O fotojornalismo de Ponta Grossa em 24 mil imagens

Pesquisa do acervo fotográfico do jornal Diário dos Campos no Museu Campos Gerais produz primeiros resultados

O estudante de ensino médio Guilherme Alves da Silva integra o Programa de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr.), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesp) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Desde julho do ano passado, sua rotina nas tardes de terça e quinta envolve contabilizar milhares de fotos, vasculhar envelopes de negativos fotográficos e fazer anotações. A pesquisa consiste na organização inicial e inédita do acervo fotográfico do jornal Diário dos Campos, no Museu Campos Gerais (MCG).

Com a interrupção do atendimento no museu desde março deste ano em função das medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, Guilherme decidiu aproveitar o tempo em casa para dar um outro formato ao relatório parcial de pesquisa entregue a Propesp. Foi daí que surgiu a ideia, em conversa online com o professor orientador, de aproveitar os dados sistematizados no documento para produzir um material de divulgação tanto das etapas da pesquisa quanto do acervo fotográfico. O resultado é um vídeo de dois minutos inteiramente produzido pelo estudante e que fica disponível a partir de agora no canal do MCG no YouTube e também pode ser compartilhado em redes sociais.

O acervo fotográfico do jornal Diário dos Campos ocupa sete gavetas nos Arquivos Históricos Hugo Reis, com fotos impressas no formato 10 x 15, produzidas de 1999 a 2005. O conjunto inclui fotos publicadas no periódico e também os registros preteridos pela edição e que não foram aproveitadas pelo jornal. A doação chegou ao museu em 2018, quando foi feita uma pré-catalogação temática das imagens.

O levantamento realizado no segundo semestre de 2019 por Guilherme Alves da Silva contabilizou um total de 24,3 mil fotos divididas em 90 categorias temáticas. A investigação identificou até o momento a participação de cinco fotógrafos autores desse conjunto de imagens e o envolvimento de sete outros jornalistas a partir de registros de serviço fotográfico prestado por pelo menos duas empresas que faziam revelação e ampliação das fotos.

Uma das funções do dimensionamento do acervo e da organização temática é abrir caminho para futuras pesquisas. Para o professor do Departamento de Jornalismo da UEPG e diretor de acervo do MCG, Rafael Schoenherr, a expectativa é de que essas fotos reorganizadas possam preencher lacunas da história do fotojornalismo em Ponta Grossa. A virada dos anos 90 para os anos 2000 marca o último período da fotografia analógica nas redações locais.

“Em 1999, o Diário dos Campo volta a circular após um recesso. O jornal ressurge com uma equipe considerável de jornalistas e fotógrafos. As indicações presentes no acervo podem ajudar a se compreender melhor as rotinas produtivas do repórter fotográfico. Também as pautas mudaram muito ao londo tempo, os aspectos da cidade que ganhavam maior ou menor visibilidade”, explica Schoenherr, orientador da pesquisa, que é financiada pelo CNPq e se encerra em junho deste ano.