Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Giana dança com a nostalgia, mas não consegue escapar dela
Com 12 faixas, o álbum alterna desejo, desilusão e referências à cultura pop dos anos 2000
“FELÍDIA”, estreia de GIANA, entende que o pop também pode ser um exercício de memória, mas nem sempre consegue transformar memória em novidade. Ao recuperar a sonoridade e o imaginário dos anos 2000, a cantora constrói um disco sensual e radiofônico, sustentado por refrões imediatos e produção eletrônica. O problema é que a homenagem, em alguns momentos, parece satisfeita demais com a própria referência.

Créditos: Reprodução
O álbum cresce quando abandona a personagem autoconfiante para encarar suas contradições. “Ex Sozinha” e “Não Compensou Eu Te Amar” apresentam uma melancolia a uma obra preocupada em parecer divertida. Já “Gata Anos 2000”, com o rapper L7NNON, é o encontro mais eficaz entre conceito e música: há ali uma tensão de vozes que impede a faixa de ser apenas exercício de nostalgia.
GIANA tem personalidade vocal e sabe construir canções pop. Falta ao disco uma ruptura capaz de fazer a linguagem sobreviver às referências utilizadas. “FELÍDIA” é uma estreia competente de sua estética, mais interessada em revisitar um imaginário do que em transformá-lo. Seu próximo desafio é fazer com que a nostalgia deixe de ser ponto de chegada e se torne ponto de partida.
Por: Maria Gallinea

A liberdade do sarro
Desde 2017, o sarro reúne os jovens de Curitiba em raves e peças públicas
O “sarro”, estilo de dança de origem curitibana, toma conta das redes sociais. Influenciado pelo estilo de dança shuffle, ele faz parte da cultura de raves e da música eletrônica da cidade. Os jovens se reúnem em lugares públicos da capital, como o Largo da Ordem e o Park Art, para mandar o sarro.
Esse estilo de dança é caracterizado pelos movimentos rápidos com as mãos e os pés, mas também pela liberdade de expressão nos passos como marca registrada. As diferentes vertentes de música eletrônica, ao qual o sarro se adapta, permite que os dançarinos criem uma dança única. A modalidade viralizou no tiktok em 2024 e se espalha pelo país desde então.
Além da dança, dançarinos do sarro são caracterizados pelas vestimentas e gírias. Julietes, correntes de prata e bermudas de seda são alguns dos elementos mais utilizados. A subcultura curitibana é semelhante ao mandrake paulista pelas gírias e estilo de festas, os chamados bailes.
O sarro desafia os ideais tradicionais de dança que prezam pela técnica dos passos. A liberdade de improvisação nos movimentos permite a participação de diferentes públicos. A experiência coletiva é mais importante do que a execução técnica perfeita, o que faz do sarro um movimento cultural maior do que apenas a dança.
Por: Amanda Los

Diretamente da passarela rural
Regulamentada desde 2014, a exposição de animais em feiras segue gerando debate sobre o bem-estar animal
A exposição de animais em eventos e feiras agropecuárias envolve deslocamento, confinamento em espaços reduzidos por horas ou dias que podem gerar estresse, alteração hormonal e no comportamento, além da má alimentação. Apesar disso, exposições têm uma regulamentação, a resolução 1069/2014 do Conselho Federal de Medicina Veterinária estabelece diretrizes de bem-estar para animais em feiras e parques de exposição, mas não proíbe nem limita essa atividade.
A Agroleite, por exemplo, acontece anualmente em Castro e é um dos maiores eventos do ramo leiteiro da América Latina, onde movimenta milhões na cadeia do agronegócio. Na edição anterior, o evento bateu recorde e movimentou R$969 milhões. O Torneio Leiteiro, parte da programação do evento, envolve três dias de ordenhas disputando o maior volume total de leite produzido. A vaca campeã de 2025 sustentou média de 99 litros por dia, número tratado como eficiência genética e produtiva.
Por trás da eficiência genética celebrada em eventos como Agroleite e a Expointer, onde os veterinários apontaram atenção para as mudanças climáticas bruscas que podem afetar os animais, existem bichos expostos ao seu limite, sob regras que autorizam, mas não discutem o custo.
Por: Mafe Sperafico

Ambiente de insegurança
Parque Ambiental não cumpriu o papel de ser um espaço de lazer para a população devido a situações de violência
Localizado na região central de Ponta Grossa, o Parque Ambiental é uma das maiores praças públicas do município. A antiga área da Rede Ferroviária Federal é a área de lazer para a população ao lado do terminal central.
Apesar do posto da guarda municipal, a falta de iluminação e de patrulhamento não garante a segurança da população que frequenta o local. No ano de 2024, um jovem foi agredido por 10 adolescentes que davam cobertura a um assalto no local. O caso escancarou a insegurança do parque.

