Crítica de Ponta #164

 

Crítica de Ponta

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Dias Perfeitos e o imperfeito retrato da violência contra a mulher

E se o romance que você está lendo for, na verdade, uma história de violência romantizada?

Em Ponta Grossa, assim como no resto do Brasil, a violência contra a mulher não é ficção. Mas por que histórias como Dias Perfeitos, de Raphael Montes, ainda são consumidas como entretenimento?

No livro, acompanhamos Téo, um estudante de medicina que sequestra Clarice e passa a controlar cada detalhe da vida dela. Entre sedação, cárcere e manipulação psicológica, ele constrói uma rotina de abusos tratada com naturalidade pelo próprio personagem, e é justamente essa frieza que abre espaço para reflexão. Não é só um thriller: é uma narrativa sobre controle masculino e a perda da autonomia feminina.

O que em Dias Perfeitos parece exagero literário, na realidade brasileira é rotina. Em 2025, o Brasil registrou cerca de 42 julgamentos diários de feminicídio. No Paraná, a taxa segue em 73 por 100 mil mulheres. E, segundo a pesquisa Tewá 225, Ponta Grossa é a décima pior cidade do país para ser mulher. A violência começa no controle, no ciúme, no desrespeito ao “não”, exatamente como vemos no livro.

Arte: Ingrid Muller

Quando a literatura transforma um sequestrador em protagonista, existe o risco de deslocar a empatia da vítima para o agressor. E esse é o ponto crítico: até que ponto a ficção denuncia… ou banaliza?

Enquanto Dias Perfeitos circula nas prateleiras, casos reais continuam acontecendo aqui mesmo, muitas vezes silenciados. O livro funciona como um espelho distorcido: amplifica a romantização da violência contra a mulher, e revela algo que já está presente no nosso cotidiano, inclusive em Ponta Grossa. 

Serviço: Dias Perfeitos pode ser encontrado em livrarias físicas e online, com preços que variam, em média, entre R$30 e R$60, dependendo da edição. Também é possível encontrá-lo em formato digital (e-book) em plataformas como Kindle. Além disso, a obra ganhou adaptação audiovisual e possui uma série disponível na plataforma Globoplay. 

Por Ingrid Muller

Concerto de música clássica aposta em repertório baseado em filmes de Hollywood

Turnê da apresentação musical Clássicos do Cinema segue para cidades do Rio de Janeiro e São Paulo

A turnê do Starlight Concert reuniu mais de 500 pessoas no Moinho da Castrolanda, em Castro. O Concerto musical teve o tema clássicos do cinema. O repertório conta com músicas como I’ve had the time of my life, You’ve got a friend in me e trilha sonora de filmes como Grease, Star Wars, Mamma Mia, Piratas do Caribe e de clássicos da Disney.

Com preços que variam entre 50 a 140 reais, o espetáculo proporciona uma experiência musical diferenciada. A iluminação do show conta  com mais de duas mil velas artificiais, o que cria um ambiente íntimo e aconchegante para o público. O Starlight dura pouco mais de uma hora e, mesmo assim, consegue emocionar os espectadores com esse convite à nostalgia. É uma viagem através de  filmes que  têm um lugar tão especial em nossas memórias.

Com cinco músicos, Starlight Concert reuniu mais de 500 pessoas divididas em duas sessões no Moinho da Castrolanda, em Castro. Foto: João Pimentel/Lente Quente

São cinco músicos que tocam dois violinos, uma viola, um violoncelo e um piano. É perceptível e inegável a habilidade da orquestra. Destaco os momentos de performance solo da pianista e do violinista posicionado no centro. Eles entregam tudo aquilo que você espera de um concerto de música clássica. Impacto, presença e comoção. A turnê Clássicos do Cinema segue para cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Por: João Pimentel

 

Galeria da Proex-UEPG populariza arte e fortalece cultura em Ponta Grossa, mas enfrenta desafio na ampliação do público

As contribuições da galeria da proex no acesso à arte  a toda comunidade  de Ponta Grossa

Instalada no centro de Ponta Grossa, a galeria da Pró-reitoria de assuntos culturais da UEPG (PROEX) oferece acesso gratuito e constante a obras de arte, reforçando seu compromisso com a divulgação cultural. Mais do que um espaço expositivo, trata-se de um ambiente de representação. Lá você acessa desde fotografias históricas até arte contemporânea.

