Crítica de Ponta #167

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Ponta Grossa ganha novo cinema e público passa a ter duas propostas distintas 

Atualmente Ponta Grossa tem dois cinemas, duas franquias consolidadas no país que possuem diferenças de estrutura e qualidade. O Cine Araújo localizado no Shopping Palladium, e o recém inaugurado CineLaser no Shopping Plaza Campos Gerais. Ambos comandam o mercado local e apresentam diferenças na experiência oferecida ao espectador.

O Cine Araújo, que possui 29 cinemas espalhados por 27 cidades no Brasil, traz características de uma rede tradicional, com quatro salas convencionais e um total de 1296 poltronas. Os valores são fixos R$40 a inteira e R$20 a meia. A rede segue um padrão comum com salas amplas, estrutura funcional e recursos básicos. Para grande parte do público ponta-grossense, o Cine Araújo sempre foi a melhor opção.

Crédito: Lucas Jolondek

A chegada do CineLaser, inaugurado em 18 de Abril de 2026, provocou uma mudança neste cenário. A empresa possui 16 unidades no Brasil. A filial de Ponta Grossa chega com seis salas de cinema, duas convencionais e quatro Vip/Premium com opções da tecnologia Dolby Atmos que proporciona áudio tridimensional durante a exibição. A capacidade é menor, de 742 pessoas, mas compensa com novidades. Os valores seguem em uma faixa aproximada, assentos Premium custam R$44 a inteira e a meia R$22, já os Vip, R$48 e R$24.

Enquanto o Araújo se mantém estável e acessível, o CineLaser aposta num público que busca experiência, poltronas melhores, som imersivo e salas menores. Até que ponto o público está disposto a pagar por tecnologia? Não é sobre qual cinema é melhor, mas como essa concorrência influencia. O CineLaser oferece tecnologia e conforto, mas a preços minimamente diferentes. O Cine Araújo entrega acessibilidade, mas precisa acompanhar a evolução do mercado.

Por Lucas Jolondek

Entre a denúncia e a fé os sentidos do rap gospel

Produções locais aproximam hip-hop e religião ao unir denúncia social e espiritualidade

O rap pode ser uma forma de expressão religiosa? Foi nos Estados Unidos, na década de 1970, que o rap surgiu ligado à cultura hip-hop e à realidade das periferias urbanas. No Brasil, o gênero ganhou força com letras sobre racismo, violência e desigualdade social. Em poucos anos, a estética e linguagem do rap também passaram a ser usadas por movimentos evangélicos. Em Ponta Grossa, essa prática aparece em produções locais que unem elementos do hip-hop com mensagens religiosas. 

Na música Uma Só Voz, do rapper ponta-grossense Léo Lima em parceria com outros artistas, aparecem referências bíblicas junto de rimas, batidas e elementos da cultura da periferia. Trechos como “a igreja está falando” e “somos uma só voz em Cristo” mostram a presença do discurso religioso dentro da estrutura do rap.

Imagem: Reprodução do clipe “Uma só voz”

Para Gueg, nome artístico de Ismael Alves dos Santos, o rap sempre foi uma forma de expressão da realidade das pessoas, o que explica sua presença em diferentes contextos, inclusive o religioso.  Nas produções do rap gospel,  a denúncia social continua presente, mas passa a ser interpretada pela  fé, o que apresenta outros significados ao que é narrado nas letras publicadas.

Serviço:

Música: Uma Só Voz 

Leo Lima PR,Mano Reco, Junior PR, Riva ZL, Mano Luan, SacredFlowRap e Muralha de Cristo 

Ano: 2026
Disponível no YouTube: https://youtu.be/xCdnw7EFDeY?si=S-URZty1Rdy5dyz4
Duração: 7min44s 

Por Yasmin Salgado

Quem pauta a notícia em PG? 

Um predomínio de apoio de fontes oficiais marca as capas dos jornais locais

Se você olhar as capas dos jornais Diário dos Campos e Jornal da Manhã, a primeira pergunta é: o que realmente define a notícia na cidade? Fica escancarada a lógica da assessoria quando assuntos pouco relevantes ganham capa, usando o espaço nobre para destacar reuniões internas, agendas institucionais e anúncios sem relevância pública. Em um levantamento de 35 matérias publicadas, entre 1º e 18 de maio de 2026, os números revelam que mais de 90% trazem como fontes principais agentes do Estado, pautadas pela visão oficial de quem está no poder.

