Crítica de Ponta
Produzido pelo terceiro ano do curso de Jornalismo da UEPG, o Crítica de Ponta traz o melhor da cultura da cidade de Ponta Grossa para você!
Baixa adesão à leitura contrasta com procura por livros do vestibular em PG
Mesmo com 70 mil exemplares, os livros mais procurados na Biblioteca Pública são os cobrados no vestibular da UEPG.
Os três livros mais emprestados em 2025 na Biblioteca Municipal de Ponta Grossa são obras cobradas na prova do vestibular da UEPG. No ano passado foram emprestados 2.160 livros, Olhos d’água, de Conceição Evaristo, Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, e Sentimento do Mundo, do escritor Carlos Drummond de Andrade, foram os mais procurados na Biblioteca em 2025.
Com 37, 25 e 23 empréstimos respectivamente, o perfil de leitor ponta-grossense é voltado para o estudo, sem predominância de outros gêneros como romance e ficção. O acervo da Biblioteca Pública Municipal Bruno Enei consta hoje com cerca de 70 mil exemplares, todos disponíveis para o uso. A atualização do acervo ocorre através do processo chamado Desenvolvimento de Coleções, que visa garantir os interesses da comunidade, além da doação de livros.

Crédito: reprodução
A leitura como estudo é uma ferramenta essencial, mas quando usada como forma de lazer e entretenimento, constata-se uma motivação do leitor quando se trata do gosto pela literatura e os diversos gêneros. Segundo estimativa do IBGE em 2025, Ponta Grossa tem 375 mil habitantes, destes apenas 1,7% são cadastrados na biblioteca, somando 6.433 usuários.
Os empréstimos não chegam a 50 por exemplar, o que indica uma indiferença dos cidadãos do município com a leitura. Uma realidade que se repete em todo país. Dados do último ano da Agência Senado mostram que o número de não leitores representa 53% da população brasileira.
Serviço:
Biblioteca Municipal de Ponta Grossa: Rua Frederico Wagner, Olarias
Horário de funcionamento: das 9h às 18h
Mesmo com 70 mil exemplares, os livros mais procurados na Biblioteca Pública são os cobrados no vestibular da UEPG.
Por Emanuelle Pasqualotto
Como o rock independente resiste e cresce em Ponta Grossa?
Dados do Spotify mostram alta de 21% no consumo do gênero pela Geração Z, e bandas locais como a Genesis Serpent apostam no estilo para conquistar o público
Durante os anos 1990, rock e grunge eram o momento, e estavam em alta entre o público jovem. Com o passar dos anos, o estilo musical que era aclamado foi deixado para trás, dando espaço para a ascensão de gêneros como o pop. Mas segundo dados do Spotify, pessoas nascidas entre 1997 e 2012 escutaram 21% mais rock em 2025 do que em relação a 2023. Esse aumento acontece pela tendência jovem em querer viver uma década que não vivenciou, ressuscitando costumes como comprar discos de vinil e CDs.
Outro motivo para o aumento do consumo se encontra nas redes sociais, onde músicas viralizam de forma rápida, vale ressaltar que apenas no ano passado, publicações com a hashtag rock registraram um aumento de 23% nas buscas no Brasil, a hashtag reúne mais de 11,5 milhões de publicações.

Crédito: Luiz da Luz/Lente Quente
Em Ponta Grossa, o cenário do rock se mantém vivo, com bares de música ao vivo e eventos como Sexta às Seis, onde bandas originais do município se apresentam. Entre as bandas que se apresentam pela cidade temos Genesis Serpent, formada em 2024 e composta por vocal, baixo, guitarras e bateria.
A banda lançou o primeiro single no segundo semestre de 2025 chamado Running Away, a música conta com uma batida elétrica e energética. A letra aborda como os sentimentos podem ser intensos e é composta por um vocal inteiramente em inglês. Como toque final, a banda aposta em um solo com as duas guitarras, uma boa pedida para quem curte o estilo power metal.
Serviço:
Running Away – Genesis Serpent, Spotify.
Por Sarah Brasil
Entre preço e qualidade, Esquina do Sabor vira opção para estudantes da UEPG Centro
Onde pagar menos para comer no entorno do Campus Central da UEPG?
A lanchonete Esquina do Sabor, localizada nas proximidades da UEPG Centro, é uma das opções frequentadas pelos estudantes que buscam refeições rápidas entre as aulas. Com um cardápio variado que inclui salgados fritos, assados, lanches e bebidas, o estabelecimento se destaca por oferecer produtos acessíveis em um ambiente marcado pela circulação de universitários.
Ao analisar os preços ofertados pela lanchonete, observa-se uma relação custo benefício favorável, se comparada com outros espaços comerciais da região. Os salgados fritos, por exemplo, são vendidos por R$5,00, enquanto no concorrente 1 custam R$6,80 e no concorrente 2 chegam a R$8,00. Por outro lado, os salgados assados são comercializados por R$8,00, valor equivalente ao do concorrente 2, e superior ao do concorrente 1, que vende os mesmos salgados por R$6,80. Ainda assim, a diferença nos demais produtos ajuda a manter a competitividade do estabelecimento.

