Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Entre o humor e a inclusão, os desafios de Colegas e o Herdeiro
A amizade como ponto de partida para a liberdade. É a partir da ideia que Marcelo Galvão retorna ao universo de Colegas (2012) com o filme Colegas e o Herdeiro, sequência que retoma personagens conhecidos e amplia a discussão sobre inclusão, autonomia e convivência. No Uruguai, Stalone e Aninha vivem em um hotel decadente. Após a morte do proprietário, Stalone acredita ser o herdeiro do estabelecimento e convida moradores do Instituto Santa Lúcia para uma temporada, que se transforma em uma aventura pela estrada.
A disputa pela herança movimenta a narrativa, mas a viagem também representa uma oportunidade de reencontro, descoberta e afirmação da própria vontade. Ao acompanhar personagens com síndrome de Down e autismo, o longa ultrapassa a representação da deficiência como sinônimo de dependência.

Créditos: Reprodução
Um dos destaques está na presença de pessoas com deficiência intelectual e neurodivergentes no centro da história. Os protagonistas conduzem a trama, enfrentam conflitos e tomam decisões, ampliando as possibilidades de representação no cinema brasileiro.
A obra aborda namoro, sexualidade, gênero, autonomia e capacitismo, trazendo questões frequentemente silenciadas. Entretanto, equilibrar humor e reflexão social é um desafio: a leveza aproxima o público, mas exige cuidado para não reduzir situações complexas à comicidade. A inclusão ganha força quando os personagens são apresentados em sua pluralidade, com desejos e individualidades.
O roteiro aposta em uma narrativa acessível, com humor e conflitos voltados ao público infantojuvenil. Embora favoreça o caráter familiar, essa escolha limita o aprofundamento de algumas questões. A montagem dinâmica mantém o ritmo da aventura, mas o excesso de cortes prejudica a fluidez de certas cenas, enquanto a narração em off nem sempre permite que os acontecimentos se desenvolvam naturalmente.
Assim, o filme revela uma tensão entre movimentar a narrativa e aprofundar as relações. Em uma história sustentada pela amizade e convivência, alguns momentos poderiam ganhar mais impacto com um desenvolvimento mais cuidadoso.
Serviço: Ficha técnica:
Título Original: Colegas e o Herdeiro
Ano de Lançamento: 2026
Duração: 85 minutos
Direção e Roteiro: Marcelo Galvão
Por Amanda Rafaela
Um som das ondas
EP de professora de contra-baixo do Conservatório Maestro Paulino explora música de câmara em PG.
Você já se perguntou que som tem as ondas? Para Bruna Buschle, as linhas de contra-baixo em harmonia com instrumentos como piano, marimba, bateria e flauta, deslizam como ondas do mar. No início de Setembro, a professora lançou o segundo EP, pequeno álbum com cinco faixas, intitulado “Ondas – Compositoras para Contrabaixo”. As canções são obras adaptadas das artistas Sonia Ray, Sofia Gubaidulina, Tainá Caldeira, Maria Betânia Hernandez e Ana Lima, incluindo três inéditas.
As canções são adaptadas para a “música de câmera”, estilo musical nascido da orquestra. A música de câmera é feita para até 10 músicos de instrumentos clássicos, adaptando canções para pequenos grupos, que não precisam de maestro. É comum do estilo musical, que todos os instrumentistas que participam da “mini orquestra” também tenham durante as apresentações momentos de solos. O gênero tem o nome pela origem, de músicos que tocavam instrumentos e se juntavam em casas em encontros informais, para reproduzir peças de orquestras.

Créditos: Nathalia Stupp
No EP, Bruna apresenta as faixas Ondas, Pantomime, Atlântico, The Empress e Canto N.º1. Ao decorrer das faixas, percebemos instrumentos serem introduzidos. Na primeira música, o contrabaixo acústico sola notas graves, menores e cravadas ao tempo da música, oque leva ao ouvinte a sentir atenção, e remete a músicas clássicas de “filmes piratas”. O EP segue, com cada faixa introduzindo um novo instrumento. Piano e baixo, bateria, flauta e por fim, todos juntos em harmonias agora leves, calmas, e com notas maiores, transformando a tensão em águas cristalinas e calmas do mar.
O EP possui apenas instrumentistas mulheres e também composições de artistas femininas. No lançamento, o concerto foi apresentado na Capela Santa Maria, em Curitiba.
Serviço:
Para ouvir o EP completo, basta acessar as plataformas de streaming digitais.
Por Eduarda Leal
Condomínios como forma de distinção social e isolamento
Em Ponta Grossa, apenas em 2026, foram lançados quatro novos residenciais.
O isolamento dentro de condomínios é um fenômeno mundial e que movimenta milhões de reais na área da construção civil. No cenário ponta-grossense, o número de condomínios cresce, com mais de 800 construções espalhadas pelo município. Mesmo com o registro de crescimento, novos projetos possuem prazo de inauguração, como o Ideal.e Sabará I, II e III, com 1.776 unidades habitacionais.
Dados do Censo de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que, aproximadamente, 57 mil pessoas moram em prédios e condomínios em Ponta Grossa. De acordo com informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná, durante o segundo trimestre de 2025, houve um crescimento de 80% das construções verticais, em comparação com o mesmo período em 2024.

