Crítica de Ponta #169

Crítica de Ponta

Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!

Entre a teoria e o cotidiano: o peso da desigualdade

Livro analisa a divisão do tempo entre trabalho remunerado e tarefas domésticas nas famílias brasileiras. 

 

A divisão do tempo entre trabalho remunerado e tarefas domésticas revela um cenário desigual entre homens e mulheres. A diferença, que atravessa o cotidiano das  famílias brasileiras, é o ponto central do livro Trabalho e responsabilidades familiares, de Volney Campos dos Santos.

O autor aborda atividades comuns, como cuidar da casa, dos filhos e conciliá-las com o trabalho. A partir de dados e estudos da área, o livro mostra que a divisão do tempo se mantém ao longo dos anos, indica que a desigualdade não está apenas no mercado de trabalho, mas também dentro da família. 

Crédito: divulgação

Ao longo da obra, o autor reúne dados sobre a participação feminina no mercado de trabalho, especialmente a partir da década de 1970, além de conceitos como divisão sexual do trabalho e referências de pesquisadoras da área de gênero. Em alguns trechos, essas informações aparecem juntas em um mesmo parágrafo. O que fortalece a análise,  pode deixar a leitura mais lenta e exigir mais atenção para acompanhar as ideias. 

Durante o VII Ciclo Descomemorar Golpes, realizado em abril de 2026, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, o livro foi apresentado entre os lançamentos editoriais do evento. 

 

Serviço:

Livro: Trabalho e responsabilidades familiares: desigualdades entre homens e mulheres no uso do tempo

Autor: Volney Campos dos Santos

Acesso: https://www.editorafi.org/ebook/c246-trabalho -responsabilidades-familiares

Por Yasmin Salgado

Dança em Ponta Grossa cresce, mas carece de dados

Mesmo com o interesse de moradores e a existência de projetos e escolas de dança,  Ponta Grossa não possui pesquisas, dados e informações consistentes sobre o número de participantes em eventos de dança.

 

Com uma pesquisa prévia sobre a dança em Ponta Grossa, é possível evidenciar que encontrar números concretos sobre o tema é extremamente difícil. No boca a boca, o interesse das pessoas em participar de oficinas, aulas e cursos de dança é inegável. Mas, então, por que é tão complicado manter indicadores e informações a respeito do público?

Um exemplo é o Setembro em Dança, festival nacional que, após dez anos de inatividade, retornou em 2021 e que, em 2026, registra outra mudança ao ser renomeado como “Ponta Grossa Festival de Dança”, com datas previstas para maio. Desde sua volta aos palcos da cidade, o número de inscritos tem crescido significativamente, assim como a oferta de cursos e a carga horária de atividades.

Crédito: Lucas Jolondek/Lente Quente

Em 2025, por exemplo, 8 das 11 oficinas disponíveis lotaram em menos de 24 horas, segundo informações da Prefeitura de PG. Ainda assim, a sistematização de dados do evento é praticamente inexistente. As informações divulgadas parecem cumprir mais o papel de promover a gestão pública do que o de documentar e fortalecer o cenário da dança. Para quem deseja compreender melhor a realidade local da dança, resta uma busca longa e pouco produtiva.

Por que, em uma cidade com tantos indícios de interesse pela dança, a arte ainda carece de visibilidade? De que adianta concentrar atenção apenas no mês de setembro? Será que a quase ausência de dados e de valorização contribui para a percepção de um suposto desinteresse? Talvez seja por fatores como esses que artistas como Timothée Chalamet (por ocasião da premiação do Oscar 2026), destacam a impressão de que o balé e a dança já não despertam interesse público nos dias atuais. E, sem dados, a dança permanece invisível, mesmo quando está lotando salas.

 

Serviço:

Ponta Grossa Festival de Dança – edição 2026
Realização: Prefeitura de Ponta Grossa
Organização: Secretaria Municipal de Cultura
Informações: redes sociais e site oficial da Prefeitura de Ponta Grossa
Período: maio de 2026 (datas a confirmar)
Local: espaços culturais do município

Por Nathália Stupp

Um enfraquecimento da posição editorial dos espaços locais

Jornalismo opinativo e jornalismo crítico passam por tensionamentos pelos portais e jornais de Ponta Grossa

 

Uma análise das editorias dos portais Diário dos Campos (DCmais) e Jornal da Manhã/ARede, ao longo de três semanas, revela um cenário problemático para o jornalismo opinativo em Ponta Grossa. Enquanto o DCmais opta por terceirizar a seção de opinião a articulistas externos, a ARede tensiona os limites entre opinião e publicidade institucional. O editorial de jornal é um texto opinativo e argumentativo que expressa o posicionamento oficial do portal.

No DCmais, os textos apresentam diversidade temática e certo teor crítico, abordando desde inteligência artificial até questões jurídicas e educacionais. No entanto, a ausência de um editorial institucional enfraquece o papel do veículo como agente formador de opinião. Ao delegar a responsabilidade exclusivamente a colaboradores, o portal se isenta de assumir posicionamentos claros sobre temas locais e de interesse público, o que compromete inclusive sua identidade editorial.

Crédito: Diário dos Campos

Em contrapartida, o Jornal da Manhã, sob a assinatura da redação, aparenta ocupar o espaço institucional, mas frequentemente o faz de maneira questionável. Em diversas edições, é possível observar uma aproximação excessiva com a gestão pública municipal, resultando em textos que mais se assemelham à publicidade do que a análises críticas. A recorrente exaltação de ações da prefeitura, muitas vezes disfarçada de opinião, enfraquece a credibilidade do conteúdo e levanta dúvidas sobre a independência editorial do veículo.

