Documentário Clube de Preto rememora trajetória da população negra de Ponta Grossa e Tibagi

O Auditório Brasil Pinheiro Machado recebeu na noite de 13 de maio a especialista em História, Arte e Cultura pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Merylin Ricieli dos Santos, para exibição do documentário Clube de Preto e conversa sobre a produção. A integrante do Núcleo de Relações Étnico-raciais de Gênero e Sexualidade da UEPG (Nuregs) e do Movimento das Mulheres Negras de Ponta Grossa (Moolaadé) falou sobre os dois clubes abordados no vídeo: o clube Treze de Maio, sediado em Ponta Grossa, e o Estrela da Manhã, de Tibagi. Ambas as instituições foram fundadas por e para pessoas negras das cidades, sendo espaços de experiências culturais, sociais e de acolhimento para a população negra.

Em conversa com o público, Merylin ressaltou a importância de políticas de patrimonialização para a garantia de sustento dos clubes e de seus legados. Segundo levantamento de 2014 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), existem seis clubes negros no Paraná, estando dois desativados. O Clube Treze de Maio é o mais antigo, fundado em 1890. A pesquisadora destacou a relevância do clube para a comunidade negra de Ponta Grossa e seu valor histórico, reafirmando a necessidade de políticas públicas que mantenham esses espaços.

Merylin também abordou a preocupação que os clubes negros tinham com sua imagem. Citando como exemplo o Clube Treze de Maio, que possuía rígida fiscalização de vestimentas e comportamento de seus membros, ela explica que tal atitude não somente refletia a sociedade na qual o clube estava inserido, mas também era necessária a fim de preservar a existência de um espaço para a população negra em meio a uma comunidade racista. A convidada da noite também citou os concursos de beleza promovidos pelos clubes, importantes por serem um espaço de admiração à beleza de corpos negros. Segundo Merylin, tais eventos podem ser entendidos como uma afirmação política da comunidade.

A exibição do documentário Clube de Preto integrou a mostra Cinema e Diversidade e contou com a presença de 40 pessoas. O evento teve apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da UEPG (Proex). O documentário resulta de projeto aprovado junto ao programa Universidade sem Fronteiras e envolveu equipe multidisciplinar, com discentes de áreas do conhecimento como História e Jornalismo.

Texto: Lívia Hasman (projeto Ações Culturais no Museu Campos Gerais)

Supervisão e fotos: prof. Rafael Schoenherr

 

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