Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Ponta Grossa ganha novo cinema e público passa a ter duas propostas distintas
Atualmente Ponta Grossa tem dois cinemas, duas franquias consolidadas no país que possuem diferenças de estrutura e qualidade. O Cine Araújo localizado no Shopping Palladium, e o recém inaugurado CineLaser no Shopping Plaza Campos Gerais. Ambos comandam o mercado local e apresentam diferenças na experiência oferecida ao espectador.
O Cine Araújo, que possui 29 cinemas espalhados por 27 cidades no Brasil, traz características de uma rede tradicional, com quatro salas convencionais e um total de 1296 poltronas. Os valores são fixos R$40 a inteira e R$20 a meia. A rede segue um padrão comum com salas amplas, estrutura funcional e recursos básicos. Para grande parte do público ponta-grossense, o Cine Araújo sempre foi a melhor opção.

Crédito: Lucas Jolondek
A chegada do CineLaser, inaugurado em 18 de Abril de 2026, provocou uma mudança neste cenário. A empresa possui 16 unidades no Brasil. A filial de Ponta Grossa chega com seis salas de cinema, duas convencionais e quatro Vip/Premium com opções da tecnologia Dolby Atmos que proporciona áudio tridimensional durante a exibição. A capacidade é menor, de 742 pessoas, mas compensa com novidades. Os valores seguem em uma faixa aproximada, assentos Premium custam R$44 a inteira e a meia R$22, já os Vip, R$48 e R$24.
Enquanto o Araújo se mantém estável e acessível, o CineLaser aposta num público que busca experiência, poltronas melhores, som imersivo e salas menores. Até que ponto o público está disposto a pagar por tecnologia? Não é sobre qual cinema é melhor, mas como essa concorrência influencia. O CineLaser oferece tecnologia e conforto, mas a preços minimamente diferentes. O Cine Araújo entrega acessibilidade, mas precisa acompanhar a evolução do mercado.
Por Lucas Jolondek

Entre a denúncia e a fé os sentidos do rap gospel
Produções locais aproximam hip-hop e religião ao unir denúncia social e espiritualidade
O rap pode ser uma forma de expressão religiosa? Foi nos Estados Unidos, na década de 1970, que o rap surgiu ligado à cultura hip-hop e à realidade das periferias urbanas. No Brasil, o gênero ganhou força com letras sobre racismo, violência e desigualdade social. Em poucos anos, a estética e linguagem do rap também passaram a ser usadas por movimentos evangélicos. Em Ponta Grossa, essa prática aparece em produções locais que unem elementos do hip-hop com mensagens religiosas.
Na música Uma Só Voz, do rapper ponta-grossense Léo Lima em parceria com outros artistas, aparecem referências bíblicas junto de rimas, batidas e elementos da cultura da periferia. Trechos como “a igreja está falando” e “somos uma só voz em Cristo” mostram a presença do discurso religioso dentro da estrutura do rap.

Imagem: Reprodução do clipe “Uma só voz”
Para Gueg, nome artístico de Ismael Alves dos Santos, o rap sempre foi uma forma de expressão da realidade das pessoas, o que explica sua presença em diferentes contextos, inclusive o religioso. Nas produções do rap gospel, a denúncia social continua presente, mas passa a ser interpretada pela fé, o que apresenta outros significados ao que é narrado nas letras publicadas.
Serviço:
Música: Uma Só Voz
Leo Lima PR,Mano Reco, Junior PR, Riva ZL, Mano Luan, SacredFlowRap e Muralha de Cristo
Ano: 2026
Disponível no YouTube: https://youtu.be/xCdnw7EFDeY?si=S-URZty1Rdy5dyz4
Duração: 7min44s
Por Yasmin Salgado

