O Museu

Museu

No final da década de 1940 um grupo de intelectuais radicados em Ponta Grossa fundou o Centro Cultural Euclides da Cunha. Entidade que tinha com suas principais preocupações discutir questões culturais, históricas e identitárias envolvendo Ponta Grossa, os Campos Gerais e o Brasil, o Centro contava entre seus integrantes com professores, jornalistas, advogados, médicos, padres, farmacêuticos, músicos eruditos, etc. 

 No ano de 1948, um grupo de militantes filiados ao Centro Cultural iniciou uma campanha para a criação de um museu histórico. Naquele momento apenas as capitais brasileiras e algumas poucas cidades do interior contavam com faculdades ou universidades, e os museus eram vistos como espaços essenciais para disseminação da ciência, do conhecimento histórico, da cultura e da erudição. Naquele mesmo ano, tendo como local a sede do Centro Cultural, Ponta Grossa passou a contar com um pequeno museu que se estruturou a partir de duas sessões: a de arqueologia e cultura material indígena e a de história natural. Essas coleções foram constituídas a partir do intercâmbio existente entre os membros do Centro Cultural Euclides da Cunha com intelectuais vinculados a outras instituições de natureza similar espalhados pelo território brasileiro. 

 Pouco depois, em 1950, um decreto estadual autorizou a criação da Faculdade de Filosofia de Ponta Grossa (FAFI). Coincidentemente, muitos dos integrantes do Centro Cultural foram convidados para fazer parte do corpo docente da Faculdade e acabaram propondo que o museu fosse cedido (em termos legais e de estrutura) para a nova Faculdade, fato que ocorreu nesse mesmo ano. Como a FAFI funcionava improvisada no Colégio Regente Feijó, maior escola pública de Ponta Grossa na época, não existia uma sala específica para abrigar as coleções do museu e as mesmas ficaram expostas nos corredores do educandário. Mais tarde, em 1969, um decreto estadual criou a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), instituição que incorporou a estrutura da Faculdade de Filosofia e, portanto, o museu. 

 Apesar de funcionar em prédio próprio, inicialmente a UEPG não dispôs uma sala ou espaço específico para abrigar o museu, neste momento já vinculado ao Departamento de História da instituição. Somente no ano de 1983, após o prédio histórico do Fórum ter sido repassado pelo poder judiciário à UEPG é que o museu se estruturou em uma sede física própria e recebeu a denominação que possui até hoje: Museu Campos Gerais. 

 Até 2003 o Museu funcionou no prédio do primeiro Fórum de Ponta Grossa cedido pelo Poder Judiciário. Por conta da má conservação do imóvel houve a necessidade de sua transferência para uma construção que pertence ao banco Itaú e que foi cedido em comodato para a UEPG. Localizado na mesma quadra do prédio original do Museu, o espaço é composto por três pavimentos assim distribuídos: 

– Piso térreo: Recepção, Salão Saint-Hilaire, Arquivos Históricos Hugo Reis, Espaço Cultural Debret, Auditório Brasil Pinheiro Machado. 

– Segundo piso: Área administrativa e Reserva Técnica. 

– Sub-solo: Depósito.

 

Auditório Brasil Pinheiro Machado

 

Salão Saint-Hilaire

 

Salão Saint-Hilaire

 

Arquivos Históricos Hugo Reis

 

Arquivos Históricos Hugo Reis

 

Reserva técnica da atual sede do Museu Campos Gerais

 

Sala administrativa da atual sede do Museu campos Gerais

 

Atuação

 

Atualmente o Museu Campos Gerais, na condição de museu universitário atua em duas frentes principais: 

  1. atendimento a pesquisadores: os centros documentais do Museu – denominados de Arquivos Históricos Hugo Reis – possuem acervos de jornais locais regionais, revistas raras, fotografias, negativos, documentações institucionais, um núcleo de história política, a biblioteca pessoal do escritor Wilson Martins, etc.. Essa documentação serve como fonte para pesquisadores de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) de áreas diversas, como a história, o jornalismo, as letras, o direito, a arquitetura, a geografia, a pedagogia, etc. Há no Museu uma sala destinada exclusivamente para uso dos pesquisadores, com estrutura física básica e rede wi-fi gratuita. 
  2. exposições: abertas ao público em geral, atualmente o Museu conta com quatro exposições, com destaque para a mostra individual do fotógrafo português Orlando Azevedo chamada “Paraná: a fotografia de Orlando Azevedo” e para a exposição “Intelectualidades: a trajetória de Wilson Martins”. Com periodicidade variada, as exposições atendem a um público amplo, mas são bastante visitadas por escolas e por cursos superiores locais. Em 2018 o livro de visitas das exposições do Museu chegou a mais de 6.000 pessoas. No que respeita a sua reserva técnica, o Museu possui cerca de 13.000 itens, o que possibilita a troca periódica das exposições ofertadas ao público. 

 

Com vistas a uma reestruturação física e conceitual, o Museu Campos Gerais ficou fechado entre novembro de 2018 e abril de 2019. A partir de sua reabertura o Museu passou a um projeto cultural amplo que busca garantir a revalorização do centro histórico de Ponta Grossa (em consonância com as políticas da Fundação Municipal de Cultura de Ponta Grossa).  