Crédito: Natalia Almeida
Os lanches também apresentam preços inferiores aos dos concorrentes. Na Esquina do Sabor o X-Burguer custa R$12,00, enquanto no concorrente número 2 é vendido por R$15,00. A diferença é ainda maior no X-Salada, comercializado por R$12,00, contra R$18,00 no mesmo estabelecimento. Já o X-bacon custa R$15,00, cinco reais a menos que o outro estabelecimento. Em relação ao concorrente número 3, conhecido pela venda de fast food, é possível encontrar sanduíches a partir de R$13. Embora o preço seja semelhante, o tamanho e a composição dos produtos oferecidos pelo Esquina do Sabor resultam em uma percepção de maior vantagem para o consumidor.
Pela comparação realizada, o Esquina do Sabor parece oferecer um melhor custo-benefício entre as opções disponíveis no entorno da UEPG Centro. O estabelecimento se destaca pelo equilíbrio entre valor, variedade e qualidade dos produtos ofertados. Para o público universitário, que frequentemente busca refeições rápidas sem comprometer o orçamento, a lanchonete consolida-se como a melhor das alternativas.
A análise dos concorrentes considera a proximidade do local analisado, em uma distância estimada em três quadras.
| Produto | Esquina do Sabor | Concorrente 1 | Concorrente 2 | Concorrente 3 |
| Salgados fritos | R$5,00 | R$6,80 | R$8,00 | – |
| Salgados assados | R$8,00 | R$6,80 | R$8,00 | – |
| x-burguer | R$12,00 | – | R$15,00 | R$13,00 |
| x-salada | R$12,00 | – | R$18,00 | – |
| x-bacon | R$15,00 | – | R$20,00 | – |
Fonte: Natalia Almeida/Crítica de Ponta, 2026.
Por Natalia Almeida
Curta ponta-grossense “Flamingo” leva animação a Festival capixaba
O curta-metragem Flamingo, selecionado para a 8ª edição do FestCine Pedra Azul, no Espírito Santo, representa mais do que o reconhecimento de uma produção ponta-grossense. Com cinco minutos de duração e 6.442 desenhos feitos à mão, a obra de Alisson do Nascimento aposta em uma técnica chamada hachura, construída por linhas sobrepostas. As imagens que parecem rabiscos em constante movimento, com imperfeições que reforçam a presença humana.
Produzido pela Hachuras Studio em parceria com a Trilhá Projetos Culturais, o filme acompanha um personagem que percorre a cidade de skate. No começo, identificam-se alguns cenários urbanos de Ponta Grossa. Aos poucos os espaços desaparecem e restam apenas a personagem, o skate e o chão. No percurso surgem frases como “o fim da função é o começo do significado” e “o chão não é obstáculo, é linguagem”. As frases não surgem como legendas explicativas, mas ajudam a construir o sentido na narrativa. O skate deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser uma forma de observar e experimentar a cidade.

Crédito: reprodução
O nome do curta faz referência a uma manobra do skate freestyle, mas também dialoga com a proposta de brincar com significados e dar ao skate outros sentidos. Ao longo do filme aparecem símbolos que o espectador precisa se esforçar para reconhecer, o skate se transforma em rabiscos, em uma câmera de vídeo, em um cone de trânsito e em detalhes da arquitetura da cidade.
A seleção para o festival capixaba amplia a circulação da produção e mostra a força do audiovisual produzido fora dos grandes centros. Disponível gratuitamente no YouTube, o curta merece a atenção de quem se interessa por animação manual e produções regionais independentes.
Serviço:
Animação Flamingo (2025)
Produtor e Animador: Alisson Thiago do Nascimento
Diretora, Roteiro e Produção Audiovisual: Larissa Marli Clausen
Disponível em: https://m.youtube.com/watch?v=nDbgTBYYTNk&pp=iggCQAE%3D&ra=m
Por Pietra Gasparini
Fenômeno viral “67” destaca declínio cognitivo de jovens
O “67” (pronunciado em inglês como six-seven), um meme e gíria viral da internet, é febre entre a Geração Alfa e Z. A expressão surgiu de uma música do rapper Skrilla (“Doot Doot”), em que o musicista mistura vídeos sobre a altura de 2 metros (ou six feet seven inches, no sistema americano) de jogadores de basquete. Embora não tenha nenhum sentido real, tornou-se uma expressão utilizada por crianças e jovens.
No Brasil, o meme é usado como uma gíria e código de pertencimento, sendo repetido em voz alta acompanhado por um movimento frenético das mãos. Professores relatam frustração, pois os alunos começaram a gritar “six-seven” e a agitar os braços sempre que o número 67 aparece, o caso acontece até mesmo dentro das universidades, como a UEPG, se tornando uma preocupação em relação ao comportamento e a maturidade.

Crédito: João Pimentel
O movimento pertence ao Brain rot (ou apodrecimento cerebral), termo que descreve o declínio cognitivo e a exaustão mental causados pelo consumo excessivo de conteúdos digitais de baixa qualidade e vídeos curtos. O fenômeno reduz a capacidade de foco, causa dependência em dopamina e piora a memória e ganhou grande projeção ao ser eleito a palavra do ano pela Universidade de Oxford.
O comportamento levanta uma questão: Até que ponto a disponibilidade e acesso ilimitado a internet é benéfico? A falta de maturidade de jovens adultos em relação ao tema também é preocupante, ao continuarem propagando conteúdos de baixa qualidade a alimentando conteúdo viciosos, que se tornam cada vez mais despreparados para a realidade da maioridade.
Serviço:
Os memes “67” podem ser encontrados em redes sociais como Tik Tok, Instagram e Youtube.
Por Nathália Stupp
Ficha técnica
Autores: Emanuelle Pasqualotto, Natalia Almeida, Nathália Stupp, Pietra Gasparini, Roberto Indzejczak, Sarah Brasil, Yasmin Salgado
Supervisão de produção: Paula Melani Rocha e Sérgio Luiz Gadini
Edição e publicação: João Pimentel, Larissa Didres, Luiz Cruz e Matheus de Lara
Supervisão de publicação: Aline Rosso e Kevin Kossar Furtado
Contato: periodico@uepg.br