Quem pauta a notícia em PG?
Um predomínio de apoio de fontes oficiais marca as capas dos jornais locais
Se você olhar as capas dos jornais Diário dos Campos e Jornal da Manhã, a primeira pergunta é: o que realmente define a notícia na cidade? Fica escancarada a lógica da assessoria quando assuntos pouco relevantes ganham capa, usando o espaço nobre para destacar reuniões internas, agendas institucionais e anúncios sem relevância pública. Em um levantamento de 35 matérias publicadas, entre 1º e 18 de maio de 2026, os números revelam que mais de 90% trazem como fontes principais agentes do Estado, pautadas pela visão oficial de quem está no poder.
No Diário dos Campos (DCmais), a capa é cedida para o cumprimento de cronogramas cotidianos ou eventos corporativos e religiosos. No dia 5 de maio, por exemplo, a manchete avisa que Ponta Grossa perdeu 18 milhões de reais no IPVA. As únicas vozes ouvidas são a prefeita Elizabeth Schmidt (UB) e o secretário da Fazenda, abordando o impacto social apenas sob o ponto de vista defensivo dos gestores.
O Jornal da Manhã segue cartilha semelhante, mas inclinada a pacotes econômicos estaduais e agendas da reitoria da UEPG. A falta de pluralidade fica nítida quando confrontada com crises reais: no dia 1º de maio, o jornal noticia que a prefeita mandou suspender o contrato da merenda escolar. O assunto grave é abordado unicamente a partir da ação da governante, sem ouvir os lados afetados pela decisão, e tão pouco
Quando a capa se limita a reproduzir releases do governo, a imprensa deixa de exercer um papel de fiscalização do poder público. O desafio é romper o ciclo, filtrando o real interesse público.
| Veículo | Título | Editoria | Fontes | Data |
| DCmais | CDEPG aprova proposta para
revitalização do Centro de PG |
Cidade | presidente do CDEPG, Priscila Ja-
ronski. presidente do SECOVI-PR, Carlos Ribas Tavarnaro. |
15/05 |
| DCmais | Sistema conecta estudantes ao mercado de trabalho | Cidade | Assessoria | 15/05 |
| DCmais | Blitz educativa pede respeito
à faixa de pedestres em PG |
Cidade | superintendente de trânsito de Ponta Grossa, João
Rodrigo Pontes |
15/05 |
| DCmais | SESC define empresa que irá
restaurar a Locomotiva 250 |
Cidade | documentais/institucionais, | 15/05 |
| DCmais | Acusado de homicídio, CEO de
empresa se diz vítima de extorsão |
Cidade | Advogado Claudio Dalledone Ju-
nior, |
15/05 |
| DCmais | ‘Habite-se Autodeclaratório’ deve
modernizar licenciamento de obras |
Cidade | Rafael Mansani – presidente do IPLAN (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa). | 12/05 |
| DCmais | ‘PG Sem Frio 2026’ reúne doações
de agasalhos em dois endereços |
Cidade | Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa.
Tatyana Belo – presidente da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG) |
12/05 |
| DCmais | Com carreira em ascensão, Giana lança single para os pais | Cidade | Maiza Althaus – mãe da cantora Giana | 12/05 |
| DCmais | Diocese de PG celebra
centenário com missa solene para 10 mil fiéis |
Campos Gerais | Dom Bruno Eliseu Versari – bispo diocesano de Ponta Grossa.
ELIZABETH SCHMIDT |
12/05 |
| DCmais | Ratinho Junior
anuncia pacote de R$ 58 milhões em obras para Sengés |
Campos Gerais | Carlos Massa Ratinho Junior – governador do Paraná | 08/05 |
| DCmais | SESA confirma caso de hantavírus em Ponta Grossa | Cidade | César Neves – secretário de Estado da Saúde do Paraná | 08/05 |
| DCmais | Arapoti ganha maior Ponto de Parada e Descanso do Paraná | Cidade | Carlos Massa Ratinho Junior – governador do Paraná | 08/05 |
| DCmais | DER-PR pede atenção a traçado
alternativo para contorno |
Cidade | Rafael Rickli – vice-presidente da ACIPG. Alexandro Zopolato – gerente de obras da Motiva Paraná. |
08/05 |
| DCmais | Aldo Bona destaca integração
