Coluna

O jornalismo inclusivo: a importância da Libras na formação dos comunicadores

No dia 26 de setembro, celebramos o Dia Nacional do Surdo, uma data que nos convida a refletir sobre os desafios enfrentados por essa comunidade e, principalmente, sobre a inclusão e o acesso à informação. Segundo o IBGE (2022), no Brasil, o número de pessoas Surdas passa dos 10 milhões, e parte delas se comunicam através da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Por isso, garantir que essas pessoas tenham acesso igualitário à informação é fundamental em uma sociedade que busca, mesmo que a pequenos passos, a inclusão. Neste contexto, uma questão ganha relevância: os jornalistas, como profissionais da comunicação, precisam estar aptos a atingir todos os públicos, e isso inclui, dominar Libras.  O jornalista tem um papel de responsabilidade social por intermediar fatos e notícias. Contudo, esse papel só será cumprido de forma plena quando todos, sem exceção, tiverem acesso à informação. Por mais que o jornalismo tenha evoluído em... Continue reading

Caso Carlos Teixeira

Há poucos dias o caso do adolescente que perdeu a vida em decorrência de agressões por bullying veio à tona e torna-se impossível que o caso não choque a todos por tamanha tragédia. Adolescentes envolvidos em um crime, onde um deles teve sua vida interrompida. É importante levar em conta que a prática do bullying fala diretamente sobre o exercício de poder, prática que é incentivada em muitos âmbitos da sociedade desde os primórdios por adulto, logo, é reproduzida por crianças e adolescentes. Vivemos em uma sociedade que normaliza esse jogo, localizado em persuasão, maltrato, humilhação e agressão no âmbito profissional, estudantil e até mesmo no âmbito familiar, sempre direcionando para figuras que apresentam maior fragilidade, ou ainda, direcionado aquilo que foge à regra. Quando pensamos sobre o bullying propriamente dito, ouvimos pessoas justificando: “Sempre houve, na minha época não era bullying! Era normal apelidar e provocar!”. Não é estranho... Continue reading

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurobiológica caracterizada por desafios na interação social, na comunicação verbal e não verbal, e por padrões repetitivos de comportamento. Descrito pelo DSM-V (2018), como um dos Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado pelas dificuldades de comunicação e interação social e também os comportamentos restritos e repetitivos, pode ser definido como uma síndrome comportamental que compromete o desenvolvimento motor e psiconeurológico, dificultando a cognição, a linguagem e a interação social do sujeito. Por se tratar de um espectro, compreende-se que há um conjunto de informações desordenadas relacionadas ao neurodesenvolvimento, ou seja, indivíduos com TEA, conforme menciona o DSM-V (2018), apresentam dificuldades nas manifestações motoras, como realizar movimentos de coordenação motora fina e no aprendizado de habilidades motoras complexas. Apresentam discursos repetitivos, reação exagerada a estímulos externos, interesse intenso por alguns estímulos ao redor, rigidez extrema ou rituais relacionados com cheiros, texturas e aparência da... Continue reading

Somos eleitoras há 92 anos no Brasil

Apesar de ainda termos muito pelo que lutar, a conquista da participação feminina nas eleições trouxe uma perspectiva diversificada à política brasileira e deve ser lembrada e comemorada. Ninguém quer ficar de fora de uma conversa que vai levar à tomada de decisões importantes, que afetem suas vidas em todas as dimensões. Mesmo que seja por uma participação intermediada, todo mundo quer que seu ponto de vista seja considerado, que suas dificuldades sejam ponderadas, que oportunidades não sejam desperdiçadas e que sua voz seja ouvida. Assim também é com as eleições e as decisões da vida pública. A participação política é fundamental para uma sociedade democrática e deve ser justa, diversa e plural, tal qual é a sociedade. Por isso, deve ser incentivada e aberta a todo(a) cidadão(ã). Muitas vezes, é difícil entendermos a relevância de acontecimentos importantes derivados de lutas passadas, especialmente quando já estamos acostumados com as oportunidades... Continue reading

20 de Novembro – Dia da Consciência Negra e sua Importância

O Brasil é o pais que possui a maior população preta fora da África, com cerca de 56% do total de habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizado em 2022. Mas mesmo sendo a maioria, a população negra ainda é invisibilizada pela sociedade.  A data foi instituída pela Lei nº 12.519 de 2011. O texto tem a autoria da então senadora Serys Slhessarenko e tem como objetivo a memória da luta de Zumbi, líder quilombola morto em 1695 que tornou-se símbolo de resistência à escravidão no país. Porém, muitos pensam que a data é desnecessária e diminui a importância de um quantitativo tão importante da população brasileira. Vários se perguntam “qual a necessidade de uma data para celebrar a consciência negra?” A resposta para esta pergunta é complexa. O geógrafo e professor Milton Santos (1926 – 2001) proferiu em uma entrevista... Continue reading

Duas mães e uma bebê a termo ou quando os desejos se encontram em uma clínica de fertilização

