Foto Elite: Um acervo em processo de organização 09/2019 e 10/2019

O Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa lançou esta semana a exposição inaugural do Foto Elite (FE), uma mostra do início da organização do acervo com mais de 200 mil imagens. O conjunto, adquirido pela instituição em julho, registra parte da história de Ponta Grossa durante o século XX. No futuro, o MCG lançará uma grande exposição e disponibilizará o acervo para consulta digital.

A diversidade é uma das marcas do acervo, que perpassa cinco décadas. “É possível remontar a história do circuito artístico em Ponta Grossa, dos carnavais em clubes, cerimônias familiares, times de futebol local, corridas no Jockey Club, além de transformações do espaço urbano, a exemplo da destruição da antiga catedral”, diz Rafael Schoenherr, diretor do acervo do MCG. “Há uma continuidade nesses conjuntos fotográficos que expressam o próprio cotidiano de uma cidade em suas diversas marcas de visibilidade social”, complementa Schoenherr.
Seu Domingos recebeu fotos antigas de outros fotógrafos e de pessoas comuns que gostariam de preservá-las. Outras foram emprestadas para serem reproduzidas em papel fotográfico ou digitalmente. “Há registros das ruas da cidade, imagens aéreas dos bairros, fotos de instituições como clubes e associações, retratos de famílias e políticos locais, além de inúmeros eventos. Há também fotos de estúdio”, afirma Patrícia Camera, diretora de ações educativas do MCG. Ela destaca que o acervo revela a preocupação de Domingos com a preservação de fotografias e a difusão da memória visual de Ponta Grossa.
Grande parte do conjunto documental é composto por trabalhos no estúdio, fundado por Germano Koch em 1954 e comprado por Domingos Silva em 1977. “A história de Domingos no ramo fotográfico tem início no Foto Weiss, onde trabalha entre 1955 e 1977”, explica a professora. Para ela, a paixão de Domingos pela fotografia e a localização central do estúdio na movimentada Francisco Ribas são importantes para a história do acervo.

Diagnóstico
O tratamento do conjunto está na fase de diagnóstico do estado físico de negativos, fotos em papel, álbuns de fotografia e documentos. Tipos de suporte fotográfico (base de vidro ou acetado) e formatos (filmes de pequeno, médio e grande formato), além de objetos e fotografias positivas (papel ou dispositivo) estão sendo catalogados. “Nessa tabela também informamos qual é a condução do estado físico e a quantidade aproximada para termos um panorama geral do acervo. Também se existe informações de legendas e datas nos envelopes e caixas de negativos”, diz Camera. O diagnóstico direcionará as próximas ações de higienização, catalogação e armazenamento.

Equipe de pesquisadores
Três alunos-bolsistas do curso de Licenciatura em Artes Visuais e um do curso de História, que também trabalham na organização do Fundo Foto Bianchi, fazem parte da equipe de trabalho. A participação dos estudantes, de acordo com a diretora, foi possível graças à mudança de endereço da Casa da Memória. Egressos dos cursos de História e Geografia que passaram pelo mesmo projeto de extensão foram convidados para o tratamento do acervo. Também integram a equipe de organização os funcionários do MCG e, na coordenação, os diretores do museu, Niltonci Chaves, Patrícia Camera e Rafael Rafael Schoenherr. “Interessante notar que a organização do próprio acervo é uma ação educativa que está ocorrendo com os funcionários do museu”, destaca Camera.

Foto Bianchi
Ponta Grossa é uma cidade que apresenta uma importante e vasta produção de fotografias. Um dos destaques é o Fundo Foto Bianchi, localizado na Casa da Memória Paran. O Fundo compreende a primeira década do século XX até 1970. “A aquisição do FE por parte da universidade foi fundamental por completar essa história, mas principalmente por dar continuidade à preservação das imagens de retratos, eventos e mudanças da cidade registradas até a nossa contemporaneidade”, finaliza Camera.

Texto: Luciane Navarro Fotos: Rafael Schoenherr e Patrícia Camera