Ainda de acordo com os dados da Secretaria de Estado de Segurança, no primeiro semestre de 2026, foram 524 furtos na região central próximo ao parque ambiental e 72 roubos.
Por: Lucas Barbato

Quando o exagero chega à mesa
Bolo de 14 quilos chama atenção pelo tamanho e pela proposta, mas preço de R$ 35 pela fatia coloca a experiência à prova
A Essência Confeitaria não parece interessada em fazer bolos discretos. O maior exemplo é o bolo gigante de pudim, com 14 quilos, 24 pudins na cobertura e ainda pudim no recheio. A ideia impressiona e rende fotos, mas o tamanho também levanta uma questão: até que ponto o exagero melhora o sabor?
Na primeira garfada, a combinação é cremosa e bastante doce. O pudim quebra um pouco a textura tradicional do bolo, mas a quantidade de açúcar pode cansar antes mesmo de a fatia terminar. É uma sobremesa que funciona melhor para quem procura uma experiência diferente e chamativa do que para quem prefere equilíbrio entre os sabores.
E existe outro exagero: o preço. R$ 35 por uma fatia coloca a sobremesa em uma faixa que exige mais do que uma apresentação bonita. A proposta é criativa e certamente foge do padrão, mas, para conquistar também pelo paladar e não apenas pelas redes sociais, a Essência poderia apostar um pouco mais no equilíbrio entre sabor, tamanho e preço.
Por: Ingrid Müller

Do superfaturado ao brega
Calçado de plástico e copão térmico possuem as mesmas estratégias predatórias e capitalistas no mercado internacional
Terence Reilly foi o executivo responsável por estabelecer as marcas Crocs e Stanley no comércio global. As peças viralizam nas redes sociais e se tornam itens de grande interesse de consumo, principalmente por parte dos jovens. A mudança de estratégia de marketing da Crocs, em 2013, e da Stanley, em 2020, Terence popularizou os acessórios e ampliou ainda mais a lógica capitalista dos itens.

Crédito: Lexi Gardner
Com preços exagerados e dinâmicas predatórias, ambos os produtos apresentam semelhanças, apesar de tão diferentes. Tanto um quanto o outro incentivam a compra de itens adicionais, ou complementares. Como se você comprasse o acessório do seu acessório. A crocs, por meio dos jibbitz, pins encaixáveis no calçado, chama a atenção à expressão e a autenticidade. Já a Stanley, vende formas de gelos no formato do copo, encaixes de silicone e bolsinhas e alças para as garrafas.
Os itens podem até ter saído do brega e alcançado o público comum, porém sustentados pelos preços abusivos e pelo boca a boca digital. Com isso, as marcas não temem em cobrar R$ 350 em um copo ou R$ 300 reais por um calçado de plástico, pois sabem que mesmo com esses preços, o interesse não cai. No primeiro semestre deste ano, a Crocs teve um aumento de 12% de vendas. Ambas continuam apostando em modelos novos que viralizem, em parceria com grandes marcas e em preços elevados.
Por: João Pimentel

O poder da influência digital
Pesquisa aponta que o Brasil possui 3,8 milhões de criadores de conteúdo digitais
De acordo com o levantamento do Centro de Estratégia e Regulação (Reglab), em 2026 o Brasil é o país que mais possui influenciadores digitais no mundo, mas quais são os limites dessa influência? Existem vários nichos de produção de conteúdo nas redes sociais e um crescimento de vídeos relacionados à religiosidades, sobretudo cristãs.

Crédito: Karine Santos
Família tradicional composta por um homem e uma mulher cisgêneros, e com filhos, rotina “exemplar” e discurso de subserviência da mulher em relacionamentos, esses são exemplos de como são os conteúdos. É o caso de Frei Gilson, com 13,2 milhões de seguidores em apenas uma rede social, o religioso católico influencia milhares de pessoas com seu discurso em benefício próprio.
Muitos conteúdos aparecem como expressões particulares de fé, porém outros usam como tentativa de evangelização ou de sensacionalismo religioso com interesses financeiros e políticos. Enquanto o país não regulamentar o que pode ou não ser publicado nas redes sociais, influenciadores lucram R$ 20 bilhões por ano com publicações apelativas que manipulam a opinião pública.
Por: Karine Santos
Ficha técnica
Autores: Maria Gallinea, Amanda Los, Mafe Sperafico, Lucas Barbato, Ingrid Müller, João Pimentel e Karine Santos
Supervisão de produção: Paula Melani Rocha
Edição e publicação: Karine Santos
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Muriel Emídio Pessoa do Amaral
Contato: periodico@uepg.br