Escrevo este texto no momento anterior ao grande encontro. Daqui no máximo dez dias nossa filha Rita chega ao mundo, embora sua existência já vibre em nós há pouco mais de nove meses. Essa poderia ser uma história de um amor que gerou frutos, mas prefiro pensar em uma história sobre descobertas de desejos escondidos, de um longo caminho médico e farmacológico, de um embrião que teve as primeiras células multiplicadas fora de nossos corpos, de duas mulheres empenhadas na vontade de ser mães e vivendo em um país que há pouco saiu do completo abismo. E olha que o abismo está sempre ali, um passo de distância. Poderia ser a história também de maternidades políticas e fora dos padrões ou até sobre uma cachorra mimada que vai ganhar uma irmã humana e até o momento nada se sabe sobre seu comportamento posterior. Essas são apenas algumas possibilidades entre tantas... Continue reading

COLUNA: Negritude e Resistência

A existência tem se colocado em nosso país como algo desafiador. Ser quem somos tem sido perigoso. Arrisco dizer que temos vivenciado em nosso cotidiano circunstâncias que, sempre existiram, e tem se tornado cada vez mais frequentes. Ser preto e preta no Brasil é arriscado demais. Sabemos que seja você quem for: de empregada doméstica a cantor (Seu Jorge nos dá o tom) enfrentamos  no nosso cotidiano intensas batalhas para existirmos. Por outro lado, se você não se identifica como preto ou negro no Brasil , o racismo mal bate a sua porta. Este fantasma simplesmente não existe.  Os noticiários evidenciaram nesta semana ( 17/10 á 23/10) crimes tipificados como racismo envolvendo brasileiros. O jogador da seleção brasileira de futebol Vinicius Junior  narrou ao Fantástico o aumento do crime de racismo no futebol (2). O atleta experienciou o racismo na Espanha. O influenciador digital Eddy Jr (3) também relatou que... Continue reading

8 de março não é uma data comemorativa!

No dia internacional da mulher, é fundamental a mobilização de toda a sociedade para o verdadeiro significado dessa data. Muito mais que parabéns ou felicitações às mulheres, o 8M representa um dia de luta, dentre muitos outros dias que batalhamos incansavelmente pelo direito de sobreviver e de viver.  Sobreviver porque somos alvo direto de uma estrutura patriarcal que através do machismo, racismo e lgbt+fobia. Estrutura essa que é dia a dia intensificada pela política do ódio sustentada por Bolsonaro e seus cúmplices.  O Brasil mata uma mulher a cada 2 horas. É o país que mais mata mulheres trans e travestis no mundo. A violência contra mulheres com deficiência também é expressiva e cresceu aproximadamente 70% durante a pandemia. E no que se refere a violência obstétrica no geral, 65,9% das vítimas são mulheres negras.  Desde nossos primeiros segundos no mundo, já somos subjugadas a uma série de opressões. Ditam... Continue reading

A doença é o preconceito e não o HIV

Após 40 anos dos primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (em inglês acquired immunodeficiency syndrome – Aids) nos Estados Unidos, muitas coisas mudaram. O que era tido como sentença de morte, hoje há remédios de tratamento contínuo que permitem uma vida e saúde normais. Não muito distante da Covid-19, o início da epidemia da Aids na década de 1980 também causou medo na população e alvoroçou a comunidade médica. Demorou a se descobrir um exame médico que identificasse o diagnóstico. As formas de transmissão ainda não eram claras e a exclusão e preconceitos recaíram sobre cinco grupos de pessoas. Os chamados 5H – homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e hookers (profissionais do sexo em inglês) – foram os mais acusados pela disseminação do vírus até se descobrir que heterossexuais, sejam crianças ou adultos, passaram a se contaminar. Mas a discriminação não acabou; não só a Aids levava à morte,... Continue reading

Coluna: “Cancelem o carnaval”: uma preocupação seletiva e racista

As redes sociais observam (ainda sem saber de onde vêm) uma escalada de postagens (algumas delas até mesmo patrocinadas) pedindo o cancelamento do carnaval de 2022 por prefeitos e governadores, apoiando-se numa perspectiva apocalíptica em relação a futuros casos de COVID-19 com a manutenção da programação das festividades. Nosso diálogo aqui não está interessado em advogar a favor da realização do carnaval passando por cima da ciência, uma vez que entendemos que quem garantirá ou não a realização da festa são os estudos e pesquisas de viabilidade e segurança sanitária. Somos provocados a rechaçar o oportunismo de muitos políticos e celebridades conservadoras em atacar uma manifestação popular cultural, política e comercial. O carnaval é brincado de maneiras distintas Brasil afora, por isso, peço licença para refletir a partir das escolas de samba. Sobre elas, lembre-se que as comunidades não desfilaram em 2021 e muitos baluartes levantaram a voz e pediram... Continue reading

Coluna | Entre liberdade de expressão e homofobia: existem limites!

