Número reduzido de membros afeta Empresas Juniores de Ponta Grossa

Número reduzido de membros afeta Empresas Juniores de Ponta Grossa

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Falta de interesse, pressão e acúmulo de atividades são alguns dos motivos para a baixa adesão

As Empresas Juniores (EJs) tiveram uma perda de quase 50% dos membros desde o ano passado. A falta de interesse de calouros, a pressão e o acúmulo de atividades colocam em risco o funcionamento de EJs que estão há anos no mercado. Ponta Grossa possui 12 EJs federadas, que trazem resultados como retorno para a imagem da universidade, investimentos nos respectivos departamentos e oficinas de estudos para os membros. A queda no interesse preocupa a comunidade universitária envolvida nas atividades das EJs.

As EJs são associações sem fins lucrativos, que possuem atividades de consultorias desenvolvidas para empresas seniores, com um custo mais baixo do que as oferecidas pelo mercado. Elas buscam fomentar o aprendizado prático de estudantes, aproximar e familiarizar os acadêmicos com o mercado de trabalho, ensinar a gerir e elaborar projetos na área de formação. “Além do conhecimento técnico adquirido gratuitamente e através da prática com projetos reais, proporcionamos experiência em vivência empresarial”, afirma a presidente da Empresa Júnior de Engenharia Civil da UEPG – Engenium, Fernanda Meneghini.

Presidente da Empresa Júnior de Engenharia Civil, Fernanda Meneghini realizando consultoria

A Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná (FEJEPAR) possui atualmente 142 EJs colaboradoras. De acordo com o portal do Brasil Junior, a FEJEPAR encerrou o primeiro trimestre de 2023 em 6° lugar no ranking nacional de faturamento da rede com uma arrecadação de R$679.952,18. Entretanto, com a baixa adesão de membros,  empresas como a EMa-Jr, fundada em 2001, e a Engenium, que atua desde 2016, correm o risco de não atingir metas e não ter uma melhora no desempenho, o que não atende  ao resultado esperado pela federação.

A baixa na entrada de alunos na graduação de Engenharia de Materiais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), afetou diretamente a adesão na EMa-Jr, empresa do curso. Das 50 vagas anuais oferecidas anualmente pela UEPG para formação na área,  somente  22 vagas foram preenchidas para o ano letivo  de 2023. No processo seletivo deste ano para a empresa júnior, cerca de 15 pessoas participaram. “Para fazer comparação, em 2018 tivemos 54 pessoas no processo seletivo. Hoje em dia não temos nem 54 pessoas no primeiro e segundo ano juntos do curso”, afirma o presidente da EMa-Jr, Gabriel Correia.

Reunião de alinhamento para novos projetos da Empresa Júnior de Engenharia de Materiais EMa-Jr

Para a ex-membro da EMa-Jr, Lara Giordani, que atuou durante três anos na iniciativa, sendo um como diretora presidente (2022), o Movimento de Empresas Juniores (MEJ) acrescenta na vida pessoal e profissional dos acadêmicos, porém é desgastante. “A EJ depende de muita energia e tempo, então eu tive alguns problemas para conciliar as atividades na empresa e no curso. Dei uma largada no curso, tanto que agora estou sofrendo as consequências, tendo que correr atrás do prejuízo, porque eu optei em priorizar a EJ”, relata.

Mesmo com algumas dificuldades, as EJs proporcionam uma experiência profissional complementar ao curso de graduação. É possível colocar em prática,  o aprendizado que o acadêmico adquire durante o curso, além de desenvolver habilidades de liderança e proatividade. “Muitas vezes você chega no quinto ano e não sabe como uma empresa funciona, e não tem o conhecimento nas áreas de RH, marketing, vendas, entre outros. Quando você faz parte de uma empresa júnior, você entra em contato com algumas técnicas, que se não participasse não iria saber”, explica Correia.

Os processos seletivos são baseados nos processos realizados por empresas seniores, porém possui algumas especificidades de acordo com as necessidades das EJs. A Engenium realiza a seleção uma vez ao ano. Para ingressar na Engenium, por exemplo, o acadêmico não precisa ter experiência, pois são realizados treinamentos para os novos integrantes e, ao ingressar, os membros realizam iniciativas de acordo com a área de atuação. “Temos times de projetos de 3 a 6 membros que trabalham nas etapas da execução. Porém como somos acadêmicos, contamos com um professor que nos auxilia e nos representa perante a sociedade e as instituições”, esclarece Fernanda Meneghini.

Ficha técnica

Reportagem: Janaina Cassol
Foto: Janaina Cassol
Edição e publicação: Ana Luiza Bertelli e Janaina Cassol
Supervisão de produção: Luiza Carolina dos Santos
Supervisão de publicação: Cândida de Oliveira e Muriel E.P. Amaral

 


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