No Diário dos Campos (DCmais), a capa é cedida para o cumprimento de cronogramas cotidianos ou eventos corporativos e religiosos. No dia 5 de maio, por exemplo, a manchete avisa que Ponta Grossa perdeu 18 milhões de reais no IPVA. As únicas vozes ouvidas são a prefeita Elizabeth Schmidt (UB) e o secretário da Fazenda, abordando o impacto social apenas sob o ponto de vista defensivo dos gestores.

O Jornal da Manhã segue cartilha semelhante, mas inclinada a pacotes econômicos estaduais e agendas da reitoria da UEPG. A falta de pluralidade fica nítida quando confrontada com crises reais: no dia 1º de maio, o jornal noticia que a prefeita mandou suspender o contrato da merenda escolar. O assunto grave é abordado unicamente a partir da ação da governante, sem ouvir os lados afetados pela decisão, e tão pouco 

Quando a capa se limita a reproduzir releases do governo, a imprensa deixa de exercer um papel de fiscalização do poder público. O desafio é romper o ciclo, filtrando o real interesse público.

Veículo Título Editoria Fontes Data
DCmais CDEPG aprova proposta para

revitalização do Centro de PG

Cidade presidente do CDEPG, Priscila Ja-

ronski.

presidente do

SECOVI-PR, Carlos Ribas Tavarnaro.

15/05
DCmais Sistema conecta estudantes ao mercado de trabalho Cidade Assessoria 15/05
DCmais Blitz educativa pede respeito

à faixa de pedestres em PG

Cidade superintendente de trânsito de Ponta Grossa, João

Rodrigo Pontes

15/05
DCmais SESC define empresa que irá

restaurar a Locomotiva 250

Cidade documentais/institucionais,  15/05
DCmais Acusado de homicídio, CEO de

empresa se diz vítima de extorsão

Cidade Advogado Claudio Dalledone Ju-

nior,

15/05
DCmais ‘Habite-se Autodeclaratório’ deve

modernizar licenciamento de obras

Cidade Rafael Mansani – presidente do IPLAN (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa).  12/05
DCmais ‘PG Sem Frio 2026’ reúne doações

de agasalhos em dois endereços 

Cidade Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa.

Tatyana Belo – presidente da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG)

12/05
DCmais Com carreira em ascensão, Giana lança single para os pais Cidade Maiza Althaus – mãe da cantora Giana  12/05
DCmais Diocese de PG celebra

centenário com missa

solene para 10 mil fiéis

Campos Gerais Dom Bruno Eliseu Versari – bispo diocesano de Ponta Grossa.

ELIZABETH SCHMIDT 

12/05
DCmais Ratinho Junior

anuncia pacote de

R$ 58 milhões em

obras para Sengés

Campos Gerais Carlos Massa Ratinho Junior – governador do Paraná  08/05
DCmais SESA confirma caso de hantavírus em Ponta Grossa Cidade César Neves – secretário de Estado da Saúde do Paraná  08/05
DCmais Arapoti ganha maior Ponto de Parada e Descanso do Paraná Cidade Carlos Massa Ratinho Junior – governador do Paraná 08/05
DCmais DER-PR pede atenção a traçado

alternativo para contorno

Cidade Rafael Rickli – vice-presidente da ACIPG.

Alexandro Zopolato – gerente de obras da Motiva Paraná.
08/05
DCmais Aldo Bona destaca integração

entre ciência e setor produtivo

Campos Gerais  Aldo Nelson Bona -secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná
Leonardo Puppi Bernardi – presidente da ACIPG.
Ivo Mottin Demiate – reitor escolhido da UEPG
Miguel Sanches Neto – reitor da UEPG.
08/05
DCmais Ponta Grossa perde R$ 18 mi

em repasses do IPVA

Cidade Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa.
Cláudio Grokoviski – secretário municipal da Fazenda
05/05
DCmais Bispo Dom Bruno detalha

festa do centenário da Diocese

Cidade Dom Bruno Eliseu Versari – bispo da Diocese de Ponta Grossa  05/05
DCmais Sindicato recua e suspende

greve dos servidores em PG 

Cidade Luiz Eduardo Pleis – presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ponta Grossa (Sindserv-PG).  05/05
DCmais Palmeira sediará

etapas do Paraná

Bom de Bola

Esporte Rudolf Polaco – chefe regional da Paraná Esportes.