entre ciência e setor produtivo |
Campos Gerais | Aldo Nelson Bona -secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná Leonardo Puppi Bernardi – presidente da ACIPG. Ivo Mottin Demiate – reitor escolhido da UEPG Miguel Sanches Neto – reitor da UEPG. |
08/05 |
| DCmais | Ponta Grossa perde R$ 18 mi
em repasses do IPVA |
Cidade | Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa. Cláudio Grokoviski – secretário municipal da Fazenda |
05/05 |
| DCmais | Bispo Dom Bruno detalha
festa do centenário da Diocese |
Cidade | Dom Bruno Eliseu Versari – bispo da Diocese de Ponta Grossa | 05/05 |
| DCmais | Sindicato recua e suspende
greve dos servidores em PG |
Cidade | Luiz Eduardo Pleis – presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ponta Grossa (Sindserv-PG). | 05/05 |
| DCmais | Palmeira sediará
etapas do Paraná Bom de Bola |
Esporte | Rudolf Polaco – chefe regional da Paraná Esportes.
Thiago Pontes – diretor de Esporte e Lazer de Palmeira |
05/05 |
| DCmais | Castro terá primeira Praça
Sensorial dos Campos Gerais |
Campos Gerais | 05/05 | |
| JM | Pacote de R$ 2 bi na Educação beneficia PG e cidades dos Campos Gerais | Roni Miranda- secretário de Estado da Educação do Paraná.
Eliane Teruel Carmona – diretora-presidente do Fundepar. |
18/05 | |
| JM | Com 8 mil atendimentos, AME da UEPG amplia acesso a especialidades nos Campos Gerais | Cotidiano | Jorge Luiz Moreira – diretor-geral do Ambulatório Médico de Especialidades da UEPG.
Miguel Sanches Neto – reitor da UEPG |
18/05 |
| JM | ACIPG defende salário proporcional à produtividade dos vereadores de PG | Política | Giorgio Luiz de Oliveira – diretor de Assuntos Jurídicos da ACIPG.
Leonardo Puppi Bernardi – presidente da ACIPG |
18/05 |
| JM | Reitoria eleita da UEPG é recebida por lideranças políticas e empresariais | Cotidiano | Ivo Mottin Demiate – reitor eleito da UEPG.
Adriana Campagnoli – vice-reitora eleita da UEPG |
18/05 |
| JM | Sanepar investe R$ 588 milhões no primeiro trimestre de 2026 | Dinheiro | Wilson Bley Lipski – diretor-presidente da Sanepar | 18/05 |
| JM | PG movimenta R$ 3,5 bilhões com comércio exterior | Política | Bruno Costa – economista.
Giorgio Luiz de Oliveira – diretor de Assuntos Jurídicos da ACIPG |
12/05 |
| JM | Prefeita Elizabeth investe em parceria com Diocese para turismo religioso de PG | Política | Elizabeth Schmidt – prefeita de Ponta Grossa.
Dom Bruno Eliseu Versari – bispo da Diocese de Ponta Grossa |
12/05 |
| JM | Paraná Pesquisas: Moro lidera todos os cenários para Governo do Paraná | Política | Murilo Hidalgo – diretor do Instituto Paraná Pesquisas | 12/05 |
| JM | Leandro Jasinski destaca projetos para desenvolver Rio Azul | Política | Leandro Jasinski (prefeito de Rio Azul) | 12/05 |
| JM | Ponta Grossa abre edição comemorativa dos 40 anos do JEM no próximo sábado | Esportes | Paulo Malaquias (secretário municipal de Esportes de Ponta Grossa) | 12/05 |
| JM | Campos Gerais registra aumento de casos de vírus respiratórios | Cotidiano | Mário Montemor Netto (presidente da Associação Médica de Ponta Grossa) | 08/05 |
| JM | Elizabeth define ações para atualizar plano habitacional | Política | Elizabeth Schmidt (prefeita de Ponta Grossa) | 08/05 |
| JM | UEPG licita CT do Operário com apoio de Aliel Machado | Esportes | Assessoria e informações institucionais | 08/05 |
| JM | Contorno de PG pode gerar até 12 mil empregos nos Campos Gerais | Cotidiano | Alexandro Zopolato (gerente executivo de Engenharia da Motiva Paraná) | 01/05 |
| JM | UEPG oferta serviços e democratiza atendimentos para a comunidade | Cotidiano | Informações institucionais | 01/05 |
| JM | Elizabeth manda suspender contrato com empresa da merenda | Política | Elizabeth Schmidt | 01/05 |
Por Natália Almeida

