em vinil.

🌦️ Choveu de manhã, mas agora o sol abriu e a Avenida Munchen tá desse jeito: céu azul e rua molhada. Quem mais curte esse clima depois da chuva?

Foto: Reprodução Facebook

Apesar da diversidade e do movimento, a principal crítica recai sobre a segurança do local. A avenida possui um histórico de ocorrências, incluindo brigas, agressões e acidentes registrados na região. No final de semana que antecedeu o feriado de 7 de Setembro, por exemplo, duas ocorrências foram registradas, na qual uma mulher foi atacada por outras cinco em um estabelecimento e ficou gravemente ferida. O outro acidente envolveu um motoboy que foi atendido e passou por cirurgia.

Por: Maria Fernanda Sperafico

Agora eles dançam conforme o funk

Durante anos, setores da direita brasileira associaram o funk à violência, vulgaridade e ameaça aos “bons costumes”. Essa visão ganhou destaque ao aparecer no debate legislativo com o Projeto de Lei “Anti-Oruam”, de 2025. A proposta apresentada, busca impedir o poder público de contratar artistas e eventos que façam apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas. A iniciativa ganhou repercussão justamente pela perseguição de artistas do funk e do rap.

Candidato que associou funk ao crime em CPI usa ritmo em jingle de campanha

Reprodução: Redes Sociais

Neste ano, candidaturas de direita que receberam destaque na eleição, como Flávio Bolsonaro, Lucas Pavanato e Nik Ferreira  exploraram o ritmo de funk em jingles de campanha. O problema não é um político de direita utilizar do gênero musical. É quando o funk, que nasce nas periferias, pode ser tratado como problema moral. A popularidade pode render votos e vira ferramenta de campanha. A cultura condenada pelos candidatos passa a ser usada para conquistar parte do público que a direita frequentemente ataca e tenta apagar.

 

Audiobook, ferramenta que precisa ser acessível

O audiobook, livro em formato de áudio, amplia as possibilidades de leitura. Para quem possui deficiência visual, trabalha, tem pouco tempo livre ou preguiça, ouvir uma história pode ser uma maneira de manter o contato com a literatura. A narração também pode tornar a experiência mais envolvente, principalmente em obras de ficção.

 

Audiobook Ilustrações, Vetores E Clipart De Stock – (10,671 Stock Illustrations)

Arte: Reprodução livre

A praticidade não elimina os problemas. Muitas plataformas cobram assinaturas ou valores pela compra dos títulos, o que dificulta o acesso. Em 2025, 24% das últimas compras de livros digitais foram de audiolivros, segundo pesquisa da (CBL). A tecnologia pode aproximar pessoas da literatura, mas também criar barreiras. Além disso, ouvir um livro não é a mesma experiência de ler. No áudio, o ritmo depende da narração, enquanto na leitura é possível controlar a velocidade, fazer anotações e voltar às páginas quando quiser.

A crítica não é ao audiobook, mas à ideia de que toda novidade deve ser aceita sem questionamento. O formato é uma alternativa válida e pode ajudar a democratizar e acessibilizar a leitura. Para isso, porém, precisa estar acompanhado de qualidade, acesso e preços que não afastem justamente quem mais poderia se beneficiar dele.

Por: Matheus Leônidas

Ficha Técnica

Autores:  Amanda Los, Leonardo Alexandre, Lorena Santana, Maria Fernanda Sperafico, Maria Gallinea, Marina Ranzani e Matheus Leônidas.

Supervisão de Produção: Paula Melani Rocha e Sérgio Luiz Gadini.

Edição e publicação no Periódico: Larissa Viero, Lorena Santana e Matheus Leônidas.

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral.

Contato: periodico@uepg.br

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