Outro ponto relevante é o modelo de seleção por editais públicos, que garante certa diversidade e transparência na utilização do espaço, trazendo  artistas independentes e consolidados todo mês. Ao incentivar artistas com premiações e exigir contrapartidas como oficinas e encontros com a comunidade, a Proex-UEPG reforça o caráter educativo da exposição, transformando-a em experiência compartilhada.

Crédito: Larissa Didres

Ainda assim, o vínculo com o ambiente universitário pode limitar o alcance do público, revelando um desafio na divulgação do acesso. Mesmo com essa preocupação, a galeria se consolida como um importante núcleo cultural, reafirmando o papel da universidade pública na divulgação e no debate artístico. É um exemplo de  como espaços universitários podem atuar como pontos culturais ativos, capazes de unir memória, experiências e formação.

Por Larissa Didres

Como a falta de pluralidade no foca livre atravessa gerações 

Com mais de trinta anos, o foca livre nasceu como um jornal acadêmico para ensinar a prática da redação aos alunos. Mas, mesmo com essa proposta existe um problema que atravessa o tempo e é a falta de pluralidade.

Isso é presente nas fontes, mas também nas imagens que não correspondem ao texto do Jornal. E a cada 10 materias, no mínimo cinco têm pouca diversidade de vozes. Uma crítica que é até mesmo levantada pelos ombudsmans, desde de 2004, com títulos como por exemplo : o assassinado da pluralidade no jornalismo feita por Elair Rodrigues.

Muitas matérias por vezes utilizam apenas fontes oficiais ou acabam repetindo uma mesma, e isso causa falta de uma diversidade de opiniões e às vezes até um direcionamento para o que o leitor deve achar da notícia.

As causas são diversas para isso ocorrer, como a falta de fontes, proximidade, bolhas ou até mesmo pelos acadêmicos tratarem o jornal como uma simples tarefa, esquecendo de dar mais atenção e profundidade ao material produzido.

Por mais que os fatores para isso sejam vários, não cabe somente aos estudantes, mas a docentes incentivarem não apenas a reflexão, e sim que o jornal laboratorial seja uma atividade importante  para formar os futuros profissionais.

Serviço: Você pode encontrar o jornal Foca Livre disponível no Departamento de Jornalismo, no Bloco B da UEPG Campus Central, localizada na Praça Santos Andrade, 01 – Centro, Ponta Grossa – PR.

Por Leonardo Alexandre

 Quadras públicas em Ponta Grossa: entre o abandono e a desigualdade urbana

Um giro por quadras públicas de Ponta Grossa revela mais do que espaços de lazer, escancara uma cidade desigual. Observando extremos da cidade, nos bairros do Centro, Oficinas, Uvaranas e Cará-Cará, as diferenças estruturais mostram quem tem acesso digno ao esporte e quem fica à margem.

No Centro, foram identificadas ao menos 6 quadras, entre society’s e quadras abertas, com condições básicas de uso, como pintura visível e iluminação. O público é diverso, incluindo jovens e trabalhadores. Os locais fornecem banheiros, o que contribui para a permanência de quem frequenta. 

Em Oficinas, cerca de 5 quadras apresentam desgaste e improviso. Os usuários precisam montar a estrutura, com restos de entulhos para se divertir. O uso é, em grande parte, de adolescentes e concentrado em horários específicos. A ausência de banheiros reforça a falta de estrutura para permanência.

Em Uvaranas, com aproximadamente 4 quadras observadas, o abandono é mais evidente, com falhas na iluminação e no piso. Crianças e jovens ainda ocupam esses espaços, mesmo sem condições adequadas. Banheiros praticamente não existem.

No Cará-Cará, foram observadas  cerca de 3 quadras onde predominam estruturas deterioradas e pouco uso. Os locais são abandonados com mato alto e falta de fiscalização. Sem banheiros ou manutenção, o espaço afasta moradores.

A desigualdade entre regiões define quem ocupa esses locais. O que deveria ser direito ao lazer, se torna privilégio diante da ausência de políticas públicas contínuas.

Por Lorena Santana

Onde comer em PG: Dica de amigo ou apenas publicidade?

O grande dilema de perfis como o Onde Comer em PG é aquela linha tênue, eles indicam porque é bom ou porque o boleto caiu na conta? No caso do restaurante Seu Barzin, a diferença entre o post e a realidade ficou nítida. A página vendeu a ideia de que, se com um chef o negócio era bom, com dois ficou melhor. Mas a real é que quantidade não é sinônimo de qualidade.