Entre o concreto e o desconforto, a realidade de um pátio na UEPG
A reforma do pátio da Universidade Estadual de Ponta Grossa, realizada em 2025, prometia tornar o espaço mais acessível. Foram instalados pisos táteis para pessoas com deficiência visual e um sistema de drenagem para escoamento da água da chuva. No entanto, o que deveria representar uma melhoria, acabou trazendo outros problemas para a comunidade acadêmica.
O piso foi completamente refeito, mas o acabamento escolhido transformou a circulação pelo local em uma experiência desconfortável. O piso claro reflete a luz solar de maneira intensa, causando incômodo visual e dificultando a permanência no local. Nem mesmo os bancos oferecem alternativa: parafusados ao chão, impedem que os estudantes os movam para áreas menos expostas à luminosidade.
O sistema de drenagem também se tornou alvo de críticas. Em dias de chuva, o ralo não suporta o volume de água e o local chega a ficar alagado, formando quase um lago no centro do pátio. O problema dificulta a circulação e coloca em dúvida a eficiência da obra.
Outro ponto criticado pelos estudantes é a retirada quase completa da área verde. Restando apenas uma árvore, o ambiente passou a ser descrito como “frio” e “sem vida”, além de aumentar a sensação de calor e desconforto.

Crédito: Lucas Jolondek
As falhas da reforma também atingem estudantes com deficiência motora. Embora existam elevadores para acesso aos blocos, em situações de manutenção ou lotação, cadeirantes precisam percorrer trajetos mais longos para chegar às salas.
Uma obra anunciada sob o discurso da acessibilidade não deveria criar novos obstáculos. Quando planejamento e execução ignoram a experiência dos estudantes, a reforma deixa de ser solução e passa a representar um problema de gestão pública.
Procurada, a gestão da universidade não respondeu à reportagem do Crítica.
Serviço: A UEPG Central se localiza na Praça Santos Andrade, 01, Ponta Grossa.
Por Nathália Stupp

Gourmetizaram os brechós?
Muito se fala sobre a gourmetização dos brechós. O que antes era visto como sinônimo de barateza, hoje ganhou outro significado. No passado, os motivos para uma roupa deixar de ser usada eram diferentes, como a morte de alguém da família, fou porque a roupa deixava de servir. Hoje, grande parte do descarte acontece pelo simples desejo de consumir algo novo, acompanhar a próxima tendência ou renovar o guarda-roupa. Com isso, tanto as peças quanto os preços dos brechós também mudaram.
Existe a ideia de que brechó é sinônimo de preço baixo, mas, na verdade, brechó é uma loja de artigos usados, o que não significa necessariamente barateza. Se uma peça de luxo custa cinco mil reais nova, usada ela pode custar mil, o que apesar de ser um preço menor, está longe de ser barato. Os brechós surgem como alternativa mais sustentável à fast fashion, produzida por grandes marcas como Renner, C&A, Riachuelo, Zara e SHEIN. Os brechós ajudam a fortalecer a moda circular, mantendo as roupas em uso por mais tempo e reduzindo o desperdício, servindo também como uma forma de ter peças diferentes por um preço abaixo do original.

Crédito: Pietra Gasparini
Com a popularização dos brechós, também surgiu a gourmetização, presente em lojas com curadoria especializada, peças de marca e uma experiência de compra mais sofisticada. O problema aparece quando alguns estabelecimentos cobram valores excessivos por peças comuns, usando apenas o argumento da curadoria. Muitas vezes, roupas usadas de lojas populares são vendidas por preços muito próximos aos de peças novas, o que reforça a crítica.
Porém, não se pode generalizar e dizer que todos os brechós são assim. No geral, existem brechós para todos os gostos e bolsos: os tradicionais, os de luxo, os vintage e os brechós beneficentes. Em Ponta Grossa, por exemplo, há feiras como o Varal das Minas, bazares de rede como o Dig For Fashion e até grupos de WhatsApp onde pessoas vendem desapegos. O mais importante é entender que o brechó vai além do preço e representa consumo consciente, reaproveitamento e apoio à moda circular.
Serviço: O Varal das Minas é um encontro de brechós e artesãs de Ponta Grossa, que acontece todos os sábados, das 9h às 17h, no Ponto Azul, localizado na Praça Barão do Rio Branco.
Por Pietra Gasparini
Ficha técnica
Autores: Lucas Jolondek, Natália Almeida, Nathalia Stüpp, Pietra Gasparini e Yasmin Salgado
Supervisão de produção: Sergio Luiz Gadini
Edição e publicação: Ingrid Müller e Lucas Jolondek
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado
Contato: periodico@uepg.br