Há exceções pontuais, como textos críticos sobre trânsito, que indicam potencial para um jornalismo opinativo mais consistente. Ainda assim, esses momentos são raros diante do volume de conteúdos com viés promocional.

Observa-se assim um impasse entre a pluralidade descompromissada do DCmais e a institucionalidade enviesada d’ARede, o leitor local carece de um espaço opinativo que seja, ao mesmo tempo, crítico, responsável e comprometido com o interesse público.

 

Serviço:

Os setores opinativos dos portais podem ser encontrados nos seguintes links: Diário dos Campos (DCmais); Jornal da Manhã/ARede. 

Por Nathália Stupp

Um PHONO sem música, o que mudou em 12 anos?

Tradicional bar do Centro de Ponta Grossa tem identidade cultural descaracterizada

 

Em uma cidade onde os espaços culturais independentes sempre foram limitados ao sertanejo, o PHONO PUB surgiu a 12 anos atrás com uma proposta diferente do tradicional. Desde o início, o bar se estabeleceu como um sinônimo de liberdade e diversidades musicais, oferecendo ao público experiências fora do padrão pontagrossense. 

Durante anos o espaço foi marcado pela presença de música ao vivo, abrindo portas para artistas locais diferentes e criando uma identidade cultural própria. Após a mudança de endereço da Balduíno Taques para a rua Doutor Penteado de Almeida, conhecida por ser próxima a UEPG, a dinâmica do bar foi se transformando. A frequência de shows foi diminuindo e o papel cultural que o bar desempenhava na cidade também. 

O que se observa atualmente é um público que permanece por motivos diferentes. A fidelidade já não está necessariamente ligada à vivência cultural alternativa que o espaço promovia, mas na memória do que era viver o PHONO da Balduíno Taques. A trilha sonora ainda está presente, mas sem a presença constante de apresentações ao vivo e o local corre o risco de se tornar apenas uma lembrança do que já representou. 

Até que ponto é possível sustentar uma identidade cultural baseada no passado? Mais do que manter um nome ou uma estética, espaços como esse exigem continuidade e reinvenção. Caso contrário, o que antes era referência pode acabar se tornando apenas mais um local comum. 

 

Serviço:

Para quem ainda não conhece o PHONO pub, ele está localizado na Rua Doutor Penteado de Almeida 158. 

Por Maria Eduarda Leme

A Magreza Extrema Voltou à Moda 

Pressão por beleza e magreza excessiva afetam a saúde física e mental das mulheres

 

A volta da magreza extrema não é só uma tendência estética, mas um reflexo de como o corpo feminino é tratado pela sociedade. A estética da magreza  dominou a década de 1990 e o início dos anos 2000, mas recentemente houve uma onda do movimento de positividade corporal, que celebrou curvas e diferentes tipos de corpo. Em 2026 constatasse a  volta de um velho padrão: a magreza excessiva como objetivo e sinônimo de beleza.

Crédito: Pietra Gasparini
Foto: Canva

Comerciais, redes sociais e programas de TV exibem corpos com uma magreza muitas vezes não saudável, mais próxima da fragilidade do que do bem-estar. O padrão parece vir de uma lógica patriarcal em que o corpo feminino deve ocupar o menor espaço possível. Mulheres precisam ser menores, mais frágeis e delicadas, independente do custo físico e emocional para alcançar a meta.

Como consequência, cresce também o uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 62% dos brasileiros conhecem alguém que usa ou já usou as canetas. Em Ponta Grossa, ao  andar pelo centro da cidade, as clínicas de emagrecimento chamam atenção, reforçando a ideia de que emagrecer virou quase uma obrigação. O corpo feminino deixa de ser apenas  corpo e passa a ser tratado como um projeto que precisa de correção constante. 

Por Pietra Gasparini

Um marketing (gratuito) de vestuário

  Você já usou alguma camiseta, blusa, calça que tem referência a algo que goste? Se sim, provavelmente já ouviu falar do merchandising.

 

O merchandising não é apenas de uma  camiseta ou blusa, e sim uma técnica de marketing que busca promover um produto, seja digital ou físico.

 A estratégia de marketing é muito utilizada por artistas ou bandas, para promover um álbum lançado recentemente ou deixar a lembrança de uma turnê memorável, como por exemplo a banda System of a Down, na turnê WAKE UP!, comercializaram camisetas em lojas digitais e especializadas sobre os locais dos shows.

Os jogos digitais aproveitam da mesma estratégia para vender produtos que podem até mesmo aparecer nas telas, no jogo Spider-man 2 em parceria com a marca Adidas, lançou um tênis que é o mesmo que o personagem utiliza no jogo.

Crédito: Roberto Indzejack

Crédito: Roberto Indzejack

A prática de venda de produtos no vestuário é comum, normalmente pode encontrar alguns fãs por aí usando as roupas, mas é inegável que o costume não é pra todos.

Os preços de produtos de um merch oficial são caros, justamente por ser produzido em grande escala para o público, além dos direitos autorais relacionados a marca e também a exclusividade de uma edição limitada, o que aumenta o desejo dos fãs por algo mais único e especial. 

É interessante poder usar uma roupa de jogo digital, álbum, cantor favorito, mas a falta de uma maneira acessível para comprar o produto, acaba por limitar as vendas e levar as pessoas a comprarem cópias que, às vezes, não têm a qualidade esperada.

Por Roberto Indzejack

Ficha técnica

Autores: Maria Eduarda Leme, Nathália Stupp, Pietra Gasparini, Roberto Indzejack e Yasmin Salgado

Supervisão de produção: Sérgio Luiz Gadini

Edição e publicação: João Pimentel

Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado

Contato: periodico@uepg.br

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