Cinema Regional Popular conta a História da Beata Albertina

O auditório Brasil Pinheiro Machado recebeu o diretor do filme Albertina (2020), Luiz Fernando F. Machado, para exibição do longa e conversa com o público. O cineasta da Companhia Boa Nova, sediada em Florianópolis, falou sobre os mais de 30 prêmios recebidos em festivais nacionais e internacionais, além de detalhar o trabalho com elenco e técnicas adotadas no set de filmagem.

A produção independente baseia-se na Estética da Sopa de Pedra e na cooperação comunitária, por meio de cursos de cinema. Em torno de 3 mil populares integraram o projeto, em sua maioria moradores de cidades que fazem parte da Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel) e também membros da família Berkenbrock. O filme reconstitui a história da menina Albertina, narra os milagres a ela atribuídos e seu trágico desfecho, em meio a paisagens e cenários do interior de Santa Catarina. O longa está disponível em diferentes plataformas de streaming e DVD, com cópias doadas pelo diretor a UEPG.

Sopa de pedra

O fundador da Estética da Sopa de Pedra explicou o conceito de seu método de produção cinematográfica. Baseada na história folclórica europeia homônima, na qual com colaboração coletiva as personagens fazem uma sopa que sacia a fome de todos, a ideia da estética é a colaboração conjunta de diversas pessoas e entidades para produzir obras audiovisuais que fujam da tendência blockbuster. Segundo Luiz Fernando Machado, o objetivo da Companhia Boa Nova é produzir obras culturais regionais de qualidade e com baixo orçamento, oferecendo educação cinematográfica e apostando no envolvimento de núcleos populares na produção audiovisual. Albertina, conforme relata, foi o maior sucesso do método.

Em conversa com o público, Luiz Fernando Machado abordou outras produções em que experimentou o método de trabalho replicado e aperfeiçoado em Albertina. É o caso do documentário Zaratustra Ainda Fala, de 2016, que lhe rendeu o reconhecimento de melhor documentário em festival de Los Angeles (EUA), além de melhor filme e também diretor em premiação na Hungria, entre outras condecorações internacionais. O diretor capacitou centenas de detentos da Colônia Penal Agrícola de Palhoça (SC) por meio de curso de formação audiovisual. O longa-metragem foi desenvolvido, gravado e finalizado dentro do sistema prisional brasileiro.

A exibição do filme Albertina no Museu Campos Gerais foi a primeira realizada no Paraná e contou com a participação de 42 pessoas. O evento teve o apoio do projeto de extensão Ações Culturais no MCG (bolsas Pibex/Pibis, Fundação Araucária e Proex).

Texto: Lívia Hasman e Rafael Schoenherr (Ações Culturais no MCG)

Fotos: Vitoria Testa (Lente Quente)

 

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