Créditos: Internet
A maioria dos complexos residenciais contam com áreas de lazer, academias, mercadinhos e piscinas. A facilidade em atender as demandas dentro do conjunto habitacional permite aos condôminos reduzir saídas e até contatos com o ambiente externo. Uma das avaliações é que setores da população se acomodaram com um estilo de vida isolado, agravado pelo distanciamento ocorrido durante a pandemia de 2020.
Um estudo realizado em 2008, por Caroline Souza de Quadros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, analisou o estilo de vida de moradores de um condomínio de alto padrão em Porto Alegre. De acordo com o trabalho, os resultados indicaram que a separação em relação ao ambiente exterior serve como pré-condição para satisfação com o ambiente de moradia, configurando o condomínio como uma espécie de refúgio que garante segurança e privacidade. Mais do que isso, a separação proporciona também distinção social e status, demarcando nitidamente quem são os privilegiados que podem viver em determinados espaços diferenciados.
O isolamento de setores da população dentro dos condomínios apenas aumenta a hierarquização social e reforça um distanciamento e a queda nas interações entre pessoas.
Serviço: Instituto De Pesquisa E Planejamento Urbano De Ponta Grossa (IPLAN), Avenida Visconde de Taunay, 950 – Sl 2 – Ronda, Ponta Grossa PR. Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), Rua Dr. Colares, 320 – conjunto 21 – Centro, Ponta Grossa PR.
Por Emanueli Garcia

2026 é o ano da reinvenção da renda
Os millennials e a Geração Z reinventaram o uso de um clássico do século XVI: a renda. O Pinterest Predicts 2026 projetou que o tecido seria uma das 21 principais tendências do ano, compondo peças de roupa, itens de beleza, unhas e acessórios. Em Ponta Grossa, lojas de departamento como C&A, Renner e Riachuelo acompanharam o fenômeno global.
Conforme o levantamento, produzido pela plataforma norte-americana de descoberta visual Pinterest, os tecidos rendados não se restringem mais à toalhas de mesa ou vestuário íntimo. Nos seis anos recentes, inclusive, 88% das previsões da organização se concretizaram. Em 2026, o comportamento das marcas e do público-consumidor comprova que a renda ressurgiu com personalidade.

Créditos: Giulia Neves
Somente na aba Hot Trends, disponível no site da Renner, é possível encontrar blusas de renda com babados, gola alta, recorte vazado e amarração frontal. Ao todo, são 1.132 produtos que contém o tecido. Ao procurar pelo termo renda no site da C&A, surgem 596 opções. Na Riachuelo, outra loja do setor, são 311 produtos ofertados.
Camisetas, bodys, calças, saias, vestidos, shorts, batas, macacões, presilhas, bandanas e lenços foram alguns dos itens encontrados. Em termos gerais, não é difícil adquirir produtos por valor inferior à R$150,00. Em duas das lojas verificadas pelo Crítica de Ponta, o item mais caro custa R$299,90 em setembro de 2026. Com delicadeza, ousadia e variedade, pode-se concluir que a renda voltou para ficar.
Serviço:
Renner e Riachuelo no Shopping Palladium: R. Ermelino de Leão, 703 – Olarias, Ponta Grossa.
Renner, Riachuelo e C&A no Shopping Plaza Campos Gerais: Av. Visc. de Taunay, 2023 – Ronda, Ponta Grossa.
Por Giulia Neves

Bonito, gostoso e barato
A lanchonete Tia Salgados, no Centro de PG, é conhecida pelos preços acessíveis
Ao sair da aula, uma boa pedida é um salgado da tia. Localizada na Rua Dezenove de Dezembro, próximo ao terminal central, a lanchonete se firmou como um dos endereços populares da cidade, e a explicação está menos na estrutura do que no preço: uma coxinha ou um risole custam apenas R$2, valor que resiste em um cenário de comida cada vez mais cara na rua.
É esse o principal atrativo para o público que sustenta o movimento diário. De um lado, os trabalhadores da região, que passam rapidamente para comer algo entre uma tarefa e outra. De outro, os estudantes dos colégios próximos, que descem para a rua na hora do almoço e transformam o intervalo no horário de pico do estabelecimento. Nesse período, a fila costuma se estender para fora do balcão.

Créditos: Site oficial
Os fritos são o carro-chefe da casa, mas o cardápio vai bem além deles. Os pastéis aparecem em 13 versões, 7 salgadas e 6 doces, com preços que variam de R$4, na opção mais barata, a R$7, na mais cara. Os XIS também não ficam de fora e são servidos nos sabores tradicionais. Para quem prefere fugir da fritura, há ainda lanches assados, alternativa mais leve dentro da mesma faixa de preço.
O funcionamento acompanha a rotina de quem começa o dia cedo. As portas abrem às 5h, a tempo de atender quem sai para o trabalho antes do amanhecer, e só fecham às 17h, no fim da tarde.
O espaço físico, porém, é pequeno e não oferece grande estrutura para acomodar todo mundo ao mesmo tempo. A solução encontrada foi manter um trailer na mesma rua, com o cardápio da lanchonete, funcionando como um segundo ponto de atendimento nos horários de maior movimento. Assim, quem não consegue lugar no balcão principal tem para onde ir sem precisar mudar de quarteirão.
Serviço:
Salgados da Tia, Rua Dezenove de Dezembro, 21, Ponta Grossa.
Por Sarah Brasil
Ficha técnica
Autores: Amanda Rafaela, Eduarda Leal, Emanueli Garcia, Giulia Neves e Sarah Brasil.
Supervisão de produção: Sérgio Luiz Gadini
Edição e publicação no Periódico: Roberto Indzejczak e Karine Santos
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