Ter mais de 40 opções de petiscos no rodízio enche os olhos no Instagram, mas na mesa o sabor continua o mesmo, bem diferente daquela febre do início do restaurante. A mídia influencia como um braço do marketing, foca no volume para esconder que o tempero já não é o mesmo.

Foto: Divulgação/ Seu Barzin

Outro ponto que a crítica do perfil ignora é a experiência do bolso. O rodízio, que varia entre R$44,90 e R$49,90, ganha um adicional surpresa de R$10,00 de entrada obrigatória, uma manobra criativa para diluir o couvert artístico. Ver isso ser propagado como algo incrível, sem questionar a queda no sabor ou as taxas extras, mostra como o conteúdo muitas vezes abre mão da sinceridade em troca de parcerias. No fim, o público consome o espetáculo do post, mas o que chega no prato é apenas mais do mesmo, com uma conta mais cara.

Serviço: Seu Barzin localizado na Rua Riachuelo, 500, próximo a UEPG centro; Valor do rodízio de Segunda à Quinta e Domingo: R$44,90. Às sextas e sábados R$49,90. Valor da entrada fixo todos os dias R$10,00.

Por Pedro Moro

Viver agora e pagar depois: a Geração Z e o custo das experiências

Entre festivais, redes sociais e pertencimento, jovens transformam o endividamento em estratégia para participar e revelam novas formas de consumo e identidade em Ponta Grossa

O comportamento da Geração Z em relação ao consumo revela uma mudança importante: mais do que possuir, importa viver. A disposição de jovens para se endividar a fim de participar de festivais e eventos culturais expõe uma lógica em que a experiência se torna um capital simbólico central. Em cidades como Ponta Grossa, esse movimento ganha contornos ainda mais visíveis, pois evidencia tensões entre o desejo de pertencimento e as limitações financeiras.

Dados indicam que uma parcela significativa dessa geração recorre ao parcelamento para garantir presença nesses espaços. O crédito, nesse cenário, deixa de ser apenas uma ferramenta econômica e passa a funcionar como mecanismo de inclusão cultural. Estar em um festival não significa só lazer, mas também visibilidade social, produção de conteúdo e afirmação de identidade, impulsionadas pelas redes sociais e pelo medo de ficar de fora.

Essa valorização das vivências traz implicações importantes. A naturalização do endividamento como parte do estilo de vida jovem levanta questionamentos sobre educação financeira e insegurança econômica. 

Ainda assim, reduzir esse comportamento à irresponsabilidade seria simplista. Trata-se também de uma resposta a um contexto em que o acesso a bens duráveis é cada vez mais difícil, tornando a experiência um dos poucos espaços possíveis de realização.

A crítica revela, portanto, um paradoxo: viver intensamente o agora pode significar comprometer o depois, apontando para uma nova forma de entender consumo, identidade e pertencimento.

Por Maria Gallinea

Calças baggies, uma tendência dos anos 80, está em alta em 2026 

Calças baggies foi uma tendência que ganhou força nos Estados Unidos nas décadas de 1980 e 90 com representatividade de movimento de dança de rua

As Calças baggies são largas, ganharam  força nos Estados Unidos na década de 1980, dentro da cultura do movimento do hip hop. Os artistas da época, dançarinos, rappers e grafiteiros usavam as calças mais soltas, alegando que eram mais confortáveis para dançar. Elas são caracterizadas por um modelo mais amplo e solto no quadril e na barra. 

Frequentemente as calças baggies possuem uma cintura média, garantindo um visual mais estiloso. Porém, quando ela é do tamanho grande, as pessoas que tem a cintura muito fina, o cinto não resolve, então é necessário levar à costureira para fazer reparos e deixar de uma forma mais ajustada ao corpo da pessoa. 

Calça baggy com uma característica mais solta e despojada. Créditos/ TikTok:jeanfranco

As calças baggies são mais despojadas utilizadas também pela cultura do skate. Surgiu como uma forma de liberdade de expressão. No entanto, essa tendência foi absorvida pela indústria do consumismo, que quando viu toda essa popularização decidiu lucrar com as calças.

Por Lucas Barbato

Ficha técnica

Autores: Ingrid Müller, João Pimentel, Larissa Didres, Leonardo Alexandre, Lorena Santana,  Lucas Barbato, Pedro Moro e Maria Gallinea

Supervisão de produção: Paula Melani Rocha

Edição e publicação: Maria Fernanda Sperafico

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado

Contato: periodico@uepg.br

 

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