Recentemente, o jogador de vôlei Maurício Souza fez algumas postagens em relação à bissexualidade de um personagem de histórias em quadrinhos. A postagem gerou uma movimentação nas redes sociais, na qual diversas pessoas, por um lado, pediam uma retratação e um pedido de desculpas por parte do jogador, ao afirmar que sua fala ultrapassava os limites da liberdade de expressão e se encaixava em um crime propriamente dito. Por outro lado, vozes conservadoras afirmavam que se trata do exercício da liberdade de opinião que deveria ser respeitada. Como resultado, o jogador foi demitido do Minas Clube – time no qual jogava profissionalmente – que afirmou não compactuar com as falas do jogador e defender a inclusão, a diversidade e demais causas sociais. Diante deste imbróglio, surge o embate jurídico-social que permeia as discussões atuais: tais falas são manifestação da liberdade de expressão ou crime de homofobia?  De imediato, é importante... Continue reading

Coluna: Homofobia: Ódio em forma de Preconceito

Temos assistido à desconstrução do humano pelas vertentes do moralismo. Isso adentra o pensamento coletivo e se apodera de valores, como liberdade individual, arbítrio, identidade e autorrealização que deveriam ser preservados pela sociedade em seu processo civilizatório. A sociedade, que se diz moderna, vive o paradigma da pós-verdade – estigma pelo qual os fatos são esfacelados pelo processo da modelagem da opinião pública por meio de emoções e crenças pessoais, em detrimento da objetividade – e chafurda na lama do obscurantismo, em um constante movimento niilista voltado contra a construção da identidade do ser humano. Isso tudo sob o estigma do conservadorismo fundamentalista, seja corporativo ou individual, que carrega em si o preconceito. A homofobia, nesta perspectiva é, nada menos, que o ódio em forma de preconceito. Isso é uma doença de uma sociedade que, em vez de repensar sua gênese universal, que é comum a todos do gênero humano,... Continue reading

Coluna: O Bolsonarismo errático contra tudo isso que está aí, de Direitos Humanos ao próprio Governo

  O bolsonarismo é um movimento antidemocrático, mas, principalmente, acéfalo, justamente porque seu líder não detém um projeto, a não ser o poder pelo poder, buscado sempre de modo errático. Se há três anos esta situação tem sido fatal para os Direitos Humanos e para a Democracia, pode também o ser para o próprio Governo. Senão, vejamos: 1) Bolsonaro, no último 07 de setembro, atentou contra a Democracia, incorrendo em crime de responsabilidade, ao dizer que não acatará sentença do Ministro Alexandre de Moraes (ou, na realidade, qualquer decisão judicial que o contradiga). Como nos discursos de qualquer liderança – ainda mais de âmbito nacional –, suas falas legitimam atos descentralizados, sobre os quais ele tem pouco ou nenhum controle. 2) Portanto, para ajudar o seu “mito” na queda de braço contra o sistema e tudo isso que está aí, os caminhoneiros deflagram uma greve. “É para trancar tudo”, determina... Continue reading

Coluna: Capacitismo, estigma e inclusão: como (re)pensar o sujeito com deficiência?

Agosto de 2021 foi recheado de discussões envolvendo pessoas com deficiência (PCD). Tradicionalmente neste mês, ocorre de 21 a 28 a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, com atividades e reflexões que minimamente ganham espaços midiáticos nos grandes meios. Neste ano, houve eventos adicionais que ampliaram esse debate: os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, que ajudaram a viabilizar questões caras para o movimento de luta da pessoa com deficiência; e a fala discriminatória do ministro da Educação, Milton Ribeiro, que afirmou que crianças com deficiência “atrapalham” o ensino dos demais estudantes, acreditando ser, em alguns casos, “impossível a convivência”. Provavelmente o leitor já deve ter acompanhado alguns desses assuntos nos últimos dias. O exercício que proponho é pontuar elementos importantes que nos ajudam a (re)pensar posturas e tratos para com os sujeitos com deficiência em nossas convivências sociais cotidianas.   Boaventura de Sousa Santos, pensador português, tem uma... Continue reading

Coluna: Volta o eleitor arrependido… e que seja acolhido!

Na série de televisão Chaves, sobre um menino de rua que morava em um barril, em um bairro muito simples, o protagonista entoava os seguintes versos, que já fazem parte da cultura popular brasileira: “Volta o cão arrependido Com suas orelhas tão fartas Com seu osso roído E com o rabo entre as patas” Nesta semana, li estas mesmas palavras em uma rede social, mas noutro contexto, sobre a imagem de um suposto eleitor do Presidente Jair Bolsonaro em 2018, comparando-o (o eleitor, não o governante) ao tal “cão arrependido”. Para aqueles que, assim como eu, são anti-bolsonaristas, a comparação pode se fazer engraçada, inclusive fácil. Afinal, para os eleitores do “lado de cá”, animalizar – seja como cão, ou mesmo gado – o cidadão que votou em um candidato preconceituoso, a favor da tortura e com uma história política medíocre, é um processo quase automático. O problema é que,... Continue reading

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