Thiago Pontes – diretor de Esporte e Lazer de Palmeira

05/05
DCmais Castro terá primeira Praça

Sensorial dos Campos Gerais

Campos Gerais  05/05
JM Pacote de R$ 2 bi na Educação beneficia PG e cidades dos Campos Gerais  Roni Miranda- secretário de Estado da Educação do Paraná.

Eliane Teruel Carmona – diretora-presidente do Fundepar.

18/05
JM Com 8 mil atendimentos, AME da UEPG amplia acesso a especialidades nos Campos Gerais  Cotidiano Jorge Luiz Moreira – diretor-geral do Ambulatório Médico de Especialidades da UEPG.

Miguel Sanches Neto – reitor da UEPG

18/05
JM ACIPG defende salário proporcional à produtividade dos vereadores de PG  Política Giorgio Luiz de Oliveira – diretor de Assuntos Jurídicos da ACIPG.

Leonardo Puppi Bernardi – presidente da ACIPG

18/05
JM Reitoria eleita da UEPG é recebida por lideranças políticas e empresariais  Cotidiano Ivo Mottin Demiate – reitor eleito da UEPG.

Adriana Campagnoli – vice-reitora eleita da UEPG

18/05
JM Sanepar investe R$ 588 milhões no primeiro trimestre de 2026  Dinheiro Wilson Bley Lipski – diretor-presidente da Sanepar  18/05
JM PG movimenta R$ 3,5 bilhões com comércio exterior Política Bruno Costa – economista.

Giorgio Luiz de Oliveira – diretor de Assuntos Jurídicos da ACIPG

12/05
JM Prefeita Elizabeth investe em parceria com Diocese para turismo religioso de PG  Política Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa.

Dom Bruno Eliseu Versari – bispo da Diocese de Ponta Grossa

12/05
JM Paraná Pesquisas: Moro lidera todos os cenários para Governo do Paraná  Política Murilo Hidalgo – diretor do Instituto Paraná Pesquisas  12/05
JM Leandro Jasinski destaca projetos para desenvolver Rio Azul  Política Leandro Jasinski (prefeito de Rio Azul)  12/05
JM Ponta Grossa abre edição comemorativa dos 40 anos do JEM no próximo sábado  Esportes Paulo Malaquias (secretário municipal de Esportes de Ponta Grossa)  12/05
JM Campos Gerais registra aumento de casos de vírus respiratórios  Cotidiano Mário Montemor Netto (presidente da Associação Médica de Ponta Grossa)  08/05
JM Elizabeth define ações para atualizar plano habitacional  Política Elizabeth Schmidt (prefeita de Ponta Grossa)  08/05
JM UEPG licita CT do Operário com apoio de Aliel Machado  Esportes Assessoria e informações institucionais  08/05
JM Contorno de PG pode gerar até 12 mil empregos nos Campos Gerais  Cotidiano Alexandro Zopolato (gerente executivo de Engenharia da Motiva Paraná)  01/05
JM UEPG oferta serviços e democratiza atendimentos para a comunidade  Cotidiano Informações institucionais 01/05
JM Elizabeth manda suspender contrato com empresa da merenda  Política Elizabeth Schmidt 01/05

Por Natália Almeida

Entre o concreto e o desconforto, a realidade de um pátio na UEPG

A reforma do pátio da Universidade Estadual de Ponta Grossa, realizada em 2025, prometia tornar o espaço mais acessível. Foram instalados pisos táteis para pessoas com deficiência visual e um sistema de drenagem para escoamento da água da chuva. No entanto, o que deveria representar uma melhoria, acabou trazendo outros problemas para a comunidade acadêmica.