 

Importante destacar que, por uma questão de princípio, todas essas atividades ofertadas são integralmente gratuitas e abertas ao público em geral, sem qualquer restrição social, política ou ideológica. 

Outra ação referencial do Museu Campos Gerais diz respeito ao processo de digitalização de acervos. Esse trabalho ocorre desde 2015, mas foi a partir de 2018 que ganhou formato e avançou no sentido de democratização da informação. 

 Com base em uma série de softwares livres que garante a operacionalidade do processo, documentos do próprio Museu e de outros espaços arquivísticos e museais da região dos Campos Gerais (Casa da Memória Paraná, Centro Cultural Castrolanda, Centro de Documentação do Departamento de História UEPG) tem sido digitalizados, tratados e recentemente começaram a ser disponibilizados na plataforma www.memoriasdigitais.uepg.br para livre consulta de pesquisadores e leigos. O objetivo é digitalizar todo acervo documental do Museu Campos Gerais, permitindo que o mesmo seja consultado sem custos por qualquer pessoa. 

 

Central de digitalização – Museu Campos Gerais

 

Central de digitalização – Museu Campos Gerais

Central de digitalização – Museu Campos Gerais

 

Sede histórica do Museu Campos Gerais 

O edifício do antigo Fórum foi inaugurado em 4 de janeiro de 1928, numa grande festa na cidade. Compareceram representantes do Poder Judiciário e personalidades ponta-grossenses do meio político, econômico e social. Em 1983, o Fórum é transferido para outro local e o prédio passa a ser sede do Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa. 

O projeto arquitetônico do edifício do antigo Fórum é de responsabilidade do engenheiro Ângelo Lopes. A constrição do prédio coube a Paulo Ferreira do Valle, construtor também de outros prédios públicos e particulares da cidade, como a mansão Vila Hilda (onde atualmente funciona a Fundação Municipal de Cultura de Ponta Grossa)  

O trabalho de arte das fachadas foi executado por Rodolpho Roedel e pelos irmãos Max e Alberto Wosgrau, considerados os mais renomados mestres pedreiros da época. A parte de carpintaria, como portas, janelas e escadas, foi executada por Roberto Amadio. O grande portão de ferro da entrada foi trabalhado por Rodolfo Metzentin, que na época era responsável pela confecção de gradis, chapas de fogão, etc. 

As decorações dos tetos da sala do Júri, do saguão superior e da entrada representam trabalhos de relevos arquitetônicos produzidos por Luiz Collares, que tinha por ajudante Vicente Madalozzo. 

O processo de tombamento do prédio pelo patrimônio cultural do Estado registra o seguinte histórico do edifício: 

 

Ocupando terreno de esquina, sem recuo das testadas, o edifício ostenta uma fachada trabalhada em massa segundo um vocabulário diversificado, como de praxe no ecletismo em voga na época. Sobreelevado do nível da rua por um soco, o 1º pavimento, com a fachada tratada à bossagem, é ritmado por sequência de vãos com arquivolta, destacando-se entrada com grande porta vazada de ferro.  

 O pavimento superior apresenta sequência dos vãos idêntica à de baixo, mudando porém a forma para retângulos de cantos curvos. Destacam-se as duas janelas rasgadas abertas para as sacadas sobre a entrada e na esquina. O coroamento é feito por cornija denticulada e platibanda ornamentada com baixos-relevos de desenho geométrico. Destacam-se os frontões que interrompem as platibandas: um triangular, pontuando o eixo da entrada do edifício; e os outros três, curvos nas extremidades e na esquina.

O ritmo das fachadas é marcado por pilastras, sendo que algumas percorrem-nas da base à cornija e outras enquadram só os tramos do pavimento superior. São pilastras com caneluras rasas e capitéis toscanos.

 

No ano de 2010, a Pró-reitoria de Extensão entrou com um pedido de reforma no prédio histórico por meio da Lei Rouanet. Em 2011 o projeto recebeu uma única doação no valor de um milhão de reais (repassados pela Caixa Econômica Federal), o que possibilitou uma intervenção na estrutura do prédio (forro, vigamento e telhado), pintura externa e pintura interna do pavimento térreo. Essa reforma foi importante para garantir a manutenção mínima da construção, no entanto, o valor não foi suficiente para que ele fosse reaberto como Museu.

No projeto original enviado para a Lei Rouanet constava a construção de um anexo (nos fundos do prédio histórico) com quatro andares, no qual seria estruturada a reserva técnica do Museu e aberto um café que abrigaria atividades culturais diversas. O objetivo, desde então, era de que o Museu/café se configurasse num espaço de produção cultural permanente, atendendo segmentos e interesses sociais e culturais diversos. Pelo projeto original, mostras fotográficas, círculos de leitura, palestras, exposições artísticas seriam alocadas no café com objetivo de dinamizar as práticas culturais no centro histórico de Ponta Grossa. Como não se conseguiu mais recursos, após a reforma realizada em 2011, o prédio histórico do Museu Campos Gerais foi fechado para a visitação.

Em 2019 foi montado um novo projeto, o qual foi submetido ao Fundo Nacional de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e foi contemplado com a liberação de dez milhões e quinhentos mil reais para a execução do restauro do prédio. A previsão é de que o Museu Campos Gerais volte para a sua sede original no ano de 1922.