O piso foi completamente refeito, mas o acabamento escolhido transformou a circulação pelo local em uma experiência desconfortável. O piso claro reflete a luz solar de maneira intensa, causando incômodo visual e dificultando a permanência no local. Nem mesmo os bancos oferecem alternativa: parafusados ao chão, impedem que os estudantes os movam para áreas menos expostas à luminosidade.

O sistema de drenagem também se tornou alvo de críticas. Em dias de chuva, o ralo não suporta o volume de água e o local chega a ficar alagado, formando quase um lago no centro do pátio. O problema dificulta a circulação e coloca em dúvida a eficiência da obra.

Outro ponto criticado pelos estudantes é a retirada quase completa da área verde. Restando apenas uma árvore, o ambiente passou a ser descrito como “frio” e “sem vida”, além de aumentar a sensação de calor e desconforto.

Crédito: Lucas Jolondek

As falhas da reforma também atingem estudantes com deficiência motora. Embora existam elevadores para acesso aos blocos, em situações de manutenção ou lotação, cadeirantes precisam percorrer trajetos mais longos para chegar às salas.

Uma obra anunciada sob o discurso da acessibilidade não deveria criar novos obstáculos. Quando planejamento e execução ignoram a experiência dos estudantes, a reforma deixa de ser solução e passa a representar um problema de gestão pública.

Procurada, a gestão da universidade não respondeu à reportagem do Crítica. 

Serviço: A UEPG Central se localiza na Praça Santos Andrade, 01, Ponta Grossa. 

Por Nathália Stupp

 

Gourmetizaram os brechós?

Muito se fala sobre a gourmetização dos brechós. O que antes era visto como sinônimo de barateza, hoje ganhou outro significado. No passado, os motivos para uma roupa deixar de ser usada eram diferentes, como a morte de alguém da família, fou porque a roupa deixava de servir. Hoje, grande parte do descarte acontece pelo simples desejo de consumir algo novo, acompanhar a próxima tendência ou renovar o guarda-roupa. Com isso, tanto as peças quanto os preços dos brechós também mudaram.

Existe a ideia de que brechó é sinônimo de preço baixo, mas, na verdade, brechó é uma loja de artigos usados, o que não significa necessariamente barateza. Se uma peça de luxo custa cinco mil reais nova, usada ela pode custar mil, o que apesar de ser um preço menor, está longe de ser barato. Os brechós surgem como alternativa mais sustentável à fast fashion, produzida por grandes marcas como Renner, C&A, Riachuelo, Zara e SHEIN. Os brechós ajudam a fortalecer a moda circular, mantendo as roupas em uso por mais tempo e reduzindo o desperdício, servindo também como uma forma de ter peças diferentes por um preço abaixo do original. 

Crédito: Pietra Gasparini

Com a popularização dos brechós, também surgiu a gourmetização, presente em lojas com curadoria especializada, peças de marca e uma experiência de compra mais sofisticada. O problema aparece quando alguns estabelecimentos cobram valores excessivos por peças comuns, usando apenas o argumento da curadoria. Muitas vezes, roupas usadas de lojas populares são vendidas por preços muito próximos aos de peças novas, o que reforça a crítica.

Porém, não se pode generalizar e dizer que todos os brechós são assim. No geral, existem brechós para todos os gostos e bolsos: os tradicionais, os de luxo, os vintage e os brechós beneficentes. Em Ponta Grossa, por exemplo, há feiras como o Varal das Minas, bazares de rede como o Dig For Fashion e até grupos de WhatsApp onde pessoas vendem desapegos. O mais importante é entender que o brechó vai além do preço e representa consumo consciente, reaproveitamento e apoio à moda circular.

Serviço: O Varal das Minas é um encontro de brechós e artesãs de Ponta Grossa, que acontece todos os sábados, das 9h às 17h, no Ponto Azul, localizado na Praça Barão do Rio Branco.

Por Pietra Gasparini

Ficha técnica

Autores: Lucas Jolondek, Natália Almeida, Nathalia Stüpp, Pietra Gasparini e Yasmin Salgado

Supervisão de produção: Sergio Luiz Gadini

Edição e publicação: Ingrid Müller e Lucas Jolondek

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado

Contato: periodico@uepg.br

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